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EUA e Irã fecham pacto para encerrar guerra. Trump diz que Ormuz será reaberto na sexta (19)

Os Estados Unidos e o Irã dizem ter chegado a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz, abrindo caminho para conversas sobre o programa nuclear de Teerã e interrompendo uma guerra que matou milhares de pessoas e abalou a economia global.

Em publicação na Truth Social, o presidente Donald Trump disse que Estreito de Ormuz será reaberto na sexta-feira (19), com a assinatura do acordo com o Irã.

“O acordo com a República Islâmica do Irã está agora completo”, disse o presidente dos EUA, Donald Trump, no domingo (14), em uma publicação nas redes sociais. “Autorizo plenamente a reabertura livre do Estreito de Ormuz e, simultaneamente, autorizo a remoção imediata do bloqueio naval dos Estados Unidos.”

O anúncio partiu primeiro do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e foi seguido por Trump e pela mídia estatal iraniana, que retratou o acordo como uma capitulação dos EUA.

O petróleo caiu após a notícia. O Brent recuava mais de 3%, em direção a US$ 84 por barril, depois de fechar a semana anterior no menor nível em mais de três meses, enquanto o West Texas Intermediate rondava US$ 81. O dólar cedia ante seus pares do G10 no início das negociações na Ásia, com o dólar australiano, mais sensível ao risco, liderando os ganhos. O euro subia 0,3% ante a moeda americana, e o dólar australiano avançava cerca de 0,5%.

Nenhum dos lados divulgou o texto do acordo, mas seus contornos gerais já circulavam havia dias. O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, disse à televisão estatal que o texto do memorando de entendimento será publicado após a assinatura oficial, marcada para 19 de junho.

EUA e Irã encerrarão seus bloqueios rivais no Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo. Os dois países concordaram em não atacar um ao outro e em iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano. O Irã receberia alívio nas sanções que atingem suas vendas de petróleo no exterior.

Um petroleiro no Estreito de Ormuz. Fotógrafo: Kaveh Kazemi/Getty Images

Embora os dois lados tenham reivindicado vitória, a desconfiança mútua permanece profunda, e ainda há dúvidas importantes sobre a capacidade de chegarem a um acordo mais amplo. Também segue incerta a posição de Israel, onde o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu colocou a assinatura em risco na última hora com novos ataques ao Líbano.

Trump pode enfrentar forte reação interna de aliados mais duros contra o Irã, que temem que ele esteja apenas adiando questões como a capacidade nuclear iraniana e o programa de mísseis balísticos — justamente os motivos que levaram o presidente a iniciar a guerra.

Também seguem pouco claros os incentivos monetários que o Irã receberá. Um alto funcionário dos EUA, que falou a repórteres na sexta-feira, disse que os dois lados discutiam um acordo no qual o Irã receberia recompensas econômicas a cada vez que cumprisse um conjunto de exigências americanas.

O Irã, porém, também exigiu acesso a bilhões de dólares congelados em contas bancárias no exterior, além de alívio de longo prazo nas sanções.

O anúncio foi resultado de semanas de negociações indiretas entre Washington e Teerã desde que um cessar-fogo entrou em vigor no início de abril, em meio a confrontos intermitentes que ameaçavam descarrilar os esforços diplomáticos para encerrar a guerra.

Trump vinha afirmando havia semanas que os dois lados estavam à beira de um acordo. No sábado, disse que o pacto seria assinado no dia seguinte — seu aniversário de 80 anos.

Um acordo ajudará a dissipar temores de um retorno imediato ao conflito, que provocou turbulência nos mercados globais de energia e elevou o risco de uma nova onda inflacionária. Também deve aliviar parte da pressão política sobre Trump antes das eleições de meio de mandato, em novembro. Pesquisas mostram que a guerra é profundamente impopular entre os americanos.

O Irã fechou o Estreito de Ormuz pouco depois de bombardeios dos EUA e de Israel deflagrarem a guerra, interrompendo a passagem por onde costuma circular um quinto da oferta mundial de petróleo e gás natural liquefeito. A rota para navios que entram e saem do Golfo Pérsico continua fortemente prejudicada, com travessias em apenas uma pequena fração dos níveis anteriores à guerra.

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Autor: Greg Prudenciano

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