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G7 vai liberar até 100 milhões de barris de diesel e petróleo para conter preços

Os países do G7 e seus parceiros planejam liberar até 100 milhões de barris de petróleo e diesel de seus estoques de emergência, encerrando uma semana de pressão crescente do governo Trump para reduzir os preços dos combustíveis, que dispararam.

A liberação, coordenada pela Agência Internacional de Energia (AIE), ocorrerá ao longo dos próximos quatro meses, com foco inicial no diesel, disse o presidente francês Emmanuel Macron na sexta-feira. A medida pretende “enviar um sinal claro aos mercados”, afirmou.

Os contratos futuros de diesel na Europa chegaram a cair mais de 8% antes de recuperar parte das perdas, enquanto os futuros de diesel nos EUA recuaram até 5,6%. Os contratos futuros do petróleo Brent encerraram o dia praticamente estáveis.

O acordo ajudará a aliviar as preocupações com as ameaças feitas anteriormente pelo presidente Donald Trump de impor uma proibição às exportações de diesel dos EUA.

Os países do G7 reafirmaram seu compromisso de “evitar restrições às exportações de energia e produtos energéticos” entre os países-membros. Uma proibição americana poderia provocar uma escassez global de oferta, com possíveis consequências econômicas graves para a Europa e a América Latina.

O diesel é essencial para o transporte, a agricultura e a indústria, e os preços dispararam à medida que as guerras no Irã e na Ucrânia interrompem o fornecimento. O aumento dos preços se tornou uma preocupação política para Trump antes das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, em novembro.

Embora uma maior oferta de combustível seja uma notícia positiva para os consumidores, a nova liberação oferece apenas algum alívio no curto prazo e não representa uma solução de longo prazo para a pressão sobre a disponibilidade global de combustíveis.

Embora as exportações de petróleo pelo Estreito de Ormuz tenham se recuperado nas últimas semanas para níveis próximos aos registrados antes da guerra, o volume de derivados de petróleo, como gasolina e diesel, que sai do Golfo Pérsico continua fortemente restrito. Além disso, os ataques contínuos da Ucrânia contra refinarias russas levaram o Kremlin a proibir as exportações de diesel durante o mês de outubro.

Na prática, a quantidade de nova oferta anunciada na sexta-feira pode representar apenas uma fração do número divulgado, porque volumes significativos ainda estão disponíveis dentro de um plano de liberação anterior, segundo dois diplomatas europeus que pediram anonimato por discutirem questões sensíveis.

Um comunicado do G7 não especificou quanto petróleo e diesel serão liberados nem detalhou o que corresponde a novos compromissos e ao volume já prometido anteriormente.

A AIE já coordenou a liberação de 400 milhões de barris de reservas em março, pouco depois do início da guerra no Irã, mas Trump criticou a Europa por não disponibilizar esses barris com rapidez suficiente. A pressão aumentou nesta semana e levou autoridades europeias a realizar conversas de emergência na quinta-feira, enquanto a União Europeia buscava uma resposta coordenada às exigências de Washington.

Cerca de um terço da liberação original ainda não havia chegado ao mercado, disse o diretor-executivo da AIE, Fatih Birol, na terça-feira. Naquele dia, a Alemanha ainda não havia liberado cerca de 77% de seus estoques prometidos, enquanto a Espanha havia disponibilizado apenas cerca de um terço de sua contribuição.

Os EUA, por outro lado, aprovaram nesta semana a liberação de mais 40 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo, concluindo sua participação no acordo de março.

O plano prevê uma liberação “substancial” dos estoques de diesel em até 20 dias, enquanto a AIE discutirá novas liberações de diesel caso sejam necessárias, segundo o comunicado do G7. A nova liberação incluirá barris prometidos, mas ainda não disponibilizados, no âmbito do acordo de março, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

“Nós todos nos comprometemos juntos a liberar essas reservas estratégicas nas proporções que mencionei, com foco no diesel”, disse Macron, atual presidente do G7. “Todos estamos comprometidos em garantir que não haja proibições às exportações, e o presidente Trump, em particular, foi muito claro sobre esse ponto.”

Trump disse em uma publicação nas redes sociais na sexta-feira que recebeu bem a medida.

“A Europa acaba de concordar em liberar uma quantidade enorme de seu Diesel Oil, que estava amplamente estocado”, escreveu Trump. “O processo começará imediatamente.”

Em uma reunião na sexta-feira, os embaixadores da União Europeia discutiram o apoio à liberação sob duas condições: que a medida não colocasse em risco as reservas estratégicas e que os EUA se comprometessem a evitar proibições às exportações de energia, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, que pediu anonimato porque as conversas são privadas.

O prêmio do diesel europeu em relação ao petróleo bruto, uma medida acompanhada de perto para avaliar a força do mercado, caiu para US$ 69 por barril, ante US$ 76,77 na quinta-feira, segundo dados de valor justo compilados pela Bloomberg.

A perspectiva de uma oferta adicional de diesel atingiu especialmente as margens das refinarias europeias, que caíram cerca de 10%, ante uma queda de aproximadamente 5% nos EUA, segundo Rebecca Babin, operadora sênior de energia do CIBC Private Wealth Group.

Uma menor demanda europeia por diesel importado também pode pressionar as exportações e as margens dos EUA, enquanto uma oferta adicional pode reduzir a demanda das refinarias por petróleo bruto, afirmou.

“Isso pode redirecionar parte das exportações americanas para outros mercados ou de volta para o mercado doméstico”, disse Joe DeLaura, estrategista global de energia do Rabobank. “É uma solução de curto prazo para empurrar o problema mais um ou dois meses para frente.”

O diesel chegou a US$ 6,53 por galão nos postos dos EUA, pressionando os agricultores. Na Europa, os preços futuros chegaram a superar US$ 200 por barril em alguns momentos, nível que, segundo operadores, é alto o suficiente para pressionar a demanda.

A Europa tem poucas alternativas à liberação de reservas de emergência para reforçar a oferta, com a China cancelando alguns carregamentos de combustíveis previstos para outubro e as guerras no Irã e na Ucrânia continuando a afetar os mercados.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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