Chocolates estão 16% mais caros: vale a pena investir no ETF que acompanha os preços do cacau?
Os chocolates estão mais caros nesta Páscoa, enquanto o cacau, principal matéria-prima do produto, segue em queda no mercado internacional. Segundo um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), os preços dos bombons e ovos de chocolates subiram 16,7% nos últimos 12 meses. Já os preços da commodity acumulam correções superiores a 60% no mesmo período.
O contraste lança uma dúvida aos investidores: o encarecimento nas prateleiras sustenta uma tese de investimentos nos Exchange Traded Fund (ETFs) focados em cacau? A resposta dos especialistas é: depende do perfil do investidor.
Os ETFs são fundos atrelados a uma carteira de ativos que buscam um retorno semelhante a um índice de referência, como o Ibovespa. Na prática, funcionam como um fundo de investimento tradicional, mas são negociados na bolsa de valores. Esses instrumentos viabilizam o acesso dos investidores de varejo a produtos mais sofisticados e restritos a mercados futuros, como as commodities.
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No caso do cacau, os ETFs oferecem exposição ao preço da commodity. É o caso do ETF COCO, negociado na bolsa de Londres. Ainda assim, Geraldo Búrigo, consultor monetário independente e analista CNPI, faz uma ponderação importante para esses produtos.
Embora busque acompanhar a cotação da commodity no mercado internacional, a composição das carteiras desses fundos de índice costuma ser formada por contratos futuros. Por isso, ele explica que o desempenho do ETF nem sempre reflete com exatidão o preço à vista. “O retorno depende da dinâmica desses contratos, como a necessidade de rolagem, os vencimentos e a própria estrutura da curva de preços, fatores que podem impactar positiva ou negativamente o resultado”, explica o especialista.
Dada a complexidade, ele avalia que a estratégia está mais adequada para um perfil de investidor específico. “Faz mais sentido para quem já possui familiaridade com esse mercado e entende bem suas particularidades”, acrescenta Búrigo. Além disso, as commodities são extremamente voláteis e as oportunidades de ganhos com esse investimentos dependem de uma análise precisa do investidor para identificar os períodos de bonanças.
“Entre os anos de 2024 e 2025, os preços do cacau dispararam, mas em 2026 chegaram a cair quase 50% com a melhora das expectativas de safra e uma demanda mais fraca, sem contar que a produção mundial de cacau é altamente concentrada, ou seja, faz com que o investimento seja mais arriscado”, diz Guilherme Viegas, especialista em Investimentos e planejador monetário do Grupo Nexco.
Cacau cai, mas chocolate segue caro: o que explica?
A queda do cacau nos últimos meses reflete uma correção do mercado após a disparada dos preços nos anos de 2023 e 2024, causada pela quebra de safra e pelos eventos climáticos na África Ocidental, principal produtora do fruto no mercado internacional. Com a normalização da produção, os estoques voltaram a subir, enquanto a demanda perdeu força.
Segundo Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, a combinação desses fatores explica o movimento do preço da commodity. Ainda assim, a queda recente não chegou ao consumidor nesta Páscoa. Pelo contrário: os preços subiram. Dados do Programa de Proteção e Defesa do Consumidor de São Paulo (Procon-SP) mostram que os tabletes de chocolate tiveram aumento de preço de 31,6% em 12 meses.
Há uma razão para esse contraste. De acordo com Tonegutti, a indústria e o varejo ainda trabalham com estoques, contratos e compras fechadas quando o cacau estava em níveis de preços elevados. Além disso, o custo final do chocolate não depende só da cotação do cacau. Outros itens entram nesta conta, como o açúcar, leite, embalagem, frete, energia, câmbio, custo industrial e a margem comercial. Em outras palavras, os chocolates não devem acompanhar a precificação do fruto na mesma velocidade observada no mercado internacional.
“O cenário mais provável é primeiro uma desaceleração da alta, depois ajustes seletivos, e só depois, em alguns mercados e categorias, reduções mais visíveis. Em resumo: o cacau caiu antes; o chocolate, se cair, deve cair depois e devagar”, explica o especialista.
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Autor: Daniel Rocha
