Últimas Notícias

A ascensão da economia do sofá e o que ela diz sobre como o brasileiro passou a fazer suas compras

Lembra daquele tênis novo que você comprou no mês passado? Você viu o modelo na loja, experimentou, mas levou… pelo celular. E o show da sua banda favorita que rendeu vários reels no Instagram e foi uma das melhores experiências da sua vida? Você também comprou pelo smartphone. Não é coincidência: cada vez mais, os hábitos de consumo passam pelo celular. E isso tem nome: a economia do sofá.

Sim, esse comportamento não é exatamente uma novidade. Mas o seu alcance no mundo, sim. E se disseminou a tal ponto que, em economias desenvolvidas como a dos Estados Unidos e a do Reino Unido, já supera as compras feitas no mundo físico, via maquininhas ou caixas; e, no Brasil, já responde por uma em cada quatro compras realizadas: 26% do total, segundo dados de uma nova pesquisa realizada pela Visa globalmente.

“Os dados mostram que o e-commerce deixou de ser um canal alternativo e, mais importante, que passa a fazer parte da rotina das pessoas com uma frequência de uso que está crescendo mais”, disse Tiago Moherdaui, vice-presidente da Visa Consulting & Analytics, ao InvestNews.

O executivo destacou um dado em particular: os brasileiros que usam o mesmo cartão de crédito dez ou mais vezes por mês para fazer compras online já representam um grupo que chega a 8,1% do total. Nos Estados Unidos e no Reino Unido, essa métrica chega à casa de 25%.

Os dados refletem novos comportamentos, cada vez mais comuns, em que as pessoas decidem não apenas fazer compras como também pedir as refeições, trabalhar de forma remota e se entreter ou se informar em plataformas de streaming e de notícias sem sair de casa.

Compras recorrentes

Uma recente reportagem do InvestNews abordou outra face desse fenômeno dos dias de hoje ao falar da armadilha das assinaturas de serviços que se multiplicam e se acumulam sem que as pessoas se deem conta dos gastos totais e recorrentes, com cobranças mensais: Netflix, Uber, Spotify, iFood, ChatGPT, Google Cloud e por aí vai.

Quando a gente decide consolidar todos esses gastos e compara com outras categorias no orçamento mensal, até leva um pequeno susto.

O estudo da Visa, uma das duas gigantes globais de pagamentos (ao lado da Mastercard), foi realizado em cima de dados agregados de seis mercados com maior penetração digital: Austrália, Brasil, Emirados Árabes Unidos, Estados Unidos, Polônia e Reino Unido. E dimensiona o peso que serviços como streaming e delivery de refeições alcançaram.

Gastos recorrentes com serviços de streaming – Amazon Prime Video, Disney+, Globoplay, YouTube Premium etc. – estão mais presentes nos gastos com cartão do que aqueles com cinemas e shows nos mercados pesquisados (ainda que, em valores, estes últimos quase sempre superam as demais categorias): isso mostra uma tendência que ganhou força com a pandemia e que veio para ficar mesmo com a vida normalizada.

No caso do delivery de comida, o estudo aponta que o serviço deixou de ser um hábito de consumo de ocasião para se tornar um comportamento recorrente, o que inclui um grupo classificado como de “massa”.

O aumento da penetração é explicado pela evolução dessa indústria, o que inclui cada vez mais restaurantes para todos os bolsos – inclusive aqueles que podem pagar mais –, programas de fidelidade e concorrência entre plataformas. É justamente o que acontece em mercados como o brasileiro, em que 99Food e Keeta buscam ampliar o alcance do serviço.

Contamos aqui que o iFood já realiza 50 milhões de entregas por mês, em volume que inclui também pedidos de supermercados, farmácias e até pet shops. E esta última categoria merece uma atenção do estudo.

“Na medida em que mais consumidores passam a ter animais de estimação em seus lares, a casa naturalmente se torna um espaço da sua vida mais importante, e isso inclui os gastos e o lazer”, aponta o estudo.

Nesse quesito, o Brasil está na liderança ao lado dos Estados Unidos como países em que perto de 8% do total do mercado já tem gastos regulares com produtos para pets no mesmo cartão.

Para varejistas e firmas que vendem serviços ou produtos ao consumidor final, o executivo diz que os dados do estudo reforçam a importância de contar não só com canais de venda digitais, ainda que seu grande apelo seja presencial – abrir mão disso é deixar dinheiro na mesa –, como uma experiência que facilite essa “jornada de compra”.

“O consumidor não é mais aquela pessoa que gastou seu tempo para ir até a loja e quer fazer a compra ali de qualquer jeito ou que não tem alternativa se o site ou o app trava na hora de pagar. Se isso acontece, você larga o carrinho e pode não voltar mais”, disse Moherdaui.

“E isso mostra como o UX [a experiência do usuário] se tornou fundamental para vender mais pelo canal digital.”

O uso crescente de ferramentas de inteligência artificial, como os agentes de IA, para fazer compras deve dar um impulso a essa transformação. Para firmas como a Meta, que investe pesado no seu agente Muse, a aposta é que isso vai revolucionar o consumo – pelo celular, claro.

“No fim do dia, não é uma competição entre o físico e o digital mas um complemento. O consumidor pode estar na loja presencialmente e decidir fazer a compra pelo app”, disse o VP da Visa Consulting & Analytics.

Outra recente reportagem do InvestNews ilustrou essa tendência no caso dos shoppings centers no Brasil, que passa por players como Multiplan e Iguatemi até os da Allos e da SYN: oferecer a experiência integrada do mundo físico ao digital, com espaços pensados para lives, por exemplo, tem sido uma arma importante para atrair novas gerações e vender mais.

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: Marcelo Sakate

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo