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Petrobras (PETR4): petróleo acima de US$ 80 deve turbinar caixa, mas dividendos ainda são dúvida

A Petrobras divulga em 11 de maio os resultados monetários do primeiro trimestre de 2026 (1T26). Neste dia, os analistas vão olhar com especial atenção o preço realizado do petróleo. Qualquer valor acima dos US$ 80 tende a sinalizar forte geração de caixa, bom sinal para dividendos, e uma reprecificação da ação. No ano, o papel PETR4 valoriza 44,9%, enquanto a ação ordinária (PETR3), sobe 51,6%.

Por essa cotação, mesmo a atuação do governo para segurar o preço dos combustíveis e a nova taxação das exportações, anunciada na última quinta-feira (12), não serão suficientes para impedir que a companhia reporte um ótimo resultado.

O balanço turbinado, no entanto, não será suficiente para indicar mudança na política de distribuição de dividendos. Essa perspectiva tem relação com os efeitos de mais longo prazo da guerra no Irã sobre o preço do petróleo. Hoje o mercado se pergunta qual será o novo patamar após a nova crise no Oriente Médio.

Petróleo em alta pode impulsionar geração de caixa da Petrobras

O petróleo está em uma faixa de preços acima do que o mercado esperava para o trimestre, de US$ 55 a US$ 65. A guerra no Irã e o fechamento do Estreito de Ormuz, impactaram a commodity com muita volatilidade, em momentos perto de US$ 120 e depois mais próximos de US$ 70.

“Estamos vendo um nível de petróleo mais alto. Então, existe uma revisão de resultados para cima a ser feita que depende da média (de preço) até o fim do trimestre. Ainda faltam 15 dias”, comenta Bruno D’Ávila, analista do Bradesco (BBDC3; BBDC4).

Vitor Souza, analista da Genial recorda que, em 2022, quando a Rússia invadiu a Ucrânia, o preço médio ao longo daquele  ano ficou na casa dos US$ 99. “A firma pagou R$ 215 bilhões de dividendos. Isso deu R$ 15, R$ 16 por ação. O dividend yield (retorno de dividendos) foi de 60%”, relembra.

Ao longo deste período, a companhia alterou a fórmula de remuneração do acionista, reduzindo de 60% para 45% o porcentual destinado aos proventos em relação à geração de caixa. Essa fórmula é calculada, de forma simplificada, a partir do resultado operacional da firma (Ebitda) descontados os investimentos realizados (capex).

Para 2026, a estatal petroleira aprovou R$ 8,1 bilhões em dividendos (R$ 0,62 por ação), referentes ao 4T25. Na apresentação dos resultados monetários, a administração afirmou que continuará dando prioridade ao plano de investimentos e à remuneração ao acionista. Informou também que, caso o cenário de preços altos gere caixa adicional, esse excedente poderia ser distribuído como dividendos extraordinários, embora isso ainda seja considerada uma discussão prematura dentro da companhia.

Nova taxação sobre exportações preocupa mercado

Ministro Fernando Haddad, que anunciou imposto provisório sobre exportação de petróleo para contornar crise internacional sobre a commodity; Petrobras deve turbinar caixa, mas isso não significa que virão maiores dividendos nos próximos meses. (Imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Por outro lado, a interferência do governo também cria ruídos. Para os analistas, a criação da alíquota temporária de 12% sobre exportação tem um feito deletério de longo prazo para as firmas produtoras no Brasil.

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Embora a medida afete mais companhias como a Prio (PRIO3), que exporta a maior parte de sua produção, a nova taxação também impacta a Petrobras. “Não vai perder dinheiro, mas em vez de vender a US$ 100, vai vender a US$ 100 menos 12%”, diz Souza.

A reação do mercado foi imediata. Na quinta (12), quando o ministro Fernando Haddad anunciou nova alíquota temporária de 12% sobre exportação de petróleo para compensar a extinção do Programa de Integração Social e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (PIS/Confins) no caixa do governo, a Petrobras andou de lado e a Prio fechou em queda. O petróleo neste dia subiu 9%.

“Brasil deve ter sido o único país do mundo em que as petroleiras ficaram paradas. Alta do petróleo é motivo de felicidade para as petroleiras e esse movimento é o impacto direto da insegurança jurídica que o anúncio da tributação trouxe”, observa.

Na sexta-feira (13), a Petrobras anunciou reajuste de mais de 10% no valor do diesel vendido às distribuidoras.

Na avaliação do analista, o governo transmite ao investidor a ideia de que, quando o petróleo cai, o prejuízo fica com o acionista, mas quando a commodity sobe o Estado cria novas formas de tributação para ficar com parte do lucro.

Para ele, esse movimento pode ser ainda mais prejudicial do que uma intervenção direta para segurar o preço da gasolina, pois tende a provocar uma desvalorização estrutural da firma no longo prazo. “O acionista vai pensar, em vez de pagar 5 vezes o Ebitda, vou pagar 4 vezes, porque quando o petróleo subir o governo vai quebrar minhas pernas.”

Petrobras a R$ 45 ainda vale a pena?

No início do mês, na apresentação dos resultado do 4T25, a Petrobras reiterou que não reage automaticamente à volatilidade de curto prazo do petróleo. Sua política de preços segue baseada em um conjunto de fatores, como cotação internacional do barril, custos de frete e condições do mercado doméstico, analisados caso a caso.

Em relatório, o BTG Pactual avaliou que se a pressão nos preços internacionais persistir por mais tempo, a firma pode acabar sendo levada a reajustar os combustíveis nas refinarias.

Sendo negociada na casa dos R$ 45, maior valor em quase duas décadas, os analistas são reticentes em dizer que a Petrobras ficou cara. A companhia continua a apresentar crescimento de produção, novos projetos e novas fronteira de exploração como Margem Equatorial. “O estrutural segue saudável”, observa D’Ávila.

Isso, no entanto, não quer dizer que seja, atualmente, uma boa compra. A companhia valorizou 45% no ano e entrar agora pode significar comprar no topo.

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A principal dúvida em relação à Petrobras (PETR3; PETR4) hoje é justamente o nível do petróleo ao longo do ano, por causa da incerteza sobre a duração do conflito e do bloqueio no Estreito de Ormuz. “O mercado entende que esse choque é momentâneo. Resolvida a questão do Estreito de Ormuz, o cenário deve voltar para algo próximo de equilíbrio”, observa D’Ávila. “Talvez haja algum prêmio geopolítico temporário, mas estruturalmente o cenário não mudou.”

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Autor: Leo Guimarães

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