Análise: Como distinguir uma boa política industrial de uma má

Linha de produção industrial. Foto: José Paulo Lacerda/CNI
Cinco anos atrás, Reda Cherif e Fuad Hasanov, dois economistas do Fundo Monetário Internacional (FMI), escreveram um artigo com o título (ligeiramente) sarcástico “O retorno da política que não deve ser nomeada: Princípios da política industrial”.
O artigo salientou que embora a intervenção política estratégica fosse amplamente vista como um das principais razões do milagre econômico do leste asiático, ela tinha uma “má reputação entre políticos e acadêmicos” — tanto que, a partir da década de 70 a expressão raramente foi mencionada por empresas de prestígio ou pelo FMI.
Não mais. Em abril, o FMI informou ter observado nada menos do que 2.500 ações de política industrial ao redor do mundo só no último ano, das quais “mais de dois terços distorciam o comércio, pois provavelmente discriminavam interesses comerciais estrangeiros”.
Mais surpreendente, as políticas industriais costumavam ser “muito mais prevalentes nas economias emergentes” do que nas desenvolvidas; entre 2009 e 2022, houve cumulativamente 7 mil subsídios monitorados nos países em desenvolvimento, e menos de 6 mil nos países desenvolvidos. Mas o aumento do ano passado foi “conduzido pelas grandes economias, com China, União Europeia (UE) e Estados Unidos respondendo por quase metade de todas as novas medidas [de política industrial]”.
Essa mudança pode ser vista não apenas nos dados, mas também na retórica. Em abril, Mario Draghi, ex-presidente do Banco Central Europeu, lamentou que a Europa “carece de uma estratégia sobre como proteger nossas indústrias tradicionais de um campo de jogo global desigual causado pelas assimetrias e regulamentações, subsídios e políticas comerciais”. Ele pediu à UE que responda com uma política industrial.
No Reino Unido, o Partido Trabalhista, de oposição, está reverberando esses temas, pedindo um “New Deal” e apregoando o que chama de “securonomics’. Nos EUA, Donald Trump quer tarifas comerciais enormes, enquanto Joe Biden pediu tarifas para setores como o siderúrgico. A Lei de Redução da Inflação (IRA), promulgada por Biden, é também mais uma política industrial.
Mas qualquer um que pondere sobre esse número impressionante do relatório do FMI precisa se lembrar de um ponto crucial que deveria ser óbvio, mas que é frequentemente esquecido: “política industrial” pode significar muitas coisas diferentes. Como disseram Cherif e Hasanov em um seminário no Instituto Bennett de Cambridge na semana passada, há uma diferença importante entre políticas que tentam criar crescimento protegendo as empresas nacionais da concorrência estrangeira, e as que ajudam essas companhias a competir com mais eficiência no cenário mundial.
A antiga estratégia de “substituição das importações” foi perseguida por muitos países em desenvolvimento nos últimos an