Caputo diz que Milei faz “lição de casa” na Argentina, mas que precisa de apoio do Congresso

Luis Caputo, ministro da Economia da Argentina, afirmou nesta terça-feira (6) que o presidente Javier Milei está “fazendo a lição de casa” para reverter o que ele classifica como a pior crise da história do país, mas que para isso precisa de apoio do Congresso.
Empossado há cerca de 40 dias, o ultraliberal conquistou uma vitória no Legislativo na última semana com a aprovação do texto-base do seu pacote de reformas econômicas e políticas.
O ganho, porém, foi reduzido com a desidratação de diversas medidas, inclusive com recuo em pautas de privatização, uma das principais bandeiras do mandatário.
Agora, deputados esmiúçam o texto para votar ponto a ponto. Caso aprovada, a matéria ainda precisa ser chancelada pelo Senado.
“Sabemos o que o país precisa, e vai funcionar, mas claro que precisamos do apoio do Congresso. Muita gente, no mundo todo, está observando o que os congressistas farão com o que enviamos para ser aprovado”, afirmou durante no CEO Conference 2024, evento do BTG Pactual em São Paulo.
O chefe da equipe econômica também afirmou que a população está apoiando o governo e sabe que “há tempos difíceis à frente”. Apesar da afirmação, grupos de oposição organizam manifestações recorrentemente contra o pacote encaminhado pelo Executivo.
“A ideia é colocar em ordem este ambiente macro e estabelecer bases para explorar o nosso potencial”, disse à plateia de investidores. “É um desafio imenso, mas estamos motivamos e sentimos que a população está do nosso lado, finalmente”.
Apesar de admitir o cenário pessimista, Caputo afirmou que há oportunidades “boas de mais para serem verdade” na Argentina, desde que o governo de Milei alcance as metas fiscais e tributárias.
Como exemplo, ele citou a aproximação da BlackRock, maior gestora de ativos do mundo, e do bilionário Elon Musk, responsável pela Tesla, SpaceX, e X, do novo governo argentino.
“Muitos políticos subestimaram Milei porque nunca acharam que alguém pudesse chegar ao poder dizendo que precisamos ajustar os gastos públicos. Era sempre o contrário, e isso deu a ele muita credibilidade”, pontuou.
Caputo, que também foi ministro da Economia e presidente do Banco Central da Argentina durante o mandato de Mauricio Macri, destacou que Milei alcançou um efeito inédito ao ser eleito “dizendo a verdade”, sobretudo diante dos desafios econômicos que o país enfrenta.
“É quase uma abordagem oposta a feita por Macri, que tinha uma abordagem mais gradual, tentando cobrir o déficit aos pouco. Agora é contrário. Temos que fazer a lição de casa, e só depois de fazer a lição de casa é que a economia voltará a crescer”, destacou.
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