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Salto na corrente de comércio do Brasil pode explicar surpresas do PIB, diz Padovani

PublicidadeA soma das exportações e importações brasileiras, a chamada corrente de comércio, como proporção do PIB, deu um salto nos últimos anos e isso pode ser um fatores que explicam os constantes erros de projeções do economistas sobre o crescimento do produto interno bruto nacional. A avaliação é de Roberto Padovani, economista chefe do Banco BV, em entrevista ao InfoMoney, que apontou ainda entre os “candidatos” a atrapalhar os modelos usados para os cálculos a intensidade e simultaneidade dos estímulos fiscais na pandemia e os possíveis impactos de reformas estruturais no país.Ele destaca que a corrente de comércio nos aos 1990 rodava a uns 15% do PIB e  depois, com boom de commodities e estabilidade econômica no país, saltou para 20% do PIB. “Aí ficamos ali parados uns 20 anos. Depois da pandemia, a gente saltou para 30% e isso nunca tinha acontecido. Por que fomos tão surpreendidos pela balança comercial? A quantidade exportada voou, disparou”, compara.Para Padovani, há explicações tanto conjunturais como estruturais para esse movimento, incluindo quebras de safras em países concorrentes em commodities agrícolas e sinais de esgotamento do modelo da China, que faz o gigante asiático perder mercados globais. “A gente está vendo claramente o caso do México, da Índia, e até do Brasil absorvendo uma parte da produção”.Continua depois da publicidadeO economista do BV também falou de temores com o setor fiscal nos Estados Unidos e sobre a dificuldade de percorrer a “última milha” do combate à inflação. Veja a seguir os principais trechos da entrevista:A cada ano, os economistas têm errado em suas projeções para o PIB brasileiro, que vivem “surpreendendo” a cada divulgação do IBGE. Qual a explicação para isso?A gente costumava errar câmbio, juros, inflação, mas errar PIB é uma novidade. O que a gente aprende na faculdade é que, quando erra um ano, pode ter sido um choque não esperado. Mas quando é todo ano, tem um erro consistente, significa que o seu modelo não está capturando alguma coisa nova, o modelo é que está errado. E aí tem três candidatos para falar por que os nossos modelos estão errados. O primeiro é que os estímulos fiscais e monetários a partir de 2020 foram inéditos na história, nunca tínhamos visto todas as economias do mundo, ao mesmo tempo, dando muito estímulo. Você pode pensar em 2020 e 2021, erramos no PIB porque teve um fator de curto prazo que foi o ineditismo dos estímulos econômicos. Outro fator que atrapalhou nossa vida é que a corrente de comércio saiu de 20% para 30%. O ano passado é típico: o PIB cresceu 2,9%, só que 46% desse crescimento, ou seja, quase metade, foi de commodities. Uma pancada, que ninguém sabia que estava acontecendo. Um impulso externo, vamos dizer assim. E tem um terceiro fato, que não dá para mensurar, que foram as reformas feitas entre 2016 e 2021. A reforma trabalhista foi importante, mas quanto  

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