Quem garante as reservas das stablecoins? Mercado brasileiro quer auditorias independentes
As reservas das stablecoins, vez ou outra, são questionadas. Essa dúvida ganhou força no setor após problemas enfrentados pela Tether, emissora da USDT, a maior do mercado, no passado. Agora, o tema virou prioridade no mercado nacional.
Uma pesquisa divulgada na quarta-feira (12) pela KPMG em parceria com a Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABcripto) mostrou que 100% das instituições consultadas defendem que os ativos utilizados como lastro sejam submetidos a auditorias independentes periódicas.
Foram ouvidos executivos de bancos e Prestadoras de Serviços de Ativos Virtuais (VASPs) – nome técnico dado às firmas que atuam no setor cripto – entre 12 de janeiro e 8 de junho de 2026. A amostra foi formada por 70% de VASPs e 30% de instituições bancárias.
A transparência das reservas também aparece como prioridade para os executivos entrevistados. Para 70% deles, o principal indicador de confiança é a divulgação periódica da composição, da liquidez e da localização dos ativos que lastreiam as stablecoins.
“O consenso sobre a auditoria não nos surpreende quando falamos que segurança das reservas, rigor de auditoria e lastro de qualidade não são entraves à inovação, mas a base de confiança que sustenta esse mercado”, diz Julia Rosin, diretora-presidente da ABcripto.
Reserva em títulos públicos
A pesquisa também mostrou outros dados sobre esse assunto. Para 67% dos entrevistados, 100% do lastro deveria ser em dinheiro ou títulos públicos; 22% defendem uma composição de reservas de dinheiro, títulos públicos e outros ativos monetários; e 11% consideram que sejam usados diferentes tipos de lastro, desde que sejam estáveis e auditáveis.
Aqui no Brasil, por exemplo, a maioria das stablecoins atreladas ao real são lastreadas em títulos públicos.
E onde esse lastro deve ficar? Para a maioria (38%), em instituições financeiras reguladas. Na sequência, aparecem diretamente no Banco Central (26%), contas segregadas em bancos comerciais (12%), um mix entre BC e bancos comerciais (12%) e veículos próprios para fazer a custódia do lastro (12%).
Para onde vão as stablecoins?
Hoje, as stablecoins são usadas para diversas funções, como transações internacionais, integração com serviços monetários digitais, liquidação de pagamentos e dinheiro digital. Mas e o futuro?
Para 50% dos entrevistados, as stablecoins vão se fortalecer como infraestrutura para pagamentos e câmbio internacional. Outros 30% esperam que elas ganhem espaço como moeda de liquidação e na tokenização, enquanto 20% apostam em um uso sobretudo institucional.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h20.
Bitcoin (BTC): -1,24%, US$ 63.389,35
Ethereum (ETH): -2,01%, US$ 1.874,61
BNB (BNB): -0,97%, US$ 607,37
XRP (XRP): -1,74%, US$ 1,00
Solana (SOL): -1,61%, US$ 75,51
Outros destaques do mercado cripto
Mais um banco no parquinho cripto. Parece que, aos poucos, todo mundo cai no universo cripto, não é? Pois aconteceu com o Bradesco. O banco brasileiro passou a oferecer custódia institucional de ativos digitais para clientes como gestores, fundos, firmas financeiras e tesourarias. A Foxbit, uma exchange brazuca de criptomoedas, será o primeiro cliente a utilizar a nova estrutura.
ETF de bitcoin novo na área. O mercado cripto continua a criar novas alternativas para o investidor. A OranjeBTC, maior tesouraria cripto do Brasil, desenvolveu um ETF de ações preferenciais com distribuições mensais. O produto ganhou o nome de DIGY11 e deve chegar à B3 em setembro. A carteira inicial, segundo a firma, será composta por ações preferenciais emitidas pela Strategy e pela Strive, duas firmas americanas que mantêm BTC no balanço.
Goldman Sachs amplia aposta em cripto. O Goldman Sachs está levando três ETFs de renda com opções ligados ao bitcoin e ao ethereum para dentro de sua operação de gestão de ativos. Os produtos vêm da Neos Investments, que o banco concordou em comprar por até US$ 2,25 bilhões. Muita grana. Os ETFs usam opções para gerar renda mensal e não investem diretamente nas criptos, mas em produtos negociados em bolsa ligados a elas.
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Autor: Lucas Gabriel Marins
