Últimas Notícias

‘Novo Fusca’? Vendas rampantes do EX2 colocam Geely no encalço de BYD e GWM

O Geely EX2 chegou ao mercado com uma credencial de peso: a de carro mais vendido na China. Foi outro dia, em novembro do ano passado. E agora o hatch elétrico está na lista nacional de best sellers também.

Olhando só para as vendas de julho, último mês fechado, ele ficou na 10ª posição. Pela primeira vez, um top 10 mensal teve três elétricos puros na lista, com BYD Dolphin (9º colocado) e Dolphin Mini (6º) completando o time sem escapamento.

Nenhum carro passou por uma aceleração tão forte nas vendas neste ano. Comparando dezembro de 2025 com julho agora, as vendas do EX2 dispararam 280%.

Mais: se você olhar só as vendas no varejo, a história é ainda mais fora do comum. “Varejo” é a venda normal, que acontece na concessionária.

Não entram ali as vendas massivas que as montadoras fazem diretamente para locadoras e frotas de firmas. Então ela fica bem diferente da lista completa.

Pois bem. Nesse ranking, o EX2 saltou da 25ª posição, em janeiro, para o segundo lugar na lista de julho – quase empatado com o Dolphin. O placar foi bem apertado. Em unidades: Dolphin 5.861 x EX2 5.707.

Ou seja: se até outro dia a briga entre montadoras chinesas no Brasil era entre BYD e GWM, agora há uma terceira força do império do meio brigando pelas cabeças no nosso mercado. Vamos entender melhor aqui quem é a Geely e o que ela planeja.

Quem é a Geely na fila do pão

A Geely é a segunda maior montadora da China, atrás apenas da BYD. O placar global de vendas das duas, no ano passado, fechou assim: BYD 4,6 milhões x Geely 4,1 milhões.

Aqui, pelo ranking de julho, é a 11ª entre todas as marcas que vendem no Brasil, e 3ª entre as chinesas, atrás de BYD e GWM.

E quem segura as vendas é o EX2 mesmo. Enquanto a GWM e, principalmente, a BYD têm uma gama ampla de modelos nas concessionárias, a Geely só tem dois: o próprio EX2 e a versão SUV dele, o EX5 (ainda que uma 100% elétrica e outra híbrida). O primeiro responde por 80% das vendas da marca.

a small car on the road
Geely EX2, o 2º carro mais vendido no varejo em julho (Divulgação)

Mesmo com esse exército de um carro só, a Geely já encostou na GWM. Pelos números de julho, foram 7,4 mil emplacamentos, contra 9,2 mil da fabricante do Haval. A BYD, de qualquer forma, segue bem adiante.

Com três modelos entre os 10 mais vendidos em julho (Dolphin, Dolphin Mini e Song), fechou o mês com 23,4 mil carros vendidos. No acumulado do ano, 122 mil – contra 44 mil da GWM e apenas 25 mil da Geely nesse panorama mais amplo.

Mas ela tem um trunfo na manga para ganhar terreno.

A fábrica da Renault

BYD e GWM chegaram como importadoras de carros e montaram fábricas aqui: BYD em Camaçari, GWM em Iracemápolis. Das duas plantas saem alguns dos carros mais vendidos de cada uma delas: Dolphin Mini, Song Pro, a linha Haval.

A Geely segue como importadora. Mas tem um trunfo. Ela estruturou-se no país de um jeito diferente: comprou, no ano passado, 26,4% da Renault Brasil. A operação passou a ser uma joint-venture, a Renault Geely.

De cara, a chinesa ganhou a capilaridade das concessionárias Renault para começar a vender seus carros. Depois abriu concessionárias próprias, com a bandeira da Geely: são 43 até o momento – ainda pouco perto de BYD (233) e GWM (131), de qualquer forma.

Concessionária Geely
Concessionária da Geely em São Paulo: rede em expansão (Divulgação)

Mas agora vem a parte mais importante: o uso da fábrica da montadora francesa em São José dos Pinhais (PR). Essa parte do acordo permitiu à Geely montar um cronograma rápido de fabricação nacional.

A ideia é que até o fim do ano o EX-2 e o EX-5 sejam feitos por aqui. A montagem começa em regime CKD, a partir de kits desmontados que chegam da China – como acontece nas fábricas da BYD e da GWM. E a ideia é ampliar, com o tempo, o conteúdo nacional.

A produção no país, mesmo a partir de kits, alivia o gargalo da importação via navio – que às vezes atrapalha. Por exemplo: em janeiro, o EX2 vendeu 1.124 unidades. Em fevereiro, só 193; por falta de estoque.

O CKD não tira o navio da jogada. Mas as peças ocupam menos espaço – chegam mais “carros” por embarcação. E tem a vantagem financeira. Até o fim do ano, seguem valendo as cotas de imposto zero para a importação de kits de carros elétricos. A partir de 2027, elas voltam a 35% – o mesmo patamar dos carros inteiros.

O progresso na nacionalização dos componentes, de qualquer forma, vai reduzindo o gasto com o imposto. Uma etapa fundamental aí é a parte de “estamparia” – o maquinário que transforma bobinas cruas de aço em porta, capô, teto; e que reduz bem a necessidade de importação de kits.

BYD e a GWM estão implantando esse tipo de equipamento em suas fábricas. Na Geely, ajuda o fato de eles contarem de saída com a infraestrutura de estamparia da própria Renault.

Um empurrão do Move Brasil

O boom na venda de hatches elétricos tem a ver também com outro fator: a demanda dos motoristas de aplicativo. Para quem roda o dia todo, a economia em combustível pode chegar a R$ 3 mil – mais de 30% do faturamento bruto.

Como os hatches são a alternativa mais em conta entre os 100% elétricos, essa demanda flui para eles. E ela é robusta: há pelo menos 1,7 milhão de motoristas de aplicativo no país.

E agora existe o reforço do Move Brasil, um programa do governo federal voltado para esse público (e para os taxistas). Ele oferece juros menores que os de mercado, prazos mais largos (até seis anos) e financiamento sem entrada – sempre para carros até R$ 150 mil.

EX2 (que começa em R$ 123,8 mil), Dolphin Mini (R$ 119,9 mil) e Dolphin normal (R$ 149,9 mil) se encaixam. E isso tem acelerado as vendas deles.

Dolphin Mini, o carro mais vendido no varejo neste ano (Divulgação)

Não só isso. Várias montadoras estão praticando descontos agressivos para quem comprar via Move Brasil. A Geely reduziu o preço da versão de entrada do EX2 para R$ 117,6 mil; e a BYD cortou R$ 10 mil das etiquetas de preço do Dolphin Mini e do Dolphin normal.

A guerra de preços segue quente. E vai mudando tanto a indústria automobilística quanto a paisagem urbana – com as ruas cada vez mais cheias de carrinhos chineses que não fazem barulho.

O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!

Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original

Autor: Alexandre Versignassi

Dinheiro Portal

Somos um portal de notícias e conteúdos sobre Finanças Pessoais e Empresariais. Nosso foco é desmistificar as finanças e elevar o grau de conhecimento do tema em todas as pessoas.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo