Brasileiros mais que dobram compras de stablecoins no exterior, mostra BC
As compras de stablecoins – criptomoedas atreladas a outros ativos, como o dólar – mais que dobraram no primeiro semestre deste ano no exterior, segundo dados do setor externo divulgados pelo Banco Central nesta semana.
Entre janeiro e junho de 2026, os brasileiros adquiriram US$ 14,7 bilhões, ante US$ 6,4 bilhões no mesmo período do ano passado – uma alta de 130%.
O Banco Central analisa as compras feitas no exterior por residentes locais, principalmente por firmas que adquirem esses ativos para distribuí-los no mercado brasileiro. Nas estatísticas, elas aparecem na categoria “criptoativos com passivo correspondente”.
Essas criptos se enquadram nessa classificação contábil porque têm um emissor responsável por manter seu valor atrelado a outro ativo, como o dólar. Ou seja, existe uma obrigação financeira por trás delas. É diferente de ativos como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), que não têm um emissor responsável por garantir seu valor.
Vale destacar que esses dados do BC não incluem as compras de stablecoins realizadas por brasileiros em exchanges locais.
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Uso cresce no Brasil
O crescimento das stablecoins não é novidade.
Um relatório recente da Receita Federal mostrou que, entre agosto de 2019 e dezembro de 2025, foram declarados R$ 1,58 trilhão em operações de compra e venda de criptoativos. Desse total, cerca de R$ 1,13 trilhão (71,7%) correspondeu a stablecoins.
Nos anos mais recentes, segundo a Receita, essa participação se manteve acima de 80% do volume mensal. O USDT e o USDC – as duas maiores criptos atreladas ao dólar do mercado – lideram a adoção por aqui.
O uso desses tokens estáveis cresce porque elas oferecem uma forma rápida e barata para realizar pagamentos internacionais e enviar recursos ao exterior. Essas operações também escapam do IOF no Brasil. Mas só por enquanto, porque o governo já discute mudanças.
Além disso, as stablecoins permitem que investidores permaneçam no mercado cripto com exposição ao dólar sem precisar converter os recursos para outras moedas, embora carreguem o risco do emissor.
“Em um ambiente ainda marcado por volatilidade, stablecoins continuam sendo fundamentais para preservação de capital, gestão de liquidez e realização de operações entre diferentes ativos”, diz Julián Colombo, diretor sênior de Políticas Públicas e Estratégia para a América do Sul na Bitso.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h15.
Bitcoin (BTC): +0,15%, US$ 64.484,11
Ethereum (ETH): +0,29%, US$ 1.915,98
BNB (BNB): +2,88%, US$ 586,11
XRP (XRP): -0,76%, US$ 1,07
Solana (SOL): -0,02%, US$ 73,84
Outros destaques do mercado cripto
Retenção preventiva de stablecoins. Uma resposta do Banco Central a um pedido feito via Lei de Acesso à Informação, obtida pelo site Cointelegraph, indica que a autarquia avalia a possibilidade de reter preventivamente transferências com stablecoins por até 24 horas. A ideia seria dar mais tempo para que instituições financeiras e reguladores analisem operações consideradas de maior risco. O BC ressalta, porém, que ainda não existe uma norma em vigor sobre o tema.
Tokenização mais madura. A tokenização – processo de transformar ativos do mercado tradicional em tokens na blockchain – segue em ritmo acelerado. Só no primeiro semestre de 2026, foram emitidos R$ 4,84 bilhões em ativos tokenizados, uma alta de 122% em relação ao mesmo período do ano passado. Na avaliação de analistas, o avanço mostra que esse segmento do mercado cripto está entrando em uma fase mais madura.
Adeus, horário bancário? Executivos do Morgan Stanley acreditam que a tokenização pode marcar o “fim do horário bancário”. Na visão do banco, ativos tokenizados permitirão negociações e liquidações em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana, aproximando o mercado monetário tradicional do funcionamento já visto nas criptomoedas. A tendência, segundo eles, deve ganhar força nos próximos anos à medida que bancos e investidores adotem essa infraestrutura.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins