Apenas um quarto do volume das stablecoins é uso real, mostra estudo
As stablecoins viraram estrelas do mercado de criptomoedas. Afinal, são mais estáveis e vêm sendo cada vez mais integradas a pagamentos – Visa e Mastercard que o digam. No entanto, o uso real desses ativos pode não ser exatamente o que aparece nas plataformas que monitoram movimentações, mostra um estudo da firma Crystal Intelligence.
Segundo o levantamento, que avaliou 27 stablecoins, apenas 26% dos US$ 2,14 trilhões em volume bruto registrados no mercado representam, de fato, transferências reais de dinheiro entre usuários. A maior parte está ligada a operações internas do ecossistema, como protocolos de finanças descentralizadas (DeFi), provisão de liquidez e outras movimentações técnicas.
Para separar o que é uso real do que é atividade técnica, o estudo utiliza o conceito de “participação orgânica”, que mede a parcela do volume correspondente a pagamentos entre usuários, excluindo operações típicas de plataformas cripto e gestão de liquidez.
Os exemplos ajudam a dimensionar esse descompasso. O USDC, segunda maior stablecoin, emitida pela Circle, movimentou US$ 1,79 trilhão, mas apenas cerca de US$ 109,8 bilhões foram considerados uso genuíno. Já o USDT, líder do mercado, movimentou cerca de US$ 285 bilhões, com US$ 156,6 bilhões em transferências autênticas – o maior volume real entre os ativos analisados.
Outro ponto mencionado pelo levantamento é a desconexão entre crescimento de oferta e utilização prática. A stablecoin USDS, por exemplo, expandiu sua oferta em US$ 426,7 milhões, mas registrou apenas 1,3% de participação orgânica, indicando que mais de 98% da sua atividade está relacionada a mecânicas de colateral, e não a pagamentos.
Newsletter: quer saber mais sobre cripto? Assine o Morning Cripto do InvestNews!
Além disso, o relatório aponta que o aumento do volume bruto nem sempre indica maior adoção. Em diversos casos, o crescimento foi acompanhado de queda na participação orgânica, o que sugere que a expansão vem sendo impulsionada por dinâmicas internas do mercado cripto, e não necessariamente por uso no mundo real.
O tema ganha relevância à medida que as stablecoins passam a ser observadas por instituições financeiras e reguladores como infraestrutura potencial para pagamentos. Nos Estados Unidos, senadores discutem o projeto conhecido como Clarity Act, que cria uma regulação específica para esses ativos.
No Brasil, essas criptomoedas foram enquadradas nas regras de câmbio na regulamentação aprovada no ano passado. Por enquanto, seguem isentas de IOF, mas o tema ainda está em discussão no governo.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.
Bitcoin (BTC): -0,46%, US$ 74.027,62
Ethereum (ETH): -1,91%, US$ 2.327,11
BNB (BNB): +0,41%, US$ 618,09
XRP (XRP): -0,67%, US$ 1,36
Solana (SOL): -2,89%, US$ 83,88
Outros destaques do mercado cripto
Visa agora é parte da blockchain. A Visa decidiu dar mais um passo no universo cripto – e agora como peça central da infraestrutura. A gigante de pagamentos passou a atuar como validadora da blockchain Tempo. Na prática, isso significa que a companhia virou parte da engrenagem, em vez de só usá-la. Esse movimento faz parte de uma estratégia mais ampla da firma, que vem testando novos modelos de pagamento, incluindo transações feitas por softwares e agentes de IA.
DeCripto vem aí. A Declaração de Criptoativos – ou DeCripto, para os íntimos – começa a valer em julho, segundo a Receita Federal do Brasil. Na prática, será um documento obrigatório com informações sobre operações envolvendo criptomoedas. A regra é simples: quem usa carteira própria ou exchanges estrangeiras precisa enviar a declaração; já nas corretoras nacionais e nos bancos digitais, o envio fica por conta das próprias instituições
Cartões cripto ganham tração. No fim do ano passado, falamos por aqui sobre o boom dos cartões cripto. Eles começaram a chamar atenção porque não têm o odiado IOF e ainda oferecem spreads mais baixos. Pois esse movimento não só continuou como ganhou força no Brasil. Na avaliação de especialistas, a combinação de avanços regulatórios, evolução tecnológica e aumento da demanda dos usuários deve acelerar ainda mais a oferta deles.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Lucas Gabriel Marins
