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Queremos cobrar menos por assinatura e aproximar o investidor, diz CEO da Empiricus

A Empiricus passou por uma mudança de gestão no começo de 2026. No fim de janeiro, Felipe Miranda e Caio Mesquita – integrantes do grupo fundador – anunciaram a saída da firma. Com isso, Rodolfo Amstalden, também fundador, assumiu o comando da casa como CEO.

Em entrevista ao E-Investidor, Amstalden afirma que a mudança no topo não deve provocar uma guinada na estratégia de análise. Segundo ele, a Empiricus construiu, ao longo dos últimos anos, uma equipe estruturada de analistas, com a incorporação de profissionais do BTG Pactual.

Nesse novo momento, a liderança da área de análise ficará a cargo de Bruno Lima, executivo que chefiava o research do BTG e que agora assume a função antes ocupada por Felipe Miranda. “Todo o arcabouço de ideias construído ao longo do tempo, já sedimentado na cultura da firma, será preservado, independentemente das saídas”, afirma Amstalden.

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Para 2026, o plano é estreitar a relação com o investidor pessoa física, com atenção especial ao universo de small caps (firmas com menor capitalização) – segmento que a casa avalia ter menor cobertura no mercado.

Com carteira formada por ações desse segmento, o fundo Empiricus Microcap Alert acumula alta de 59,19% em 12 meses, desempenho superior ao índice Small Caps da B3, que avança 36,66% no mesmo período.

E-Investidor – Como a mudança na gestão impacta o direcionamento estratégico da Empiricus?

Rodolfo Amstalden – Na parte de análise e estratégia, não terá nenhuma mudança significativa. O Caio Mesquita tinha uma função mais administrativa, não estava relacionado à área de análise. O Felipe Miranda, sem dúvida, era a pessoa mais famosa da firma e uma espécie de rosto da Empíricos mundo afora. Conseguimos, no entanto, montar um time de analistas robusto e maduro. No ano passado, integramos uma equipe de análise do BTG. Somando o que seria o time original de analistas da Empiricus com a equipe nova, temos um grupo de aproximadamente 30 profissionais. Vários desses analistas têm de cinco a dez anos de casa.

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Quais são os planos da firma para 2026?

Queremos tornar o acesso ao nosso conteúdo mais fácil e nos aproximar do investidor pessoa física, pegando carona na recuperação da Bolsa e no ciclo de queda da Selic.

Uma das estratégias para conseguir isso é facilitar o acesso às assinaturas: cobrar menos e entregar mais. Vale lembrar que a indústria de análise sofreu em um período de juros altos. Casas diminuíram de tamanho, fecharam ou se transformaram em outros negócios. A crise é ruim para todos, mas ela é pior para alguns e melhor para outros. Em termos relativos, acho que conseguimos sair fortalecidos para o ano de 2026, que pode marcar uma retomada do bull market (período de alta para ações).

O fundo Empiricus Microcap Alert, com ações de small caps, tem se destacado nos últimos 12 meses. Quais as estratégias dessa carteira?

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Tentamos não trabalhar com mais de 10 ativos e não temos nenhum problema em atribuir pesos grandes a esses papéis. Atualmente, colocamos um peso maior em duas ações específicas: Estapar (ALPK3) e Desktop (DESK3). São firmas com uma base acionária estruturada e potencial de valorização. Alteramos a carteira raramente e buscamos nomes que tenham possibilidade de alta significativa, de pelo menos 100%. Não trocamos uma ação apenas porque ela subiu 10% em um mês, por exemplo.

Como vê o ano de 2026 para as small caps?

Existia uma “gordura” alocada no mercado americano que agora segue para emergentes. Entendemos que, num primeiro momento, esse fluxo de dinheiro gringo não beneficia diretamente, do ponto de vista técnico, as small caps. Mas num segundo ou terceiro momento, isso pode acontecer. Nesse sentido, a pessoa física tem uma vantagem em relação ao investidor profissional: ela consegue aproveitar a valorização desses papéis de menor liquidez sem criar grandes distorções de preço.

Como o cenário eleitoral pode mexer com essas firmas?

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Há muita volatilidade no meio do processo, mas a simetria parece positiva. A carteira teve um ano bom em 2025, então, mesmo se o governo Lula continuar, a tendência não deve se inverter. Se vier um governo diferente, bem-visto pelo mercado, o viés passa a ser ainda mais positivo.

Os casos do Will Bank e Banco Master levantaram preocupações sobre firmas médias e pequenas, mesmo esses bancos estando fora da Bolsa. Quais os riscos de investir em small caps?

As firmas pequenas têm um perfil de risco maior. Se analisarmos a última safra de Ofertas Públicas Iniciais (IPOs, na sigla em inglês), a maioria dos IPOs pode ser considerada um relativo fracasso. Mas nem toda firma pequena é arriscada. O investidor precisa estudar o valor de mercado da companhia, o segmento em que ela atua, sua história e o valor da marca.

Essas ações têm liquidez inferior à dos papéis do Ibovespa, o que exige atenção, especialmente do investidor de maior porte, pois ele não vai conseguir comprar e vender lotes muito grandes na hora que quiser.

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Quais os principais cuidados ao selecionar small caps?

Não colocamos firmas em reestruturação ou alavancadas na carteira. Também filtramos a qualidade da base de acionistas e evitamos “firmas de fórum”, isto é, papéis que sofrem com especulações na internet e têm movimentos descasados dos fundamentos da firma. Evitamos essas histórias, mesmo que a ação suba 300% no ano.

A Ambipar (AMBP3) foi uma companhia que retiramos da carteira em 2022, antes das polêmicas. Poderíamos ter ganhado dinheiro com ela se saíssemos na hora certa, mas preferimos evitar.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Beatriz Rocha

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