Bitcoin sobe mais que ouro e S&P 500 após choques globais, mostra levantamento

Em momentos de turbulência – como guerras, pandemias ou choques comerciais – o bitcoin (BTC) costuma voltar ao centro do debate: afinal, ele funciona como reserva de valor ou é só mais um ativo de risco?
Um levantamento do Mercado Bitcoin ajuda a jogar luz sobre essa dúvida. A exchange analisou o desempenho da criptomoeda nos 60 dias seguintes a grandes choques globais e comparou com dois referenciais clássicos: o S&P 500, principal índice de ações dos EUA, e o ouro, tradicional porto seguro.
Os dados mostram um padrão curioso.
Após o início da pandemia de Covid-19, em março de 2020, o bitcoin subiu 21% nos dois meses seguintes. No mesmo período, o ouro avançou 3% e o S&P 500, 2%.
O movimento se repetiu em episódios mais recentes. No chamado “Liberation Day”, em abril de 2025 – quando o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou tarifas contra diversos países – o bitcoin saltou 24% em 60 dias, superando novamente o ouro (8%) e o índice americano (4%).
Segundo o levantamento, padrões semelhantes foram observados em eventos como a guerra entre Rússia e Ucrânia e conflitos no Oriente Médio.
“O bitcoin nem sempre sobe no momento em que a tensão começa. Mas, após o impacto inicial, o histórico do ativo indica uma resiliência maior do que muitos investidores esperam ”, diz Rony Szuster, head de research do Mercado Bitcoin.
Veja gráfico:
Ativo de risco no longo prazo
Apesar do desempenho superior no curto prazo após choques, o comportamento do bitcoin no longo prazo ainda se aproxima mais de um ativo de risco do que de uma reserva de valor, segundo um estudo de pesquisadores da USP e da PUC-Rio, publicado neste ano.
O material, que analisou dados de 2014 a 2025, aponta que a criptomoeda é fortemente influenciada por ciclos internos de valuation e alavancagem – além de reagir às condições globais de risco, especialmente em momentos de estresse.
Na prática, isso significa que o bitcoin até pode se recuperar (e até superar outros ativos) depois de crises, mas não necessariamente oferece a proteção típica de ativos como o ouro nos momentos mais agudos de turbulência.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -2,73%, US$ 69.528,62
Ethereum (ETH): -4,90%, US$ 2.076,11
BNB (BNB): -2,48%, US$ 630,12
XRP (XRP): -3,31%, US$ 1,37
Solana (SOL): -5,04%, US$ 87,19
Outros destaques do mercado cripto
Moedas digitais e a lei antifacção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a nova lei antifacção, que endurece as penas contra lideranças do crime organizado no Brasil. A legislação também amplia os mecanismos de bloqueio e apreensão de bens ligados a essas atividades – e isso inclui criptomoedas, que vêm sendo usadas em operações ilícitas.
Tokenização avança nos EUA – com alerta. O debate sobre tokenização também ganhou força no Congresso dos EUA, com sinais de que a prática deve mesmo entrar no mercado tradicional. Enquanto a CVM do país (SEC, na sigla em inglês) prepara uma possível “zona de testes” para ativos tokenizados, parlamentares concordam que a modernização é inevitável – mas divergem sobre até onde flexibilizar regras.
Emissora de stablecoin sente o peso da regulação. A nova proposta de regulação cripto nos EUA (o Clarity Act) indica que stablecoins não poderão pagar rendimento sobre saldos parados – o que mexe direto no modelo de negócio de algumas emissoras. O mercado reagiu rápido: as ações da Circle, responsável pela USDC, caíram quase 19% em cinco dias.
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Autor: Lucas Gabriel Marins