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Investidores estrangeiros voltam a olhar para o Brasil, mas sem pressa

Investidores estrangeiros voltam a olhar para o Brasil, mas sem pressa

Os investidores estrangeiros demonstram um interesse crescente pelo mercado brasileiro, mas sem a pressa de realizar grandes alocações no país. Essa foi a percepção de Raphael Figueredo, estrategista de renda variável da XP, após uma recente viagem aos Estados Unidos, onde se reuniu com grandes fundos internacionais. O analista, conhecido como Rafi, compartilhou suas impressões no programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo e Henrique Esteter.

“O que eu ouvi bastante é: ‘quero voltar a comprar Brasil, estou olhando, acho interessante o nível de valuation, o fundamento das firmas, nível de retorno, dividendo e a qualidade das gestões’. Existe um interesse grande, mas sem urgência”, destacou Figueredo.

Segundo ele, no final de 2024, muitos investidores reduziram sua exposição ao Brasil em meio à volatilidade e ao cenário de incerteza. “Muitos fundos ativos tinham uma exposição acima do benchmark em Brasil, porque esperavam uma queda mais expressiva dos juros, o que não aconteceu da forma esperada. Isso levou a um movimento de venda”, explicou.

Cenário global

Apesar do interesse renovado pelo Brasil, os números do fluxo de capital estrangeiro mostram que o movimento ainda é tímido. “O fluxo recente de entrada foi de cerca de R$ 10 bilhões, o que equivale a menos de US$ 2 bilhões. Não é um volume expressivo para o mercado global, mas suficiente para impactar uma Bolsa que está relativamente barata”, disse Rafi.

Ele também mencionou que a rotação de investimentos para mercados emergentes tem favorecido o Brasil, mas que ainda não há sinais claros de que isso esteja relacionado às eleições presidenciais de 2026. “Analisamos os dados de fluxo dos ETFs globais e vimos que, em 2025, a entrada de recursos no Brasil ocorreu principalmente por meio de ETFs de mercados emergentes. Já o ETF específico de Brasil, o EWZ, teve um saque de US$ 300 milhões neste ano. Isso indica que o país está se beneficiando mais da rotação global do que de um movimento antecipado de aposta no cenário eleitoral”, explicou.

Comparações com a Argentina

O estrategista da XP ponderou que, embora o tema das eleições brasileiras esteja no radar dos investidores, ainda não há um fluxo significativo de capital entrando no país por esse motivo. “O mercado pode sim entrar em um ‘trade de eleição’ nos próximos nove a doze meses, mas, por enquanto, o dinheiro que está vindo para cá tem outra origem”, disse.

Figueredo também comentou que, nas conferências recentes, alguns investidores compararam a situação do Brasil com a da Argentina, onde fundos de hedge lucraram com a mudança de governo. “Muitos investidores estrangeiros, especialmente os de perfis mais agressivos, ganharam muito dinheiro com as eleições na Argentina. Por isso, esse tema está na cabeça de muita gente e levanta a possibilidade de que algo semelhante possa acontecer no Brasil”, analisou.

O programa Stock Pickers, que contou também com a participação de Fernando Ferreira, estrategista-chefe da XP Investimentos, reforçou que, apesar do interesse renovado, o Brasil segue sendo um mercado de volatilidade. “Qualquer fluxo de capital estrangeiro faz diferença por aqui, dado o tamanho da nossa Bolsa. Mas o cenário global e as decisões internas seguirão sendo determinantes para a trajetória do mercado nos próximos meses”, concluiu Figueredo.

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Autor: osniralves

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