Lucro do Banco Master dobra em um ano; confira a visão de analistas
O Banco Master informou nesta terça-feira (1º) que encerrou o ano de 2024 com um lucro líquido de R$ 1,068 bilhão. O resultado representa um crescimento de 100,75% em relação ao lucro reportado em 2023, que havia sido de R$ 532 milhões. A instituição divulgou seu balanço anual na semana em que o mercado acompanha o desenrolar das negociações com o Banco de Brasília (BRB).
O patrimônio líquido da instituição atingiu R$ 4,74 bilhões, contra R$ 2,382 bilhões em 2023, enquanto os ativos de crédito somaram R$ 40,31 bilhões, comparados aos R$ 24,456 bilhões do ano anterior. O Retorno sobre Patrimônio (ROE) foi de 28,5%, contra o patamar de 29,10% observado em 2023. Os resultados foram auditados pela KPMG.
De acordo com o banco, o desempenho alcançado no ano está diretamente relacionado à expansão do portfólio de crédito, à estruturação de operações, seja de forma direta ou por meio de veículos – como fundos de investimentos –, bem como às ‘de crédito e aos investimentos e aquisições realizadas.
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Apesar do crescimento da carteira de crédito, o Master explica que a qualidade dos ativos permitiu uma redução na despesa de provisões para crédito de R$ 263 milhões em 2024 (R$ 393 milhões em 2023). Detalhe: as provisões representam um valor contabilizado para cobrir perdas futuras que podem ocorrer em operações de crédito.
“Destaca-se que o reposicionamento de algumas operações ativas resultou na redução de provisões anteriormente constituídas. O volume de provisões permanece alinhado com os índices dos anos anteriores, mantendo-se abaixo de 2%. Ao comparar a totalidade de ativos de crédito detidos pelo Banco com o total de ativos de crédito, observamos um índice de 1,40% em 2024 (2,00% em 2023).
Na avaliação de Humberto Aillon, especialista na Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecaf), a Provisão para Devedores Duvidosos (PDD) foi um ponto imporante. “Na minha visão, a PDD se manteve sob controle, atingindo 1,4% da carteira”, afirma.
Em relação ao crescimento das despesas, destacam-se as de ordem pessoal e administrativas, que totalizaram R$ 2 bilhões em 2024 (R$ 1,2 bilhão em 2023). “Esse aumento significativo decorre da ampliação de novos produtos, do crescimento do quadro de colaboradores e dos investimentos em tecnologia e serviços terceirizados”, explica o banco.
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As principais fontes de captação do Master, os depósitos a prazo mais depósito intermonetários, somaram R$ 49,859 bilhões em 2024, enquanto o montante do ano anterior havia sido de R$ 30,5 bilhões. Como o último balanço do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) mostra que o fundo tem R$ 107,8 bilhões para socorrer os correntistas, em caso de quebra, os produtos do Master consumiriam cerca de 46,25% do patrimônio líquido do FGC.
O resultado foi positivo?
Para Aillon, da FIPECAF, um ROE de 28,5%, como o do Master, é bem expressivo, principalmente em comparação com o de grandes bancos. O BTG Pactual (BPAC11), por exemplo, reportou um ROE de 23,1% no seu último balanço, enquanto o resultado médio anualizado do Itaú (ITUB4) em 2024 foi de 22,2%.
“Ao meu ver, foi um resultado forte. Eu acho que o único ponto de atenção foi na geração de caixa, onde o Master teve uma redução no seu total de caixa e equivalentes de caixa. Em 2023, esse número era de R$ 220 milhões. Já em 2024, fechou o ano com R$ 147 milhões”, destaca Aillon.
Na avaliação de Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, o resultado foi “muito surpreendente”. Um dos destaques foi o lucro, que praticamente dobrou em relação a 2023. “Isso chama atenção, porque, com as taxas que o banco estava aplicando em seus produtos, possivelmente ele estaria abrindo mão de margem e, pelo jeito, isso não ocorreu de uma maneira tão comprometedora para a instituição”, diz.
Pletes acredita que a diversificação de portfólio foi outro ponto positivo, mostrando que o Master não se ateve a um produto específico e conseguiu balancear sua carteira. “O resultado realmente me surpreendeu, principalmente após os rumores levantados no ano passado de que o banco iria quebrar por conta das taxas que oferecia. Ao menos pelos dados do balanço, isso não vai acontecer. Agora resta esperar as cenas dos próximos capítulos da negociação com o BRB”, destaca.
A polêmica compra do Master pelo BRB
O mercado brasileiro foi surpreendido pela notícia na última sexta-feira (28) de que o Banco de Brasília (BRB) pretende comprar uma fatia relevante do Banco Master, em um acordo envolvendo 49% das ações ordinárias, 100% das ações preferenciais e 58,04% do capital total da instituição. A operação foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração do BRB, mas ainda está sujeita a aprovações regulatórias, incluindo a do Banco Central e a do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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Em comunicado, o BRB explicou que as firmas manterão as estruturas das companhias apartadas, com compartilhamento de governança, expertise, sinergias e coordenação estratégica e operacional. A marca será apenas a do BRB.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, já começou a ter as primeiras reuniões sobre o tema. Na segunda-feira (31), o executivo recebeu em Brasília o presidente do BRB, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, e também se reuniu com André Esteves, chairman do BTG Pactual. Como mostrou o Estadão, o BC analisa uma saída alternativa para a negociação entre BRB e Master e uma das possibilidades na mesa seria incluir o BTG na operação.
Veja a cobertura completa do E-Investidor sobre o caso:
- Socorro do BRB ao Master é “afronta à governança e imoral”, diz Fabio Alperowitch
- Master e BRB têm tamanho suficiente para acabar com a liquidez do FGC, diz Marília Fontes
- “O BRB vai ter que arcar com as taxas dos CDBs do Banco Master”, diz Abradin
- OPINIÃO: Banco Master, “grande demais para quebrar”?
- FGC garante liquidez, mas vê risco para o BRB na compra do Master, segundo fontes
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Autor: Beatriz Rocha