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Petróleo cai ao menor nível em três meses após acordo entre Estados Unidos e Irã

As ações e os títulos de renda fixa avançaram, enquanto o petróleo caiu para o menor nível em três meses após os Estados Unidos e o Irã concordarem em encerrar a guerra entre os dois países e reabrir o Estreito de Ormuz.

Os contratos futuros do Nasdaq 100 subiram 1,9%, enquanto os do S&P 500 avançaram 1,2%. As ações europeias ganharam 0,7% e superaram o recorde histórico registrado antes da guerra. O petróleo Brent caiu para cerca de US$ 83 por barril. Ouro e Bitcoin registraram fortes altas, enquanto o dólar perdeu terreno frente a todas as principais moedas. Os títulos europeus tiveram desempenho superior ao de seus pares globais.

O acordo entre Washington e Teerã sinaliza o fim de um conflito de três meses que custou milhares de vidas e abalou os mercados monetários. A retomada dos fluxos de energia também ajudaria a eliminar o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo, trazendo alívio para formuladores de política monetária que lutam contra a inflação.

“A disposição para assumir riscos voltou, mas a questão é saber se o estreito será totalmente reaberto”, disse Christopher Dembik, gestor sênior de investimentos da Pictet Asset Management. “Trump não tem um histórico muito sólido de acordos duradouros no Oriente Médio, então existe o risco de as tensões voltarem a aumentar durante o verão.”

Entre as ações individuais, a SpaceX parecia pronta para ampliar os ganhos após sua estreia explosiva no mercado. Fabricantes de chips avançaram nas negociações pré-abertura, com a Nvidia subindo 2%. Mineradoras de ouro tiveram desempenho superior, enquanto as grandes petroleiras continuaram em queda.

A queda do petróleo também pressionou as ações de firmas do setor. No pré-mercado de Nova York, os ADRs (American Depositary Receipts) da Petrobras acompanhavam o movimento negativo das petroleiras globais. Às 7h55 (horário de Brasília), os papéis PBR, equivalentes aos PETR3, recuavam 4,16%, para US$ 17,61, enquanto os PBR-A, equivalentes aos PETR4, caíam 3,01%, para US$ 15,81, refletindo a forte baixa dos preços do petróleo após o anúncio do acordo entre Estados Unidos e Irã.

O Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do acordo na sexta-feira, afirmou o presidente Donald Trump em uma rede social. O evento dará início a 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Trump disse ao The New York Times que, caso não haja um acordo nuclear, poderá retomar os ataques militares.

Por sua vez, o Irã permitirá a livre navegação pela via marítima por apenas 60 dias, informou a agência de notícias Fars, citando uma fonte familiarizada com o assunto.

“Não se trata de uma solução permanente, portanto um prêmio de risco relevante provavelmente continuará embutido nos mercados”, disse George Moran, estrategista macroeconômico para a Europa do RBC. “Mas, se o petróleo permanecer na faixa de US$ 80 a US$ 85, isso certamente reduz bastante a pressão sobre os bancos centrais.”

Os investidores apostam que a reabertura do Estreito de Ormuz ajudaria a aliviar as pressões inflacionárias e reforçaria as expectativas de juros mais baixos. Operadores do mercado de swaps precificam cerca de 70% de chance de um aumento de 0,25 ponto percentual nos juros pelo Federal Reserve até dezembro, abaixo dos aproximadamente 80% registrados na sexta-feira.

O rendimento dos Treasuries de 10 anos caiu quatro pontos-base, para 4,44%. Segundo a corretora ACCM, ele pode recuar para a faixa de 4,20% à medida que as preocupações com a inflação diminuírem.

Além da geopolítica, o próximo grande evento para os mercados ocorrerá na quarta-feira, quando o Federal Reserve votará sobre os juros pela primeira vez sob a presidência de Kevin Warsh. Os investidores também aguardam uma série de decisões de outros bancos centrais ao longo da semana.

“A principal questão é saber se as recentes pressões sobre os preços serão temporárias ou se ficarão incorporadas à dinâmica mais ampla da inflação”, afirmou Laura Cooper, estrategista global de investimentos e chefe de crédito macro da Nuveen. “Uma redução das tensões pode diminuir as preocupações com um choque persistente nos preços da energia, mas dificilmente será suficiente, por si só, para alterar as orientações de política monetária.”

O que dizem os estrategistas da Bloomberg:

“Quando o entusiasmo inicial em torno do acordo diminuir, as ações podem continuar subindo graças ao crescimento resiliente dos lucros, ao otimismo com inteligência artificial e à tendência dos mercados de ignorar choques geopolíticos. Já para renda fixa e câmbio, a mudança no cenário macroeconômico tende a representar um obstáculo mais duradouro.”

— Skylar Montgomery Koning, estrategista macroeconômico.

Destaques corporativos

  • A decisão extraordinária dos Estados Unidos de restringir o acesso estrangeiro aos modelos de IA mais avançados da Anthropic destaca a crescente disposição do governo Trump de exercer controle sobre um setor considerado estratégico.
  • UniCredit e Commerzbank intensificaram o conflito corporativo, à medida que o banco italiano segue tentando adquirir a rival alemã.
  • O investidor ativista Elliott Investment Management adquiriu uma participação próxima de 5% na Bunzl, segundo pessoas familiarizadas com o assunto, após um alerta de lucro emitido no ano passado provocar forte queda das ações da firma.

Mercados

Ações

  • Índice Stoxx Europe 600: +0,7%
  • Futuros do S&P 500: +1,2%
  • Futuros do Nasdaq 100: +1,9%
  • Futuros do Dow Jones: +0,9%
  • MSCI Ásia-Pacífico: +3,0%
  • MSCI Mercados Emergentes: +2,8%

Moedas

  • Índice Bloomberg Dollar Spot: -0,3%
  • Euro: +0,4%, para US$ 1,1614
  • Iene japonês: estável em 160,09 por dólar
  • Yuan offshore: estável em 6,7579 por dólar
  • Libra esterlina: +0,2%, para US$ 1,3432

Criptomoedas

  • Bitcoin: +2,7%, para US$ 65.674,98
  • Ether: +3,3%, para US$ 1.725,18

Renda fixa

  • Treasury de 10 anos dos EUA: 4,44% (-4 pontos-base)
  • Título de 10 anos da Alemanha: 2,95% (-5 pontos-base)
  • Título de 10 anos do Reino Unido: 4,79% (-4 pontos-base)

Commodities

  • Petróleo Brent: -4,9%, para US$ 83,02 por barril
  • Ouro à vista: +2,8%, para US$ 4.337,48 por onça-troy.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Karla Mamona

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