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Ferrari supera críticas e atinge meta de vendas de seu primeiro elétrico

A Ferrari já vendeu todas as unidades planejadas do Luce, seu primeiro carro 100% elétrico, para 2026 — e fez isso em menos de dois meses após o lançamento. A informação é do Financial Times, que ouviu fontes a par do assunto e apurou que a meta era colocar no mercado pouco menos de 500 unidades neste ano, número atingido já no início de julho.

O Luce chegou às ruas em 25 de maio, em Roma, com preço inicial de € 550 mil (cerca de R$ 3,3 milhões). O modelo foi desenhado pelo estúdio LoveFrom, do ex-designer da Apple Jony Ive em parceria com Marc Newson, e representa uma virada de chave para uma marca historicamente ligada a motores a combustão e a séries limitadas de altíssima performance.

A Ferrari não confirma oficialmente números de vendas nem a meta estipulada para o carro. A companhia deve dar mais detalhes sobre a recepção do Luce nesta quinta-feira (30), quando divulga o balanço do primeiro semestre.

Estreia turbulenta, mas mercado respondeu

O lançamento não foi tranquilo. O design mais arredondado e “suave” do Luce, distante da linguagem tradicional da marca, irritou parte dos entusiastas e investidores.

Nas redes sociais, choveram comparações do elétrico com modelos de fabricantes de massa, e as ações da Ferrari chegaram a cair mais de 8% nos pregões seguintes à revelação. O ex-presidente da montadora, Luca Cordero di Montezemolo, sugeriu publicamente que o carro deveria abrir mão do símbolo do cavalo empinado.

Apesar da polêmica, a demanda avançou rápido — puxada, principalmente, pela China, mercado estratégico para a Ferrari conquistar uma nova geração de clientes de alta renda. Segundo apurações anteriores, ao menos 20% das unidades do Luce devem seguir para o país asiático.

O Luce não serve apenas para expandir a presença da Ferrari no segmento elétrico. Segundo a Bloomberg, a marca tem usado pedidos do modelo como forma de manter clientes engajados e assegurar acesso futuro a séries limitadas — prática já comum na casa, que prioriza compradores com histórico de relacionamento em lançamentos exclusivos, como o LaFerrari Aperta, avaliado em cerca de US$ 2,1 milhões.

A Ferrari nega, porém, que estimule a compra do elétrico apenas como “moeda de troca” dentro da rede. Segundo a companhia, a seleção de clientes para os modelos mais disputados leva em conta, sobretudo, “relacionamentos fortes e de longo prazo”.

A meta da Ferrari é vender cerca de 2.500 unidades do Luce até 2030 — o equivalente a 600 carros por ano, ou perto de 5% do volume anual de vendas da firma. O CEO Benedetto Vigna reforça que a entrada no elétrico não deve pressionar a rentabilidade da montadora, que opera com margens próximas de 30%, uma das maiores do setor automotivo, sustentadas justamente pela produção limitada.

A lógica de escassez segue intocada: a Ferrari fabrica menos de 14 mil carros por ano, e a exclusividade continua sendo o principal motor de valorização da marca — mesmo agora, no capítulo elétrico de sua história.

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Autor: Redação InvestNews

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