Profarma (PFRM3) vai às compras, volta ao ramo de medicamentos especiais e aposta nas canetas emagrecedoras
A Profarma (PFRM3) encerrou 2025 com melhora consistente de resultados, combinando expansão de receita, avanço de margens e disciplina financeira, mesmo em um ambiente de juros elevados.
No quarto trimestre, a companhia registrou lucro líquido ajustado de R$ 48 milhões, alta de 5,4% sobre o 4T24, enquanto a receita líquida cresceu 5,7%, para R$ 3,2 bilhões. O destaque ficou para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado, que avançou 39,5% na mesma base de comparação.
No consolidado do ano, o lucro líquido ajustado da Profarma somou cerca de R$ 143 milhões, crescimento de 7,7%. Já a receita líquida e o Ebitda ajustado avançaram 12,8% e 17,6%, respectivamente, refletindo ganho de escala e melhora operacional.
Em entrevista exclusiva ao E-Investidor, o CFO Max Fischer disse que o desempenho foi sustentado por crescimento de market share nas duas principais frentes — distribuição e varejo — aliado a ganhos de eficiência. “A gente tem conseguido expandir participação e ainda assim melhorar margens”, afirmou.
“Mais importante do que só a expansão da margem é o retorno: a gente melhora a margem, mas também reduz a necessidade de capital de giro, e isso aumenta o retorno sobre o capital investido”, completou o CFO.
O equilíbrio entre as divisões segue como peça central da estratégia da Profarma. Enquanto a distribuição opera com margens estruturalmente mais baixas, o varejo tem puxado a rentabilidade do grupo. Em 2025, a margem do varejo superou 4%, beneficiada por ganho de escala e diluição de despesas fixas.
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Na distribuição, embora os avanços sejam mais graduais, a companhia tem conseguido expandir margens ao longo dos últimos anos, apoiada em produtividade e gestão de custos. A otimização do capital de giro também contribuiu para o retorno, com redução do ciclo de caixa e menor necessidade de financiamento.
Resultado monetário inspira cautela
O resultado monetário da Profarma foi impactado pela alta do CDI ao longo de 2025, especialmente no quarto trimestre. Ainda assim, a Profarma manteve disciplina na estrutura de capital, encerrando o ano com alavancagem de 1,7 vez a relação dívida líquida sobre Ebitda ajustado, estável em relação a 2024.
A política da companhia segue conservadora, segundo Fischer, com meta de manter o indicador abaixo de duas vezes, sustentada por eficiência operacional e gestão de capital de giro. O principal movimento estratégico recente foi a aquisição da 4Bio, no mercado de Medicamentos de Especialidades, em uma transação de R$ 600 milhões. A operação marca o retorno da Profarma a um segmento de maior crescimento e valor agregado.
A expectativa é de geração de sinergias, principalmente tributárias e comerciais, além de fortalecimento do relacionamento com a indústria. A estrutura do negócio, com pagamento parcelado e geração própria de caixa, reduz o impacto monetário no curto prazo, embora a alavancagem deva subir temporariamente para a faixa de 2,3x a 2,4x, de acordo com o CFO. Ainda assim, a companhia projeta desalavancagem ao longo dos próximos anos, com a própria operação contribuindo para amortizar a aquisição.
“Foi um negócio excepcional para a gente, porque acelera nosso plano em especialidades em uma plataforma já relevante e reconhecida pelo mercado”, disse Fischer.
Canetas emagrecedoras
Outro vetor relevante para o setor é a expansão dos medicamentos da classe GLP-1, das canetas emagrecedoras, como Ozempic. Em 2025, esses produtos já responderam por parcela relevante do crescimento do mercado farmacêutico, ainda concentrados nas grandes redes.
Para 2026 e nos próximos anos, a expectativa é de ampliação desse mercado com a entrada de genéricos, o que deve destravar oferta e beneficiar também a distribuição — segmento em que a Profarma atua com maior escala. Segundo Fischer, apesar da possível pressão de preços, o ganho de volume e margens mais elevadas em genéricos tende a compensar, ampliando o potencial de crescimento do setor.
“O GLP-1 já adicionou crescimento relevante ao mercado e, com a entrada dos genéricos, deve destravar a oferta e ampliar o acesso, beneficiando toda a cadeia”, afirmou o executivo.
O cenário macroeconômico segue como ponto de atenção, uma vez que o ritmo de queda da Selic deve ser mais lento do que o esperado anteriormente, mantendo pressão sobre as despesas financeiras. Ainda assim, a companhia não sinaliza mudança em seus planos. A expansão orgânica do varejo — com abertura de cerca de 40 lojas este ano — e o avanço geográfico continuam no radar.
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Veja a entrevista com Max Fischer, CFO da Profarma, na íntegra através do player acima, ou clique aqui.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Anderson Figo