Itaúsa e Votorantim abrem mão de preferência e Bradesco BBI compra 14,9% da Motiva (ex-CCR)
A Motiva, a antiga CCR, informou nesta terça-feira (28) que o Grupo Mover assinou os documentos vinculantes e definitivos para vender sua fatia de 14,86% ao Bradesco BBI.
O negócio já está fechado entre as partes, mas a consumação, ou seja, a efetiva transferência das ações, ainda depende da aprovação das autoridades regulatórias competentes.
O Grupo Mover, holding que sucedeu a Camargo Corrêa, já havia encaminhado a venda dos papéis em abril, mas precisava esperar a decisão dos demais sócios que fazem parte do acordo de acionistas: os grupos Soares Penido, Itaúsa e Votorantim tinham direito de preferência para comprar as ações. Como nenhum deles se manifestou, a Mover teve sinal verde para seguir com o negócio.
A transação é a peça essencial do processo de recuperação judicial da Mover, aberto em dezembro de 2024 com R$ 14,2 bilhões em dívidas. O pedido envolvia também a InterCement, então uma das principais firmas do grupo fundado por Sebastião Camargo.
Para resolver o passivo com o Bradesco, a Mover precisou negociar separadamente a garantia dada em outra operação de crédito.
Isso porque as ações que a holding detinha na então CCR, hoje Motiva, foram dadas como garantia em um empréstimo tomado pela InterCement junto ao Bradesco. O banco entendia que essa garantia não poderia ser arrastada para dentro da recuperação judicial e, por isso, negociou a execução à parte.
Segundo apuração do Estadão, o negócio foi fechado por cerca de R$ 5 bilhões. Desse total, R$ 3,3 bilhões quitaram a dívida da Mover com o banco; o restante foi consumido por impostos e despesas da operação, deixando para a Mover um caixa líquido de cerca de R$ 500 milhões. Considerando o valor de mercado atual da Motiva, a fatia negociada vale hoje cerca de R$ 4,4 bilhões.
Ainda resta a dúvida se o Bradesco assumirá o lugar da Mover dentro do acordo de acionistas da Motiva, com assento no bloco de controle, ou se as ações passam a circular livremente fora dele.
Dos 14,86% vendidos, apenas 10,33% estavam de fato vinculados ao acordo; os 4,53% restantes já eram ações livres. A Motiva disse que manterá o mercado informado sobre os próximos desdobramentos.
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Autor: Redação InvestNews