Alta ou manutenção? Warsh deixa mercado sem saber qual será o próximo passo do Fed
O mercado espera que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros inalterados ao fim de sua reunião de dois dias nesta quarta-feira (29), mas investidores acompanham a crescente possibilidade de uma alta surpresa, à medida que diminui a paciência com a inflação persistentemente elevada.
As autoridades do Fed mantiveram as taxas estáveis ao longo deste ano enquanto aguardavam o enfraquecimento das pressões temporárias sobre os preços provocadas pelas tarifas e pela guerra no Irã. No entanto, cresce a preocupação de que a inflação não retorne à meta de 2% do banco central sem um aumento dos juros para conter a demanda.
Grande parte da incerteza do mercado está ligada ao presidente do Fed, Kevin Warsh, que abandonou a prática de seus antecessores de sinalizar antecipadamente a direção futura da política monetária. O novo chefe da autoridade monetária afirma estar comprometido em reduzir a inflação, mas ainda não indicou se apoia um aumento dos juros para atingir esse objetivo.
“Independentemente do que você acha que eles vão fazer, e do que acabarem fazendo, este é um ótimo exemplo de que estamos em uma nova era”, disse Stephen Stanley, economista-chefe para os Estados Unidos do Santander US Capital Markets. “Estamos entrando na reunião com uma incerteza legítima. Minha expectativa é de manutenção em julho, mas há uma possibilidade nada desprezível de que eles elevem os juros.”
O Fed divulgará o comunicado da reunião às 15h (horário de Brasília) desta quarta-feira, e Warsh concederá sua segunda entrevista coletiva após uma decisão de política monetária meia hora depois. Ele deverá responder a perguntas sobre a economia, os juros e seus planos para promover mudanças mais amplas no banco central.
Nesta reunião, o Fed não divulgará novas projeções econômicas nem estimativas para a trajetória dos juros.
Mudança de tom
As autoridades do Fed vêm mantendo os juros estáveis desde que realizaram cortes em cada uma das três últimas reuniões de 2025. Porém, entre janeiro e junho, a visão dos dirigentes sobre a política monetária mudou significativamente, à medida que o mercado de trabalho se estabilizou e a desaceleração da inflação subjacente perdeu força.
Primeiro, um número crescente de dirigentes passou a defender a retirada do viés favorável a cortes de juros do comunicado oficial. Em seguida, as projeções divulgadas no mês passado mostraram que nove integrantes do Fed acreditam que pelo menos uma alta de juros será necessária ainda este ano. E essa mudança não se deve apenas ao impacto da guerra no Irã sobre os preços do petróleo.
O diretor Christopher Waller, que no início do ano demonstrava maior preocupação com o enfraquecimento do mercado de trabalho, afirmou nos últimos meses que as pressões inflacionárias estão se tornando mais disseminadas. Por isso, passou a considerar a possibilidade de uma alta dos juros em um futuro próximo. Outros dirigentes do Fed manifestaram posição semelhante.
Como Warsh se recusa a revelar sua própria avaliação, a incerteza sobre a decisão desta reunião aumentou. A probabilidade de uma alta de juros implícita nos contratos futuros de Fed Funds chegou a atingir 40% antes do encontro. Na tarde de terça-feira, os investidores atribuíam cerca de 35% de chance a esse cenário — um nível incomum de incerteza às vésperas de uma decisão do banco central.
Para Derek Tang, economista da Monetary Policy Analytics, uma alta fortaleceria a credibilidade de Warsh ao demonstrar que ele leva a sério sua promessa recorrente de restaurar a estabilidade dos preços. Por outro lado, manter os juros inalterados pode consolidar a imagem de alguém que faz muitas promessas, mas entrega pouco.
Ainda assim, um relatório surpreendentemente benigno sobre a inflação ao consumidor em junho reforça os argumentos para manter os juros estáveis nesta reunião. Warsh pode defender que os dirigentes precisam de mais tempo para avaliar a trajetória da inflação.
Caso essa seja a decisão, analistas acompanharão atentamente qualquer sinal sobre quão próximo o núcleo do Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) esteve de apoiar um aumento dos juros. A crescente preocupação com a inflação também pode levar alguns dirigentes a votar contra a decisão da maioria. Entre os principais candidatos a uma dissidência estão a presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, e a presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Bloomberg
