Últimas Notícias

Agente de IA da Meta espalha temor de impacto em empresas que se beneficiam de ‘consumo por inércia’

As ações de grandes bancos, seguradoras e agências de viagens online recuaram nesta terça-feira (22), à medida que investidores temem que ferramentas como o novo agente pessoal de IA da Meta possam desestabilizar firmas beneficiadas pela chamada inércia do consumidor: a tendência de continuar comprando algo por hábito mesmo quando existe uma alternativa melhor.

O índice S&P 500 Financials caiu quase 2% e fechou no menor nível desde julho, ficando atrás do mercado mais amplo, que encerrou praticamente estável.

As ações de JPMorgan Chase e Wells Fargo recuaram mais de 3% cada, enquanto as do Morgan Stanley caíram 2,9%.

A seguradora Allstate perdeu 5,5% em valor, e a corretora Charles Schwab fechou em baixa de mais de 6%.

As firmas que ajudam usuários a reservar hospedagens também foram afetadas, com queda de 2,6% nas ações da Booking Holdings.

Na Europa, o setor de telecomunicações foi o de pior desempenho no índice de referência Stoxx 600, com as ações da francesa Orange e da britânica BT Group recuando cerca de 4% cada. A rede de academias Planet Fitness fechou em baixa de 9,5%.

A queda ocorreu enquanto o Muse, o novo agente de IA da Meta, alcançou o topo da loja de aplicativos da Apple em downloads nos Estados Unidos.

A ferramenta pode concluir tarefas digitais em nome do usuário ao se conectar a serviços de terceiros, como Gmail e OpenTable.

As ações da Meta dispararam 11% na segunda-feira (21), diante dos sinais de sua rápida ascensão em popularidade.

À medida que assistentes de inteligência artificial como Muse e Instinct se tornam mais eficientes na comparação de preços, na reserva de viagens e no atendimento de interações com o serviço ao cliente, setores que dependem de cobranças recorrentes, preços negociáveis e serviços adicionais podem ficar sob pressão, disseram profissionais da mesa de operações do Goldman Sachs em um relatório.

“O Muse sem dúvida é algo negativo para esse tipo de firma”, disse Rhys Williams, estrategista-chefe da Wayve Capital Management. “Neste momento, ele é mais uma curiosidade, mas acho que daqui a dois anos todos nós teremos agentes.”

Os riscos para cobranças por inércia

O Goldman afirmou que telecomunicações, seguros e serviços públicos são os setores a serem observados caso os agentes de IA tornem mais fácil e barato trocar de prestador de serviço.

Sua cesta de ações de firmas beneficiadas pela “inércia do consumidor” e que estão sob risco de desestabilização nos EUA inclui as operadoras de telecomunicações AT&T e T-Mobile US; as seguradoras Allstate e Progressive; as plataformas de streaming Netflix e Paramount Skydance; e os sites de reservas de viagens Expedia e Booking.

A cesta do Goldman caiu 2,6% na terça-feira, seu pior desempenho desde fevereiro, elevando as perdas acumuladas nos últimos seis pregões para mais de 7%.

Agentes pessoais de IA também têm potencial para afastar clientes de plataformas online consolidadas pertencentes a firmas como a Uber Technologies, disseram os analistas Mandeep Singh e William Tong, da Bloomberg Intelligence, em uma nota. Eles veem o Muse e o Instinct atuando como “cobradores de pedágio”, gerando receitas a partir de transações realizadas por meio dos aplicativos de IA.

A onda de venda de ações de consumo nesta terça-feira lembrou o colapso das firmas de Software-as-a-Service ocorrido no início deste ano, após o lançamento, pela Anthropic, de ferramentas baseadas em agentes, como o Claude Cowork.

Agente de IA contra a psicologia

A Citrini Research, que publicou um relatório considerado pessimista em fevereiro que derrubou as ações de firmas de delivery, pagamentos e software, afirmou na noite de segunda-feira que os consumidores podem começar a questionar firmas beneficiadas pelo chamado atrito transacional.

“Amanhã, talvez você veja algo que o faça perguntar quanto dinheiro as seguradoras de saúde ganham simplesmente porque as pessoas não ficam cinco horas ao telefone tentando obter a aprovação de uma cobertura”, escreveu a firma no X.

“Estratégias que funcionavam quando o comportamento do consumidor era ditado pela psicologia humana perderão espaço.”

A firma também divulgou na terça-feira um relatório focado no impacto da “adoção de agentes pelos consumidores”.

“Agentes voltados ao consumidor estão sendo desenvolvidos há algum tempo”, escreveu a Citrini, mas o Muse “parece ser um divisor de águas, não necessariamente por causa de suas capacidades técnicas mas por causa de seu alcance”.

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: Bloomberg

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo