Últimas Notícias

Seca, tráfego restrito e disputa por vagas: os desafios da nova chefe do Canal do Panamá

Ilya Espino de Marotta assumiu na última segunda-feira (7) o comando da Autoridade do Canal do Panamá em um momento decisivo para a principal rota marítima do país.

O canal, que conecta os oceanos Pacífico e Atlântico em cerca de 80 quilômetros e é responsável por movimentar 40% do comércio americano de contêineres, enfrenta dificuldades para atender à demanda do transporte marítimo devido aos níveis persistentemente baixos dos reservatórios, provocados pela escassez de chuvas.

Além do problema climático, o canal está no centro de uma disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo controle de rotas comerciais estratégicas.

Engenheira naval de formação, Espino de Marotta conhece os desafios da hidrovia. Ela começou a trabalhar no canal em 1985, quando ele ainda era administrado pelos Estados Unidos. Em 1999, acompanhou a transferência do controle para o Panamá e, ao longo das décadas seguintes, ocupou diferentes posições na autoridade até chegar à liderança de um dos maiores projetos de expansão da via, concluído em 2016 para permitir a passagem de navios maiores.

Em entrevista ao WSJ Logistics Report, Espino de Marotta falou sobre os planos para enfrentar os efeitos do fenômeno climático El Niño, que deve ser um dos mais intensos das últimas décadas, e sobre o recorde de US$ 5,3 milhões pago recentemente por um navio-tanque para garantir prioridade na passagem pelo canal.

Canal do Panamá mudou de função

WSJ: Como o canal mudou ao longo das quatro décadas em que você trabalhou lá?

Espino de Marotta: Sob o governo dos Estados Unidos, o canal operava basicamente para equilibrar receitas e despesas. Quando o controle passou para o Panamá, a principal mudança foi transformá-lo em uma fonte de receitas para o país.

Também percebemos que, à medida que os navios ficavam maiores, perderíamos relevância no comércio mundial se não fizéssemos alguma coisa. Por isso, começamos em 2002 a analisar o programa de expansão do Canal do Panamá, concluído em 2016.

Hoje, a receita gerada pelas novas eclusas representa mais de 50% da receita do Canal do Panamá. Embora não tenhamos aumentado o número de passagens, elevamos a capacidade de carga dos navios, e é isso que gera receita. Neste ano, esperamos transferir um recorde de US$ 3,6 bilhões ao Estado.

WSJ: Você observou alguma mudança na demanda por transporte marítimo por causa da guerra no Irã?

Espino de Marotta: Vimos um aumento no tráfego. Normalmente, atendemos de 35 a 36 navios por dia. Durante alguns meses da crise no Estreito de Ormuz, registramos de 39 a 41 navios por dia.

Esse número caiu um pouco porque estamos começando a impor restrições de calado, que reduzem a quantidade de carga que os navios podem transportar.

Estamos economizando água para garantir que, durante a estação seca, que começa daqui a alguns meses, tenhamos água suficiente.

Também informamos à indústria naval que reduziríamos o número de passagens de 36 para 34 por dia em 4 de setembro e, depois, para 32 a partir de 15 de setembro.

Menos navios para preservar água

WSJ: Quem decide como a água deve ser administrada?

Espino de Marotta: Somos responsáveis pelos lagos do Canal do Panamá e fazemos sua gestão. Eles fornecem água para a navegação e também água potável para 50% da população do país.

Reduzimos o número diário de passagens para não precisarmos dizer à população: “Não há água suficiente para vocês”.

Tentamos encontrar maneiras de economizar água nas operações para reduzir o impacto sobre a indústria naval e, ao mesmo tempo, garantir o abastecimento da população.

Novo lago deve ampliar capacidade do canal

WSJ: Que outras medidas vocês estão tomando para reduzir os efeitos da falta de água?

Espino de Marotta: Estamos desenvolvendo um novo lago, o projeto Río Indio. Ele terá capacidade para armazenar água suficiente para permitir de 10 a 15 passagens adicionais por dia, ou aproximadamente o mesmo volume utilizado para o abastecimento de água potável.

O projeto deve estar pronto em 2031 ou 2032.

WSJ: Um navio pagou recentemente um recorde de US$ 5,3 milhões para atravessar o canal. Você acha que os preços dos leilões podem subir ainda mais?

Espino de Marotta: Temos 10 passagens diárias pelas maiores eclusas do canal. Nove são realizadas por meio de um sistema de reservas e a décima vaga é oferecida em leilão.

O leilão começa em US$ 100 mil. Portanto, é realmente o mercado que determina quanto será pago.

Agora que estamos começando a reduzir o número de passagens para nove por dia, essa vaga de leilão se torna mais disputada. Não quero especular sobre os preços futuros dos leilões, mas não espero que sejam muito mais altos.

WSJ: Estados Unidos e China vêm discutindo sobre o controle dos portos de cada lado do canal.

Espino de Marotta: Esses portos são administrados pela Autoridade Marítima do Panamá, não por nós.

WSJ: Mas a Autoridade do Canal do Panamá abriu um processo de licitação para dois novos portos que vocês querem desenvolver. Por quê?

Espino de Marotta: É um bom negócio e ajudará a diversificar as receitas do canal.

Estamos quase atingindo nossa capacidade máxima e queremos garantir que continuemos sendo um importante centro de transbordo de cargas na região.

Esses novos portos devem entrar em operação em 2030 ou 2031.

Também estamos estudando um gasoduto de energia para que possamos transportar mais cargas pelo Panamá sem utilizar as eclusas.

Para entrar em contato com Paul Berger: paul.berger@wsj.com

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo