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Kinea vê impacto da guerra no petróleo e reforça posição em tecnologia, real e juros no Brasil

A Kinea Investimentos é conhecida por suas cartas de gestão com citações a filmes ou obras literárias. Na última edição do documento, publicada nesta quarta-feira (1º), a casa usa como referência o filme 300 para ilustrar o impacto do fechamento do Estreito de Ormuz para o mundo.

Na produção cinematográfica, o rei espartano Leônidas e seus trezentos guerreiros enfrentaram o vasto exército persa liderado por Xerxes. O pequeno grupo utilizou a geografia do estreito de Termópilas para neutralizar a vantagem numérica de um império muito maior.

Na analogia proposta pela Kinea, o poder dominante, com superioridade militar, está nos Estados Unidos. O Irã assume o papel dos trezentos espartanos. Embora não tenha capacidade de vencer uma guerra convencional contra a maior potência do mundo, consegue exercer influência por controlar o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial.

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E o impacto vai além do petróleo. Gás natural e fertilizantes também passam pela rota. Na visão da Kinea, o momento do choque é particularmente sensível. Entre março e maio ocorre a compra de fertilizantes para o plantio da safra do hemisfério norte. Culturas intensivas no insumo, como o milho, podem sofrer impactos caso o fluxo comercial continue interrompido.

Esse conjunto de fatores cria um impacto econômico assimétrico. As economias asiáticas, dependentes de importações de energia e alimentos, estão entre as mais expostas ao choque. Já países exportadores de commodities, como Estados Unidos, Brasil, Canadá e Austrália, tendem a se beneficiar relativamente do aumento dos preços globais.

As posições da Kinea no exterior

A combinação de inflação potencialmente mais elevada e maior incerteza geopolítica levou os mercados não só a adiar parte do ciclo de corte de juros precificado anteriormente, como a colocar a perspectiva de altas de juros pelo mundo já começando nos próximos meses

“Nos EUA, em especial, a abertura forte da curva cria riscos adicionais sobre o mercado de trabalho, que se encontra em posição fragilizada. Nesse sentido, não temos mais posições tomadas na curva americana”, afirma a Kinea.

Na Europa, a casa avalia que a alta dependência de energia importada, especialmente de gás e petróleo, torna o bloco particularmente sensível a choques no preço de energia, o que pode pressionar inflação. Ainda assim, a gestora está aplicada em juros suecos por dois motivos: a matriz energética menos exposta a gás e o ponto de partida benigno da inflação do país.

Projeções para o petróleo

A visão da Kinea para o preço do petróleo nas próximas semanas está ancorada no tempo para a normalização do fluxo pelo Estreito de Ormuz. Em um cenário de reabertura rápida, o petróleo tenderia a convergir para a região de US$ 70 por barril, enquanto uma abertura no meio de abril levaria o preço justo para a região de US$ 110. Em um cenário mais prolongado, preços poderiam chegar aos US$ 150.

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Na terça-feira (31), o petróleo WTI para maio registrou baixa de 1,46% a US$ 101,38. Já o Brent para junho caiu 3,18% a US$ 103,97 o barril, após sinais de desescalada no conflito entre Estados Unidos e Irã.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse a assessores que aceita encerrar a campanha militar contra o país persa mesmo que o Estreito de Ormuz siga em grande parte fechado, segundo autoridades do governo. As informações são do The Wall Street Journal.

Já o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira que o país não busca prolongar o conflito e está disposto a encerrá-lo, desde que haja garantias contra novas agressões. A declaração foi feita em conversa telefônica com o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

Foco no setor de tecnologia

Embora tenha reduzido a sua exposição ao setor de tecnologia, em função do aumento da volatilidade dos mercados, a Kinea pontua que sua maior convicção e posicionamento continuam nesse setor.

A casa observa um aumento na utilização de agentes de inteligência artificial (IA) dentro das firmas. Também avalia que os investimentos em IA começaram a se traduzir em aplicações práticas de valor crescente, o que deve sustentar uma demanda estruturalmente mais alta por semicondutores, memória, equipamentos e toda a cadeia tecnológica. A gestora mantém posição em ações como TSMC, Broadcom, ASML, Nvidia, Micron, Google e Amazon.

E no Brasil?

A Kinea segue comprada na moeda brasileira, que teve desempenho superior aos pares em março. No mês, o dólar avançou 0,87% em relação ao real, mas no ano ainda acumula perdas de 5,65%. “Nosso elevado diferencial de juros sem dúvida continua um atrativo”, afirma a casa.

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Na visão da gestora, o risco para o mercado brasileiro, caso a guerra perdure por mais tempo, é a adoção de medidas que deteriorem o quadro fiscal local. “Vemos, contudo, o governo Lula mais cauteloso, buscando equilíbrio nas medidas. Por exemplo, o recente anúncio de medidas para baratear o preço do diesel foi totalmente compensado por um imposto de importação”, diz.

A casa ainda lembra que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresentou perda de popularidade e competividade nas últimas pesquisas eleitorais. O levantamento da Atlas/Bloomberg divulgado na última semana mostrou que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria 47,6% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto o presidente Lula aparece com 46,6% da preferência do eleitorado. Como a margem de erro é de um ponto percentual para mais ou para menos, os dois estão empatados. Outros 5,8% disseram que pretendem votar em branco, nulo ou estão indecisos.

Comparado com a pesquisa anterior da Atlas/Bloomberg, divulgada em fevereiro, Lula oscilou 0,4 ponto porcentual para cima, enquanto Flávio variou positivamente 1,3 ponto percentual.

Segundo a Kinea, esse movimento aumenta, na margem, a probabilidade de que uma candidatura com agenda mais fiscalista e comprometida com maior disciplina das contas públicas ganhe espaço na eleição – algo que, em condições normais de mercado, tenderia a ser parcialmente incorporado nos preços dos ativos domésticos.

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Além de estar comprada em real, a Kinea mantém posição aplicada em juros, pois entende que, caso o cenário geopolítico estabilize e o preço do petróleo encontre algum equilíbrio, o Banco Central deverá seguir adiante com o plano gradual de redução da taxa de juros.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Beatriz Rocha

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