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Por que pais superprotetores na China compram relógios, e não celulares, para os filhos

Quando o filho de Jane Ding fez sua primeira excursão na educação infantil, ela ficou preocupada que ele pudesse se perder. Por isso, ela e o marido compraram um dispositivo que se tornou onipresente entre pais nas cidades chinesas: um relógio inteligente para crianças.

Com o relógio da marca chinesa Xiaotiancai, que significa “Pequeno Gênio”, eles podiam acompanhar a localização do filho e fazer videochamadas com ele, entre outros recursos.

Eles esconderam o relógio na mochila do filho porque dispositivos eletrônicos não eram permitidos na excursão. Depois do passeio, apresentaram o relógio ao menino, Larix, e ensinaram como usá-lo. Hoje, aos 8 anos, ele usa o aparelho sempre que sai para brincar.

“Ele tem muitas funções que são realmente úteis para os pais”, disse Ding, de 39 anos.

Cerca de uma em cada três crianças de 5 a 12 anos possui um smartwatch infantil na China, e o percentual supera a metade nas áreas urbanas, segundo a imprensa estatal.

A Little Genius — comercializada como Imoo fora da China — lançou seu primeiro relógio inteligente em 2015. A marca responde por quase metade das vendas globais de smartwatches para jovens, que ultrapassaram US$ 1 bilhão no primeiro semestre de 2026, segundo a firma de pesquisa de mercado de tecnologia Counterpoint Research. A China é o maior mercado para relógios inteligentes infantis, com 58% das vendas globais no primeiro semestre do ano, de acordo com a consultoria.

Na China, os relógios Little Genius custam a partir do equivalente a cerca de US$ 90, e alguns passam de US$ 300.

Para os pais Jane Ding e Jimmy Poek, o smartwatch que deram ao filho, Larix, traz tranquilidade.Para os pais Jane Ding e Jimmy Poek, o smartwatch que deram ao filho, Larix, traz tranquilidade

Eles usam chips de celular, assim como os telefones, e oferecem aplicativos de pagamento que permitem aos pais colocar dinheiro nos relógios para que os filhos gastem. Alguns modelos contam com rastreamento de localização em 3D, capaz de identificar até mesmo em qual andar de um prédio o usuário está.

Larix não sai sozinho de casa, mas o relógio dá tranquilidade aos pais caso ele se perca em um shopping ou eles percam seu paradeiro no parque. “Se ele não tivesse um relógio, eu ficaria muito preocupado”, disse o pai, Jimmy Poek, de 40 anos. “Eu teria de mantê-lo à vista o tempo todo.”

Em um sábado recente, a família foi a um parquinho do bairro, com Larix usando seu relógio. Muitas das crianças que brincavam no local também usavam relógios Little Genius.

Uma das principais funções dos relógios Little Genius é permitir que as crianças encostem seus aparelhos uns nos outros para adicionar amigos à rede social da marca, onde podem conversar, publicar atualizações, curtir e comentar as postagens. Colegas de escola que usam relógios de outras marcas, como Apple, Xiaomi ou Huawei, não podem entrar na rede.

Isso faz com que muitos pais sintam que não têm escolha a não ser comprar um Little Genius.

No parquinho, Larix encontrou sua amiga Gu Ling’en, uma das primeiras pessoas que adicionou em seu relógio. Gu disse que o recurso de que mais gosta no Little Genius é a função de conversa — e a câmera. Os dois tiraram uma selfie.

“Posso conversar com meus amigos e adicionar cada vez mais amigos. É muito divertido!”, disse Gu, de 9 anos.

A mãe de Gu, Mo Chanping, de 35 anos, disse que comprou o relógio Little Genius depois de ouvir sobre o aparelho em um grupo de conversa com outros pais e assistir a vídeos sobre o produto no WeChat, aplicativo chinês que reúne diversas funções.

Os relógios Little Genius foram criticados pela imprensa estatal e nas redes sociais por, em alguns casos, serem viciantes e alimentarem a ansiedade social. Eles são proibidos em muitas salas de aula. A firma não respondeu aos pedidos de comentário.

Jiang Kai, pai de dois filhos, de 48 anos, gastou recentemente cerca de US$ 200 em cada um dos novos relógios Little Genius para as crianças. Ele teme que os filhos comparem seus aparelhos com os modelos mais caros dos colegas e fiquem decepcionados.

“Eles podem pensar: ‘Por que mamãe e papai me compraram um barato?’”, disse Jiang.

Para muitos pais, porém, um smartwatch Little Genius parece mais seguro do que um smartphone com acesso irrestrito à internet. Eles podem controlar quem está na lista de contatos dos filhos e quais aplicativos e jogos eles podem usar.

Zhang Hongli, de 39 anos, não pretende comprar um celular para a filha de 12 anos até que ela esteja no ensino médio ou na faculdade. Zhang usa um smartwatch Little Genius para verificar a localização da filha e ligar para ela, enquanto desativa jogos e outros aplicativos.

“Ela provavelmente já poderia usar um celular, mas sinto que é mais difícil controlar o aparelho do que um smartwatch”, disse Zhang.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: The Wall Street Journal

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