“O BRB vai ter que arcar com as taxas dos CDBs do Banco Master”, diz Abradin
Até junho de 2024, dado monetário mais recente, o Banco Master tinha R$ 40 bilhões em Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) emitidos – e com alguns dos rendimentos mais altos do mercado, de até 140% do CDI. O estoque sempre chamou a atenção do mercado, já que se tratava de um instituição financeira de médio porte. Para efeito de comparação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que garante quantias de até R$ 250 mil investidas em CDBs em caso de quebra dos bancos, possuía até o fim do ano passado cerca R$ 132,7 bilhões.
Para Aurélio Valporto, presidente da Associação Brasileira de Investidores (Abradin), o BRB vai ter que arcar com as taxas dos CDBs emitidos pelo Master. A operação de compra do Banco Master pelo BRB foi confirmada nesta sexta-feira (28).
Essa também é a visão de Andressa Bergamo, especialista em investimentos e sócia-fundadora da AVG Capital. “É provável que o BRB assuma as obrigações financeiras do Banco Master, garantindo a continuidade dos pagamentos e condições acordadas inicialmente”, diz.
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Na opinião da especialista, a operação não deve representar riscos imediatos para os investidores que possuem CDBs do Banco Master. “Por ser controlado pelo governo do Distrito Federal, a aquisição vai deixar muitos investidores até mais tranquilos nesse momento.”
Procurados pela reportagem, o Master e o BRB não se posicionaram sobre o assunto.
BRB muda o jogo do Banco Master
Gianluca Di Mattina, especialista em investimentos da Hike Capital, aponta que o Banco Master cresceu de forma acelerada nos últimos anos, apoiado em estratégias como a concessão de crédito para firmas em dificuldades e a venda agressiva de CDBs através de plataformas de investimento. O patrimônio líquido da instituição cresceu 86% somente entre 2023 e 2024, por exemplo, saindo de R$ 2,3 bilhões para R$ 4,2 bilhões.
“Parte desse crescimento foi sustentado por uma carteira de crédito concentrada em precatórios, o que despertou preocupação entre analistas e reguladores”, diz Mattina. A preocupação com a explosão de CDBs de mais de 140% do CDI atrelados a bancos menores, segundo apurou o Estadão, fez com que o Banco Central moderasse a emissão desse tipo de produto em uma nova regra de julho do ano passado.
Agora, a entrada do BRB muda o jogo. Segundo o especialista da Hike, o banco público tem uma estrutura sólida, com histórico de governança estável e boa reputação no mercado. Recentemente, o BRB reforçou seu capital com uma injeção privada de R$ 750 milhões para sustentar sua expansão, com iniciativas como o banco digital em parceria com o Flamengo, que já soma milhões de contas.
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“Com a aquisição, espera-se que o Master se beneficie da estrutura e da governança do BRB. Embora as instituições continuem operando de forma separada, a marca BRB será adotada e o banco estatal terá voto afirmativo em matérias estratégicas. Isso sinaliza maior controle e possivelmente maior prudência nas decisões futuras”, afirma Mattina, que vê a aquisição como um gatilho que melhorará o perfil de risco da instituição, o que é positivo para os investidores. Agora, é preciso ficar atento à aprovação da transação pelo Banco Central e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A operação
Nesta sexta-feira (28), o Banco de Brasília confirmou a compra do Banco Master em comunicado enviado a investidores. No acordo assinado, o BRB leva 58% das ações da instituição financeira de Daniel Vorcaro.
“O novo conglomerado prudencial visa fortalecer a atuação conjunta no mercado, pela oferta completa de produtos e serviços bancários, de seguridade, meios de pagamento e investimentos a pessoas físicas e jurídicas, presença nacional e estrutura de governança, capital, liquidez, rentabilidade e conformidade regulatória compatível com o porte do novo conglomerado”, diz o BRB, no documento.
As firmas manterão as estruturas separadas, com compartilhamento de “governança, expertise, sinergias e coordenação estratégica e operacional”. Enquanto o BRB tem presença consolidada no crédito imobiliário, setor público, meios de pagamento, seguros e investimentos, o Master contribuiria com o segmento de cartão de crédito consignado, câmbio, mercado de capitais e atacado.
O preço de aquisição a ser pago pelo BRB será equivalente a 75% do patrimônio líquido consolidado do Banco Master, com 50% pago à vista na data de fechamento da operação. Até junho de 2024, o patrimônio líquido do Master era de R$ 4,2 bilhões.
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Autor: Jenne Andrade