Por que as companhias aéreas estão reduzindo a classe econômica nos EUA
A classe econômica está perdendo espaço dentro dos aviões.
As firmas estão reformando suas aeronaves ou comprando novos modelos com uma maior proporção de assentos premium. O objetivo é extrair mais receita de cada assento, atendendo passageiros dispostos a pagar mais por poltronas que reclinam totalmente ou oferecem mais espaço para as pernas.
Companhias com primeira classe, como Delta Air Lines e United Airlines, aumentaram a oferta de assentos premium ao longo da última década. Agora, a pioneira de voos de baixo custo Southwest Airlines, além de firmas como Spirit Airlines e Frontier Airlines, também estão adicionando assentos com benefícios como alguns centímetros extras de espaço.
Desde janeiro de 2020, o número de assentos de classe executiva e primeira classe em voos domésticos aumentou 27%, segundo a firma de dados do setor aéreo Visual Approach Analytics. Isso é quase três vezes o crescimento dos assentos econômicos, que subiram apenas 10% no mesmo período.
As áreas premium ajudam as companhias de várias formas. Assentos de econômica premium podem custar pelo menos o dobro dos da classe econômica tradicional e ocupam apenas um pouco mais de espaço no avião, segundo relatório do Global Tourism Forum. Para grandes companhias, vender mais assentos premium ajuda a subsidiar preços competitivos na classe econômica frente às firmas de baixo custo.
A Delta obteve mais receita no quarto trimestre com vendas de bilhetes premium, que cresceram 9%, do que com a cabine principal, onde as vendas caíram 7%. Na United, a receita com assentos premium superou a da econômica básica em 2025. Ambas superaram seus pares em rentabilidade no ano passado.
Aviões “financeiramente excelentes”
Atrair clientes dispostos a pagar por mais conforto tornou-se parte central do modelo de negócios da Delta. Executivos afirmam que famílias com renda acima de US$ 100 mil representaram 75% dos gastos com viagens de lazer em 2024.
No início deste ano, a Delta anunciou que vai ampliar a oferta de assentos de primeira classe e da Delta One Suites, sua cabine executiva em voos internacionais com poltronas que reclinam totalmente. Na prática, quase todo o crescimento de assentos da firma neste ano não será na classe econômica, afirmou o CEO Ed Bastian.
A companhia encomendou ao menos 30 aeronaves Boeing 787-10 Dreamliner com cabines premium maiores do que modelos anteriores usados em voos de longa distância. Esses aviões ajudarão a substituir os antigos Boeing 767-400, que já têm mais de um terço da cabine ocupada por assentos premium.
“O 787 é um avião financeiramente excelente”, disse Joe Esposito a analistas em uma teleconferência neste ano. “É uma mudança muito poderosa e um salto relevante na margem de lucro.” Além disso, aeronaves mais novas costumam ser mais eficientes em consumo de combustível, o que melhora a rentabilidade das operações.
A companhia também está recebendo aviões da Airbus, como o Airbus A330-900neo e o Airbus A350-900, que têm em média 40% dos assentos em categorias premium. Eles fazem parte de uma substituição mais ampla dos Boeing 767-300ER da Delta, que têm entre 30% e 32% da cabine ocupada por assentos premium.
A United está prestes a lançar uma versão do Boeing 787-9 Dreamliner com interior aprimorado. Apenas cerca de 40% dos assentos estarão na econômica padrão, ante 58% na versão atual. O avião terá divisões entre classe executiva, econômica premium e econômica com mais espaço.
A American Airlines tem operado com mais assentos premium do que suas concorrentes desde 2020, segundo dados da Cirium. A firma introduziu a econômica premium em voos domésticos em 2016 e vem investindo em aeronaves com maior proporção de assentos premium, além de reformar modelos antigos. O número de assentos premium cresceu mais de 34% na última década.
“Quando comecei no setor, há 28 anos, era só ir do ponto A ao ponto B”, disse Nat Pieper. “Hoje, o jogo ficou muito mais complexo.”
Sistema por níveis
As novas configurações de assentos estão reduzindo o espaço da econômica tradicional e criando um sistema escalonado de preços, permitindo às companhias se adaptarem ao comportamento dos consumidores, segundo analistas. Passageiros da econômica básica podem fazer upgrades em momentos de maior renda, enquanto viajantes da executiva podem optar por categorias mais baratas em tempos de aperto.
“A ideia de que um assento de avião é apenas um assento está ficando para trás”, disse Savanthi Syth. “Não é mais uma commodity.”
Os clientes já perceberam essa mudança. Luke Vanderberg, de Nova Jersey, costuma pagar por mais espaço para as pernas, já que, com 1,90 m de altura, tem dificuldade na econômica padrão. Em voos diurnos para a Europa, ele prefere a econômica premium — que chama de “a antiga classe executiva”.
O engenheiro de vendas geralmente não considera subir ainda mais de categoria, a menos que seja um voo longo em que queira dormir. Nesse caso, avalia se o valor adicional vale a pena.
“Você pensa: ‘Nossa, com a diferença de preço das passagens eu poderia comprar um laptop novo’”, disse. “Será que dá para aguentar 10 horas de desconforto e ficar com o laptop?”
Escreva para Dean Seal em dean.seal@wsj.com
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal