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Ethereum ou “Matadores de Ethereum”: conheça as rivais da segunda maior cripto

A blockchain Ethereum, lançada em julho de 2015, representou um marco para o universo cripto. Isso porque, diferente do bitcoin (BTC), que tem como principal função ser uma moeda digital, o Ethereum também funciona como uma espécie de base para desenvolvedores criarem seus próprios projetos – quase como uma loja de aplicativos de celular.

Nos primeiros anos, essa diferença ajudou a rede a conquistar espaço. Com o tempo, no entanto, outras plataformas com propostas parecidas ganharam vida. E, ao contrário de criptos que tentaram seguir os passos do bitcoin e não conseguiram tanto espaço, essas novas redes fizeram certo barulho.

No mercado, elas ganharam o apelido “carinhoso” de Ethereum Killers (Matadoras do Ethereum, na tradução para o português). Mas será que alguma delas realmente tem chance de destronar a vice-líder? E, mais importante, o que essa disputa significa para os investidores?

As Ethereum Killers

Hoje, há três principais concorrentes da rede que sustenta a segunda maior criptomoeda do mercado: a Cardano (ADA), lançada em 2017 e cofundada por Charles Hoskinson, que, detalhe, também foi um dos cofundadores do Ethereum; a Solana (SOL), criada em 2020 e criada pelo engenheiro Anatoly Yakovenko; e a Avalanche (AVAX), desenvolvida pelo cientista da computação Emin Gün Sirer, que também colocada no mercado em 2020.

As quatro redes permitem o uso de contratos inteligentes – programas que executam regras automaticamente e servem de base para a criação de aplicações, serviços e produtos.

Cardano

No caso da Cardano, segundo Mychel Mendes, CFO da Tokeniza, a rede tem uma engenharia muito séria e um processo de pesquisa revisado e baseado fortemente em matemática. O problema, diz, é que ela não cresceu.

“Às vezes me parece que a Cardano está muito à frente do tempo dela. Basicamente é como se, beleza, tudo está bonito e preparado para a festa, mas não chegou ninguém para a festa e a festa ficou sem graça”, diz.

Entre as três matadoras, é a segunda com maior valor de mercado, de cerca de US$ 6,65 bilhões. No entanto, seu ecossistema de aplicações descentralizadas é pequeno na comparação com os outros protocolos. Segundo dados da plataforma DeFiLlama, o valor total bloqueado na rede (TVL, uma medida do capital depositado em protocolos de DeFi) é de US$ 66,56 milhões.

Para efeito de comparação, o Ethereum tem TVL de cerca de US$ 40,91 bilhões, a Solana, de US$ 4,83 bilhões, e a Avalanche, de US$ 416 milhões.

Avalanche

A Avalanche é compatível com a Ethereum Virtual Machine (EVM), o ambiente de execução usado pelo Ethereum. Isso significa que desenvolvedores conseguem adaptar ou portar aplicações e contratos inteligentes feitos na rede do ETH para a Avalanche com relativa facilidade, algo que não ocorre da mesma forma em Cardano e Solana, que têm arquiteturas próprias.

“A Avalanche é uma rede EVM tecnicamente sólida, com consenso diferenciado e velocidade superior à mainnet do ETH (ou seja, consegue, em determinadas métricas, processar e confirmar transações mais rapidamente que a rede principal da Ethereum)”, diz Paulo Eduardo de Camargo, analista de mercado parceiro da OKX.

Seu ponto fraco, segundo o especialista, é competitivo.

“Com o amadurecimento das L2s (blockchains que rodam em cima de outras) da Ethereum, a proposta de valor da AVAX ficou espremida: quem quer EVM tende a ficar no ecossistema Ethereum, e quem quer alta performance olha para Solana.”

Solana

E aí vem a Solana. Entre as matadoras de plantão, é a que, segundo os especialistas, mais se aproxima de destronar o Ethereum. Por quê?
Segundo Camargo, a rede entrega, na prática, o que a indústria vem buscando há anos: taxas baixas, alta velocidade e uma experiência de usuário competitiva com a de fintechs tradicionais.

“É a única das três que vem crescendo em métricas que importam: atividade on-chain (na blockchain), receita da rede, atenção do varejo e, mais recentemente, tração institucional em um território que sempre foi cativo do Ethereum”, diz.

Mendes, da Tokeniza, tem visão semelhante. A rede criada pelo engenheiro Anatoly Yakovenko, segundo ele, entrega uma melhor experiência para o usuário, tem custo mais baixo e um ciclo de desenvolvimento de produtos mais rápido.

“Você pode desenvolver uma aplicação muito grande dentro da Solana que precisa rodar lá dentro, você consegue, porque ela é veloz e barata, então você tem os dois extremos”, diz.

Mas sempre tem um porém. No caso da Solana, o risco apontado pelo especialista está na estabilidade da rede, tendo em vista seu nível de centralização – ou seja, na concentração do poder de validação em um número relativamente menor de participantes. Além disso, a rede sofreu várias interrupções desde seu lançamento, o que acabou manchando um pouco sua reputação.

O que isso significa para o investidor?

Para o investidor, hoje, segundo os especialistas, Ethereum e Solana são as duas grandes representantes desse setor que permite a criação de projetos sobre blockchain. Tanto que as duas, ao lado do bitcoin, costumam aparecer nas carteiras mensais recomendadas por analistas.

Avalanche e Cardano, no entanto, vez ou outra também aparecem em sugestões de analistas, mas são vistas como mais arriscadas. Marcelo Person, diretor de tesouraria e mercado cripto da Foxbit, por exemplo, citou na carteira da exchange deste mês que a Avalanche vem conquistando presença entre os projetos voltados para tokenização.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  -0,74%, US$ 62.830,35

Ethereum (ETH): +0,10%, US$ 1.876,61

BNB (BNB): -0,49%, US$ 604,37

XRP (XRP): -0,16%, US$ 1,00

Solana (SOL): -0,08%, US$ 75,45

Outros destaques do mercado cripto

Estamos falhando com a tokenização. Para que a tokenização avance ainda mais no Brasil, é preciso trazer mais participantes para a conversa – e, principalmente, fazê-los entender de fato como esse mercado funciona. Por enquanto, no entanto, estamos “falhando” nisso. Essa é a visão do superintendente nacional de Habitação da Caixa, Marlon Machado. Segundo ele, seria preciso, por exemplo, incluir agentes de cartório nas discussões, já que o financiamento imobiliário é um dos setores que podem se beneficiar da tokenização.

R$ 20 bi em tokens imobiliários. E falando em imóveis… a tokenização imobiliária já movimentou cerca de R$ 20 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), com aproximadamente 450 incorporadoras utilizando esse modelo, segundo dados da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken). Só para contextualizar: um token imobiliário é, basicamente, uma representação digital de um direito ou ativo relacionado a um imóvel. Ele fica registrado em uma blockchain, a tecnologia por trás das criptos.

Reserva de bitcoin no Brasil. O papo sobre criar uma reserva de bitcoin no Brasil, que vez ou outra aparece em projetos na Câmara dos Deputados ou nas conversas dos bitcoiners (termo usado para identificar os apaixonados pela cripto), agora entrou na disputa presidencial. O candidato do Missão à Presidência da República, Renan Santos, defendeu, durante um evento no Rio de Janeiro, a criação de uma reserva de BTC no Brasil. Ele também falou em transformar a bela cidade do Rio de Janeiro em um local mais “cripto friendly”.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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