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Geopolítica assume um papel central nas cadeias de abastecimento

Terminal portuário em Shenzen, na China (Foto: Chengwei Hu/Unsplash)

De todas as decisões que o Markus Group está tomando sobre seu novo elevador mecânico para ajudar os americanos a acessar seus sótãos, a mais complicada hoje é onde fabricar o produto.
“Dez anos atrás eu imediatamente teria dito China”, afirma Mark Boone, proprietário dessa fabricante de Raleigh, Carolina do Norte, que opera sob contrato.
A China tem tudo que Boone precisa para o seu elevador Stoaway: aço para a estrutura, máquinas computadorizadas de baixo custo para fabricar as peças, e semicondutores e sistemas de comunicação de rádio para a operação remota dos elevadores.
Mas as relações comerciais dos EUA com a China estão se deteriorando, aumentando a possibilidade de Washington vir a elevar as tarifas sobre os produtos chineses, ou uma guerra eclodir em razão das reivindicações de Pequim sobre Taiwan. Boone está procurando fábricas na Polônia e Romênia, onde é mais difícil encontrar fornecedores e os custos com a mão de obra e matérias-primas são maiores, mas onde os riscos geopolíticos podem ser menores.
“As decisões que tomamos serão tão geopolíticas quanto econômicas”, afirma Boone.
O dilema de Boone está afetando milhares de empresas à medida que os crescentes obstáculos geopolíticos complicam as cadeias de abastecimento — que vão de sobretaxas ocidentais e restrições às importações de matérias-primas de produtos da China e outros países aos ataques houthis a navios comerciais que praticamente fecharam o Canal de Suez.
“Hoje, os gestores de cadeias de abastecimento estão pensando mais no risco geopolítico do que em qualquer outro risco”, diz Brian Bourke, diretor comercial da Seko Logistics, transportadora de carga de Schaumburg, Illinois.
Até recentemente, as principais preocupação das empresas com as cadeias de abastecimento era como encontrar uma fonte confiável para produtos ao custo mais baixo, diz Oscar de Bok, presidente-executivo da DHL Supply Chain, uma provedora de logística. Isso levou muitas empresas para a China, com sua mão de obra barata e ecossistema incomparável de fábricas, fornecedores de peças e matérias-primas.
De Bok diz que hoje muitas empresas estão priorizando uma cadeia de abastecimento capaz de suportar choques geopolíticos. Esse novo ônus as está levando para outros países e continentes, onde estão estabelecendo cadeias de abastecimento alternativas que reduzem sua dependência de um único país ou região.
Algumas das mudanças em curso foram estimuladas pela pandemia de covid-19, quando o fechamento de fábricas na China, o aumento dos preços do transporte marítimo e os atrasos no transporte provocaram a escassez de peças e prateleiras vazias. Grant Anderson, vice-presidente de gestão de cadeia de abastecimento da Jabil, diz que “a pandemia assustou muitas empresas, que perceberam o quanto dependiam da China”  

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