1º de abril: quais as mentiras que te contam sobre empreender?
Em 2025, um estudo realizado pela Remitly Global classificou os países com o maior espírito empreendedor. A pesquisa foi baseada na escala “grit”, que testou mais de 7.000 pessoas em 26 países com o objetivo de examinar a disposição da população em cumprir suas metas, mesmo em contextos adversos. Como resultado, o Brasil classificou-se em 8º lugar no ranking, com 40,51 pontos de um total de 60.
De acordo com a análise, o empreendedorismo no Brasil é, em grande parte, impulsionado pela necessidade. Diante da dificuldade de acesso a empregos formais e da instabilidade no mercado de trabalho, uma parcela relevante da população recorre a atividades por conta própria como alternativa de renda. Ainda assim, o estudo destaca que os brasileiros apresentam características marcantes, como criatividade, otimismo e busca por ascensão.
Apesar desse cenário, os dados indicam um descompasso entre intenção e prática. Embora o país esteja entre os que demonstram maior disposição para empreender, ele ocupa apenas a 16ª posição no ranking que mede a diferença entre mentalidade e ação. O resultado sugere que, na prática, o número de novos negócios criados não acompanha o nível de interesse em empreender.
“O Brasil é um dos países mais desafiadores para empreender e, exatamente por isso, um dos mais oportunos. A complexidade tributária, a instabilidade econômica e o custo operacional elevado, filtram o mercado: quem tem método, gestão e execução sobrevive e escala”, afirma Ycaro Martins, CEO e fundador da Maxymus Expand.
Mas existe alguma fórmula para começar a empreender?
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Ycaro explica que a escala do sucesso do negócio não depende só de mentalidade e ação, ela exige habilidades múltiplas.
“Você não passa a ser empreendedor para ter sucesso. Você precisa ser administrador, se tornar um empresário. Conhecer não só de vendas, como de monetário. Não só de monetário, como de vendas. Porque a escala de sucesso do negócio está dentro das habilidades e competências que envolvem todas as áreas dele”, afirma.
Não existe uma fórmula para empreender, mas sim uma consequência de todas as habilidades e conhecimentos adquiridos que vão tornar o processo mais fácil para quem busca criar um negócio próprio.
Principais mentiras sobre empreender
O universo empreendedor está se tornando cada vez mais assistido e almejado, talvez pelo retorno monetário de prontidão ou pela liberdade que a ideia de “ser o seu próprio chefe” transparece. Mas, somente nessa frase, existem três mentiras primordiais com as quais quem busca empreender precisa tomar cuidado.
A primeira é a “romantização” em construir o seu próprio negócio. Mas poucos se atentam para o exato significado da palavra “construir”. Com o avanço das redes sociais, a criação do imaginário idealizado torna-se comum na sociedade. Porém, a realidade nada mais é que uma construção de processos e reprocessos.
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Miguel Souza, CEO da Vaapty, vai afirmar que hoje se vende muito estilo de vida e quase nada dos bastidores.
“Mostram faturamento alto, mas não mostram: caixa apertado, dívida, erros de contratação, operação desorganizada, falta de previsibilidade e sócios desalinhados. Quem está começando acha que está “indo mal”, quando na verdade está vivendo exatamente o que todo negócio vive.”
A segunda mentira difundida no empreendedorismo é a promessa de que o retorno monetário baterá na sua porta em poucos meses. O que os “palcos” não mostram é a realidade nua e crua da operação, como afirma Miguel:
“O que ninguém fala é que você reinveste quase tudo no início, a margem demora pra aparecer, um crescimento desorganizado consome caixa, a falta de conhecimento contábil e trabalhista no início gera consumo de caixa no futuro. Tem negócio que fatura alto e mesmo assim não dá lucro, porque dinheiro de verdade vem com escala, eficiência e processo. Isso leva tempo.”
A terceira mentira é pensar que você terá mais liberdade tornando-se o seu próprio chefe. A verdade é que um “chefe” sempre vai existir, mas a partir do momento que decide construir um negócio, você vai passar a ter clientes, equipe, sócio, fluxo de caixa e banco para te manter nos eixos.
“Uma vez que você decide empreender, você vai estar sendo gerenciado e chefiado por muitas outras pessoas e para o mundo que você serve. Porque ser empresário é servir, é se doar e se dedicar”, afirma Ycaro.
Erros mais comuns ao tentar empreender
Ycaro e Miguel concordam que, na prática, os erros mais comuns ao empreender seguem um padrão, e, muitas vezes, estão ligados à falta de estrutura e visão estratégica desde o início.
Entre os principais erros, estão:
- Começar sem entender os números do negócio – Falta de controle sobre fluxo de caixa, margem e custos compromete decisões e pode levar a prejuízos logo no início.
- Confundir faturamento com lucro – Alto faturamento não significa dinheiro disponível, esse erro cria uma falsa sensação de sucesso.
- Crescer antes de ter processos estruturados – Escalar sem organização interna tende a gerar descontrole e ineficiência.
- Não investir cedo em tecnologia e organização – Ignorar ferramentas e processos desde o começo limita a capacidade de crescimento sustentável.
- Escolher sócios ou equipe sem critério – Decisões mal feitas na formação do time impactam diretamente a operação e o futuro da firma.
- Tomar decisões no “achismo” – Falta de análise de dados e planejamento estratégico aumenta os riscos do negócio.
- Confundir pró-labore com lucro – Misturar finanças pessoais com as da firma prejudica o controle monetário.
- Definir um pró-labore incompatível com a realidade do negócio – A ideia de que o dono deve ganhar mais pode consumir o caixa e travar o crescimento, especialmente nas fases iniciais.
- Querer crescer rápido sem ter estrutura – Apontado como o erro mais crítico, a busca por velocidade sem bases sólidas torna o crescimento insustentável.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Ana Ayub
