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Genes podem prever quanto você vai emagrecer com Mounjaro e Ozempic

Algumas pessoas, de forma frustrante, não perdem tanto peso quanto outras ao usar medicamentos populares para emagrecimento, como Wegovy. Um novo estudo sugere que a resposta pode estar nos genes.

Pesquisadores da 23andMe, serviço de testes genéticos ao consumidor que possui um dos maiores bancos de DNA do mundo a partir de amostras de saliva, analisaram dados genéticos de 27.885 clientes que usaram medicamentos como Wegovy e Zepbound para verificar se havia genes ou variantes associados à quantidade de peso perdida ou à intensidade dos efeitos colaterais.

Os resultados, publicados online na quarta-feira pela revista Nature, mostraram que pessoas com uma variante genética comum perderam mais peso com medicamentos GLP-1 do que aquelas sem essa variante. Os pesquisadores também identificaram que certas variantes aumentam a probabilidade de efeitos colaterais como náusea e vômito.

“Isso justifica mais estudos”, disse a Dra. Noura Abul-Husn, diretora médica do instituto de pesquisa da 23andMe. “Hoje, não há praticamente nada que oriente a personalização do uso desses medicamentos ou a gestão das expectativas dos pacientes.”

A 23andMe entrou com pedido de proteção contra falência no ano passado, após enfrentar dificuldades para encontrar um modelo de negócios lucrativo. Testes genéticos preditivos podem ser uma forma de a firma tentar recuperar sua operação.

A companhia está incorporando testes para prever a resposta a medicamentos para emagrecimento em um de seus serviços de saúde, na esperança de que esse tipo de exame se torne comum para ajudar as pessoas a entender quanto peso podem perder com esses tratamentos. Com novos medicamentos sendo aprovados nos próximos anos, esse tipo de teste pode orientar a escolha do remédio mais adequado.

Alguns médicos acreditam que testes genéticos para prever a resposta a esses medicamentos podem se tornar tão rotineiros quanto os usados em doenças como câncer de mama.

O Dr. Andres Acosta, gastroenterologista da Mayo Clinic, afirmou que essa informação é valiosa, já que muitos pacientes pagam centenas de dólares do próprio bolso pelos medicamentos.

“Podemos identificar quem realmente precisa desse medicamento caro e quem pode não responder e precisar de outra opção”, disse Acosta, cofundador da Phenomix Sciences, firma que comercializa testes genéticos para prever respostas a tratamentos de perda de peso.

Medicamentos como Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, e Mounjaro e Zepbound, da Eli Lilly, funcionam imitando hormônios intestinais como o GLP-1, reduzindo o apetite e aumentando a sensação de saciedade.

Esses medicamentos podem levar à perda de mais de 20% do peso corporal, mas nem todos os pacientes alcançam esse resultado. Médicos estimam que cerca de 10% a 15% das pessoas perdem menos de 5% do peso. Entre os efeitos colaterais conhecidos estão náusea e vômito, que também variam entre os pacientes.

Diferença genética

Condições médicas pré-existentes, idade e outros fatores explicam parte dessa variação, mas médicos já suspeitavam que diferenças genéticas também desempenhassem um papel.

Os pesquisadores da 23andMe identificaram que uma variante no gene GLP1R está associada a uma perda adicional modesta de peso com medicamentos GLP-1. Esse gene codifica os receptores de GLP-1 no organismo — alvo de medicamentos como Ozempic e Wegovy.

Pessoas com essa variante perderam até cerca de 1,5 kg a mais do que aquelas sem a mutação e também apresentaram maior probabilidade de efeitos colaterais como náusea e vômito. A perda de peso mediana no estudo foi de aproximadamente 11 kg.

Essa variante é relativamente comum, presente em cerca de 40% das pessoas de ascendência europeia e 38% das de origem do Oriente Médio, sendo menos frequente em pessoas de ascendência africana (cerca de 7%).

Outra variante, no gene GIPR, foi associada a maior probabilidade de efeitos colaterais especificamente com medicamentos como Mounjaro e Zepbound, que também atuam sobre o hormônio GIP.

Apesar dos achados, ainda há muitas incertezas sobre por que os resultados variam tanto entre os pacientes. Fatores genéticos e não genéticos explicam apenas parte dessa variação, segundo Ruth J.F. Loos, professora da Universidade de Copenhague, em comentário publicado na Nature.

Para a Dra. Marie Spreckley, pesquisadora da Universidade de Cambridge, ainda é cedo para usar testes genéticos na prática clínica para orientar o uso desses medicamentos.

“No geral, este é um passo importante para entender a variabilidade e o potencial de abordagens mais precisas no futuro”, disse. “Mas os efeitos ainda são modestos e as evidências não são suficientes para orientar decisões clínicas rotineiras com base em dados genéticos.”

Escreva para Peter Loftus em: peter.loftus@wsj.com

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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