Brasileiros “esquecem” R$ 320 milhões em criptomoedas em exchange

Na correria do dia a dia, é comum fazer um investimento e não lembrar mais dele. O Banco Central, por exemplo, informou no começo deste mês que ainda existem cerca de R$ 6 bilhões em “valores esquecidos” em instituições financeiras. Pois isso também acontece no mercado cripto.
Um levantamento do Mercado Bitcoin, compartilhado com exclusividade ao InvestNews, mostra que 700 mil brasileiros “esqueceram” cerca de R$ 320 milhões em criptomoedas na exchange.
O estudo considera valores mantidos em contas inativas, ou seja, sem acessos nem transações há pelo menos um ano.
E tem um detalhe curioso: esse patrimônio acumulou R$ 30 milhões em ganhos líquidos. Quanto maior o tempo de inatividade, maior tende a ser o percentual de investidores no lucro, como mostra o gráfico abaixo.
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O caso do bitcoin
Quando o assunto é bitcoin, o lucro foi até maior. Dos 700 mil investidores com contas inativas, 318 mil mantinham saldo em BTC. Desse total, 91% registraram valorização patrimonial, acumulando R$ 68 milhões em ganhos líquidos.
Segundo o levantamento, entre os investidores que não movimentam a conta há mais de cinco anos – cerca de 170 mil pessoas – não foi encontrado um único caso de perda patrimonial.
E isso mesmo considerando o momento atual da criptomoeda. Desde a máxima histórica de cerca de US$ 126 mil, registrada em outubro do ano passado, o bitcoin recuou aproximadamente 50% e, nesta quarta-feira (29), é negociado na faixa dos US$ 64 mil.
Para Fabrício Tota, vice-presidente de Novos Negócios do Mercado Bitcoin, o levantamento mostra que o tempo pode ser um dos principais aliados do investidor.
“É uma fotografia rara do efeito do longo prazo em uma classe de ativos jovem”.
Um mercado volátil
Apesar dos ganhos observados no levantamento, vale lembrar que o mercado de criptomoedas está longe de ser previsível. Os preços podem subir – e cair – rapidamente, influenciados por fatores como o cenário regulatório, a adoção da tecnologia e o ambiente macroeconômico. Por isso, os criptoativos são considerados investimentos de alto risco.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h20.
Bitcoin (BTC): +1,64%, US$ 64.3439,11
Ethereum (ETH): +1,90%, US$ 1.914,98
BNB (BNB): +0,85%, US$ 570,11
XRP (XRP): +3,30%, US$ 1,08
Solana (SOL): +1,12%, US$ 73,95
Outros destaques do mercado cripto
Malware brasileiro usa Ethereum. Criminosos digitais passaram a usar a blockchain Ethereum para tornar ataques de malware bancário mais difíceis de interromper, segundo a firma brasileira Swarmy. Em vez de deixar gravado no vírus o endereço do servidor usado para controlar a invasão, os hackers armazenam essa informação em um contrato inteligente. Só um adendo: a estratégia não explora uma falha na rede, mas usa um recurso legítimo para dificultar a ação de firmas de segurança.
Golpe com bitcoin na App Store. A App Store da Apple virou alvo de um processo nos EUA após três usuários alegarem ter perdido, juntos, cerca de US$ 1,84 milhão em bitcoin ao baixar um aplicativo falso que imitava uma carteira cripto chamada Sparrow Wallet. Segundo a ação, a firma manteve o app disponível por mais de uma semana mesmo após receber uma denúncia de fraude, o que teria permitido novas vítimas. A carteira não tem versão para iPhone, apenas para computadores com Windows, macOS e Linux.
Telegram, Rússia e queda de cripto. A Rússia acusou o fundador do Telegram, Pavel Durov, de auxiliar atividades terroristas e emitiu um mandado internacional de prisão, alegando que a plataforma não removeu conteúdos usados para coordenar ataques no país. Após a notícia, a criptomoeda TON, da blockchain The Open Network, recuou cerca de 3%. Aqui vale uma explicação: esse projeto cripto foi criado inicialmente pelo Telegram e, embora hoje opere de forma independente, mantém uma forte ligação com o aplicativo.
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Autor: Lucas Gabriel Marins