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A próxima fronteira dos medicamentos para obesidade não é sobre quanto você perde, mas o que você perde

Desde que as farmacêuticas começaram a testar medicamentos para perda de peso, a pergunta tem sido: quanto peso as pessoas perdem? Agora, ela está mudando para: que tipo de peso elas estão perdendo?

A perda rápida de peso pode ter um lado negativo — as pessoas podem acabar se machucando ou ficar mais propensas a quedas se perderem uma quantidade significativa de músculo junto com a gordura.

As farmacêuticas estão testando uma nova geração de medicamentos voltados à preservação muscular e à redução da gordura corporal para tentar solucionar esse problema.

Em uma conferência médica realizada em Milão nesta semana, estudos de fase intermediária e avançada de firmas como Novo, Eli Lilly e Regeneron indicaram que vários medicamentos experimentais podem ser capazes de preservar melhor os músculos e ajudar a eliminar a gordura abdominal considerada prejudicial.

Se esses resultados forem confirmados, esses medicamentos experimentais poderão, em última instância, melhorar a saúde das pessoas enquanto elas perdem peso rapidamente com essas terapias.

Isso também daria às farmacêuticas um argumento importante para convencer médicos a prescrever — e planos de saúde a pagar por — uma nova geração de medicamentos.

“Eu preferiria ter uma maior perda de gordura e uma perda de peso um pouco menor, mas preservar mais músculos”, disse o endocrinologista Juan Pablo Frías, que participou de uma nova pesquisa apresentada pela Eli Lilly e já trabalhou com outras firmas. “Quero que você consiga se abaixar e amarrar o sapato sem dificuldade.”

A Regeneron apresentou dados de fase intermediária de um medicamento que está desenvolvendo para preservar os músculos quando administrado junto com um GLP-1.

O estudo mostrou que as pessoas que tomaram o medicamento perderam cerca de dois terços a três quartos menos massa muscular nas coxas do que aquelas que tomaram apenas semaglutida.

Ao longo de 26 semanas, as doses mais altas do medicamento reduziram aproximadamente pela metade a perda de massa magra, que inclui músculos, em comparação com aqueles que receberam apenas semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy.

Isso é especialmente importante para adultos mais velhos, principalmente à medida que um número cada vez maior de pessoas passa a ter acesso a medicamentos para perda de peso pelo Medicare.

Mas médicos ressaltam que a composição corporal também importa para adultos mais jovens, que correm o risco de perder massa muscular ao emagrecer rapidamente, aumentando a possibilidade de lesões ou de problemas como osteoporose mais tarde na vida.

À medida que o mercado de medicamentos para perda de peso tomou forma nos últimos anos, os principais concorrentes, Eli Lilly e Novo Nordisk, passaram a comercializar medicamentos que levam os pacientes a perder, em média, 20% ou mais do peso corporal ao longo de cerca de um ano e meio, nas doses mais altas.

Agora, segundo médicos, pesquisadores e analistas, as firmas precisam diferenciar seus medicamentos de outras formas.

A Novo está estudando se um de seus medicamentos experimentais, o CagriSema, pode reduzir a gordura abdominal enquanto ajuda as pessoas a perder peso. O tratamento é uma injeção contra a obesidade que combina o principal ingrediente do Ozempic e do Wegovy com a cagrilintida, um composto que imita o hormônio amilina, responsável por regular o apetite.

Em uma pesquisa apresentada nesta semana no congresso anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes, pacientes com diabetes tipo 2 que tomaram CagriSema perderam, em média, 14,3% do peso corporal ao longo de aproximadamente nove meses e apresentaram menos gordura no fígado e no pâncreas e ao redor desses órgãos, em comparação com pacientes que receberam placebo.

A gordura dentro e ao redor desses órgãos aumenta o risco de doenças cardíacas e outros problemas de saúde. A firma também estudou, por meio de exames cerebrais, os efeitos do medicamento sobre os pensamentos dos pacientes e a vontade de comer.

“Entender a dor, entender o ‘barulho da comida’, entender algo que realmente afeta você todos os dias pode se tornar um diferencial”, disse Martin Holst Lange, diretor científico da Novo. “Como essa perda de peso faz você se sentir?”

A diferenciação está se tornando cada vez mais importante à medida que o setor fica mais competitivo. Os pedidos internacionais de patentes para GLP-1 cresceram 28% nos 12 meses até março de 2026, segundo uma análise do escritório de advocacia Pinsent Masons.

A Lilly também apresentou novos dados sobre seu medicamento experimental de próxima geração para perda de peso, o retatrutide, que ajudou pacientes a perder até 28,3% do peso corporal, em média, em um estudo anterior.

No novo estudo, os pacientes relataram uma melhora na capacidade de realizar movimentos e atividades do dia a dia enquanto tomavam o medicamento, em comparação com aqueles que receberam placebo.

“Agora medimos rotineiramente resultados funcionais relacionados à força muscular ou à atividade nesses estudos clínicos, e normalmente vemos um benefício muito significativo”, disse Dan Skovronsky, diretor científico da Lilly.

Outros especialistas alertam que as métricas utilizadas nesses estudos nem sempre contam toda a história sobre a saúde dos pacientes.

Wei Shen, professor-assistente da Universidade Columbia e pesquisador de composição corporal, afirmou que massa magra não deve ser considerada sinônimo de músculo, porque inclui outros tecidos não gordurosos, além dos músculos. Outros especialistas disseram que melhorias relatadas pelos próprios pacientes em questionários não comprovam que eles estejam preservando a massa muscular.

“Vai levar tempo para aprendermos quais dados devemos acompanhar e quais são os resultados certos nos quais devemos nos concentrar”, disse a médica Nidhi Kansal, especialista em medicina da obesidade da Northwestern Medicine. “Nós os chamamos de medicamentos para perda de peso, mas o objetivo médico é a perda de gordura.”

Escreva para Alex Janin pelo e-mail alex.janin@wsj.com

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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