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Criptomoeda “fora do radar” decola 300% após parceria com gigante dos pagamentos

A criptomoeda QNT, fora do radar de muita gente por não estar entre as maiores do mercado, decolou 300% nos últimos 30 dias (sim, é isso que você leu) após a Quant, firma por trás do projeto, fechar uma parceria com a The Clearing House, gigante dos Estados Unidos que fornece infraestrutura de pagamentos para os bancos do país.

Olha o movimento: há cerca de um mês, o token valia US$ 60. No domingo (27), bateu US$ 350. Hoje, na manhã desta segunda-feira (28), a cripto é negociada na faixa dos US$ 229. O BTC, para efeito de comparação, subiu somente 6,85% no mesmo período, enquanto o ethereum (ETH) avançou 9%.

Para entender toda essa história, vale olhar para essa parceria e para o que é esse projeto cripto. Vamos por partes.

A parceria

A The Clearing House é uma firma fundada em 1853 e controlada pelos próprios bancos, que opera redes de pagamento nos Estados Unidos e compensa e liquida mais de US$ 2 trilhões todos os dias por meio de transferências eletrônicas. É muita grana.

Esse “monstro dos pagamentos” fechou acordo com a Quant, que vai fornecer a infraestrutura para a criação de depósitos tokenizados.
Depósitos tokenizados são representações digitais dos depósitos bancários tradicionais, que podem ser movimentadas em redes blockchain, mantendo a relação com o dinheiro depositado no banco.

O projeto se chama On-Chain Money Initiative (Iniciativa de Dinheiro On-Chain, na tradução para o português) e tem previsão de ficar disponível para as instituições participantes no primeiro semestre de 2027.

Na prática, é mais um movimento dentro de uma tendência dos bancos de funcionar de maneira semelhante ao mercado cripto, 24 horas por dia, 7 dias por semana. Algumas bolsas globais e a própria B3 também estão caminhando nessa direção.

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Por que a Quant?

Em comunicado enviado à imprensa, Sal Karakaplan, diretor de estratégia da The Clearing House, afirmou que construir uma infraestrutura interbancária para depósitos tokenizados “exige uma tecnologia comprovada e capaz de operar em larga escala” e que a Quant tem a “tecnologia e a experiência necessárias para dar suporte à rede, oferecendo a instituições financeiras de todos os portes um caminho para participar”.

E aqui vale entrar um pouco dentro da plataforma cripto para entender como ela funciona.

A Quant, que é britânica, desenvolve infraestrutura para conectar blockchains diferentes entre si e também sistemas monetários tradicionais. Ou seja, ela conecta redes, sistemas bancários e infraestruturas tradicionais.

Um dos desafios da tecnologia blockchain é justamente fazer diferentes protocolos “conversarem” entre si. Um ativo ou dado registrado em uma rede, por exemplo, não necessariamente pode ser movimentado diretamente para outra. Para o sistema monetário, isso é um problema: se bancos diferentes usarem redes diferentes para tokenizar dinheiro ou outros ativos, será preciso uma infraestrutura capaz de conectar esses ambientes.

É justamente nesse espaço que firmas como a Quant atuam.

Mas vale um adendo: ela não é a única que se propõe a gerar esse papo mais direto entre blockchains diferentes. Projetos como Chainlink, LayerZero, Axelar, Cosmos e Polkadot também desenvolveram tecnologias para permitir que diferentes blockchains troquem dados e ativos.

O que isso significa para o investidor cripto?

A parceria coloca a Quant em uma vitrine importante, mas isso não significa que a QNT vá continuar subindo para sempre, ok? É parecido com o que acontece quando a Petrobras anuncia uma nova descoberta: a ação pode subir com a notícia, mas isso não quer dizer que vai continuar subindo no mesmo ritmo indefinidamente.

Depois da euforia inicial, o mercado costuma voltar a olhar para os resultados concretos da novidade. E analistas sempre alertam para o cuidado de entrar em um ativo depois de uma forte alta, já que podem ocorrer correções de preço.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h20

Bitcoin (BTC):  -2,47%, US$ 83.003,45

Ethereum (ETH): -1,71%, US$ 2.661,54

BNB (BNB): -2,05%, US$ 762,78

XRP (XRP): -3,09%, US$ 1,48

Solana (SOL): -4,38%, US$ 118,47

Outros destaques do mercado cripto

A turma da tokenização na CVM. A Comissão de Valores Mobiliários (ou só CVM, para os mais chegados) divulgou a lista das firmas e instituições que fazem parte do Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT). Tem de tudo um pouco: associações e firmas do setor cripto, como era de se esperar; representantes do mercado monetário, como Febraban e Anbima; e também gente do poder público, como o Governo de São Paulo e um ministério.

Worldcoin no tribunal brasileiro. Lembram da Worldcoin, a cripto criada por Sam Altman, principal nome por trás da OpenAI e do ChatGPT? Ela gerou um bafafá danado no Brasil e no mundo ao pedir informações da íris dos usuários. Pois então, por aqui teve outro “causo”, como diriam os mais antigos. Uma firma paulista processou a Worldcoin e afirma que quebrou por causa de uma parceria com o projeto. A firma pede R$ 20 milhões de indenização. A informação foi publicada pelo Pipeline, do jornal Valor Econômico.

Políticos sem memecoins. A Califórnia decidiu colocar um freio nas memecoins de políticos. O governador Gavin Newsom assinou uma lei que proíbe autoridades públicas do estado de lançarem seus próprios tokens. A medida também restringe, a partir de 2027, a oferta na Califórnia de novas memecoins ligadas a autoridades públicas. A iniciativa vem na esteira da febre dos tokens políticos, como o $TRUMP, lançado por Donald Trump no início de 2025.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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