USDT e USDC: qual stablecoin escolher para ter dólar em cripto?
Quando o assunto é stablecoin, duas criptomoedas dominam o mercado: a USDT, emitida pela Tether, e a USDC, da Circle. Ambas são pareadas ao dólar americano – daí o apelido carinhoso de “cripto dólar” ou “dólar digital”. Juntas, têm valor de mercado de US$ 247,7 bilhões, o equivalente a 87% de todo o mercado de stablecoins.
Para quem está começando a investir em criptos, sempre surge a dúvida: qual das duas escolher? À primeira vista, parece que dá na mesma. Afinal, elas foram criadas para manter o valor próximo de US$ 1 – e conseguiram fazer isso na maior parte do tempo, apesar de alguns deslizes no passado.
Mas, apesar das semelhanças, há diferenças entre elas – da firma que emite cada uma aos questionamentos sobre as reservas e à liquidez. Veja abaixo o que muda entre as duas maiores stablecoins do mercado e o que levar em conta antes de escolher.
O caso da USDT
A USDT foi lançada em 2014, seis anos apenas após a criação do bitcoin (BTC). A ideia da Tether era colocar no mercado uma criptomoeda que representasse o dólar e pudesse circular em blockchain, facilitando as negociações sem que o usuário precisasse voltar ao sistema bancário tradicional. E deu certo.
A USDT é cerca de duas vezes maior do que a USDC e sai na frente em liquidez.
“A USDT é a mais líquida e a que tem o maior efeito de rede. Foi a primeira e é dominante nas exchanges e nos mercados emergentes, então você consegue convertê-la na hora para praticamente qualquer moeda ou par de negociação no mundo”, diz Gustavo Gorenstein, CEO da Jeeves no Brasil.
Ponto para a USDT.
Mas “nem tudo são flores”, como diz o ditado brasileiro.
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O calcanhar de Aquiles da USDT
A Tether sempre sofreu com questionamentos sobre suas reservas. Tanto que, no ano passado, a S&P Global Ratings, uma das principais agências de classificação de risco do mundo, avaliou como baixa a capacidade da USDT de manter sua ligação com o dólar. Entre os motivos apontados estavam a falta de transparência e a maior exposição a ativos considerados de risco.
E a firma já teve outros problemas no passado, viu? Em 2021, a Tether e a Bitfinex, sua firma-irmã, fizeram um acordo com a Procuradoria-Geral de Nova York que envolveu alegações de que as firmas haviam feito declarações enganosas sobre as reservas que sustentavam a USDT. Rolou um pagamento de US$ 18,5 milhões.
Apesar dos problemas, a Tether sempre se manteve na liderança do mercado. Seus executivos também vêm tentando aproximar a firma dos padrões do mercado monetário tradicional. Um dos sinais mais recentes foi a primeira auditoria financeira independente completa da Tether, concluída neste ano pela KPMG, uma das gigantes da auditoria do mundo. A companhia emitiu uma opinião sem ressalvas sobre as demonstrações financeiras de 2025. O movimento foi visto como um passo para aumentar a transparência e a confiança na firma cripto.
A USDC
A USDC foi lançada em setembro de 2018 pela Circle, em parceria com a Coinbase, por meio do Centre Consortium, criado pelas duas firmas para estabelecer padrões e uma estrutura de governança para stablecoins. A proposta era parecida com a da USDT: criar uma criptomoeda pareada ao dólar para facilitar a movimentação de dinheiro e as transações no universo blockchain.
Mas ela percorreu um caminho diferente. Enquanto a USDT nasceu no mercado cripto e, ao longo do tempo, buscou maior integração com o sistema monetário tradicional, a USDC já surgiu com uma proposta mais voltada à transparência, à conformidade regulatória e à integração com firmas e instituições financeiras.
“O argumento do USDC é o enquadramento institucional: emissor listado nos EUA (Coinbase e Circle abriram capital nos anos seguintes), lastro em caixa e títulos curtos do Tesouro, atestações mensais e conformidade com muitos marcos regulatórios, como o MiCA europeu (regulação cripto do Velho Continente)”, diz João Borges, cofundador da BlindPay.
Por essa clareza, a USDC ganhou a preferência de bancos, gestoras e firmas reguladas. E hoje, segundo o Painel On-chain da Visa – plataforma interativa da gigante dos pagamentos para rastrear e analisar transações com esse tipo de cripto em diferentes blockchains – é a que tem maior uso real.
O que é uso real? É a utilização de stablecoins por pessoas, firmas e aplicações para atividades econômicas genuínas, sem contar as movimentações automáticas ou artificiais dentro da blockchain.
USDC também já deu um susto
Mas não é porque a USDC já nasceu pensando em regulação que ela não teve seus percalços no caminho.
Lembra do início de 2023, quando rolou a quebra do Silicon Valley Bank (SVB)? Pois então. A Circle, firma por trás da USDC, tinha parte das reservas da stablecoin depositada no banco.
Em meio à crise, a USDC perdeu a paridade naquele momento e chegou a cair para cerca de US$ 0,88. Ou seja, a proximidade com o sistema monetário tradicional também pode trazer riscos em situações de crise bancária. A situação, porém, foi corrigida rapidamente.
“A Circle equacionou a situação rapidamente e cobriu a liquidez, o que demonstrou resiliência e compromisso com o lastro 1:1”, lembra Gorenstein.
E só para equalizar esse ponto da paridade: a USDT também já passou por episódios de descolamento do dólar. A stablecoin chegou a ser negociada bem abaixo de US$ 1 em momentos de estresse do mercado, como em 2018 e durante a crise de 2022 do mercado cripto. Em outras ocasiões, o descolamento foi bem menor e ficou restrito a determinados mercados ou plataformas.
E para o investidor, o que tudo isso significa?
Não existe uma stablecoin vencedora absoluta, segundo os especialistas, e as duas servem para dolarizar o patrimônio via cripto.
Para Gorenstein, estar em conformidade com a regulação deixou de ser um diferencial e passou a ser uma obrigação, o que tende a favorecer os ativos mais auditados nesse nicho – caso da USDC.
Ao mesmo tempo, diz ele, no trading e nos mercados emergentes, o efeito de rede e a liquidez da USDT continuam muito fortes e não devem desaparecer tão cedo.
Borges, da BlindPay, vai na mesma linha: para ele, a USDT assumiu um papel maior no varejo global e nos mercados emergentes, enquanto a USDC se destaca nos ambientes regulados. “O mercado tende a acomodar os dois perfis”, diz.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h.
Bitcoin (BTC): -1,00%, US$ 78.644,24
Ethereum (ETH): -0,34%, US$ 2.483,11
BNB (BNB): +1,79%, US$ 757,60
XRP (XRP): -0,19%, US$ 1,44
Solana (SOL): -1,55%, US$ 103,43
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A memecoin de Hunter Biden. Mais uma memecoin de político está chegando no pedaço. Hunter Biden, filho do ex-presidente americano Joe Biden, vai lançar na quarta-feira (9) a LAPTOP, uma cripto inspirada no famoso computador que ele deixou em uma assistência técnica em 2019. O conteúdo do aparelho, que incluía mensagens e documentos sobre os negócios de Hunter, acabou vazando para a imprensa e virou uma das principais polêmicas da eleição americana de 2020.
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Autor: Lucas Gabriel Marins
