Como Messi se tornou um motor econômico bilionário de Miami

Quase três anos após chegar para jogar pelo clube da Major League Soccer desta cidade, Lionel Messi entregou resultados dentro de campo, levando o Inter Miami ao seu primeiro título da liga no ano passado e tornando-o o time mais valioso da MLS.
Mas seu impacto vai muito além do campo: ele tem sido um motor de estímulo econômico para a região de Miami, elevando seu perfil internacional, atraindo multidões de turistas e impulsionando setores como imobiliário, hotelaria e varejo.
O exemplo mais recente da força econômica de Messi: a inauguração, na semana passada, do novo estádio do clube, cuja construção o Inter Miami acelerou após sua chegada. O Nu Stadium, com capacidade para 26,7 mil pessoas e localizado próximo ao Aeroporto Internacional de Miami, é o centro do projeto Miami Freedom Park, de US$ 1 bilhão e cerca de 530 mil metros quadrados, que incluirá mais de 93 mil metros quadrados de áreas comerciais, espaços de entretenimento, escritórios e hotéis.
Colocar um valor exato em dólares sobre o que o argentino representou para a economia do sul da Flórida é difícil. Sua chegada coincidiu com a entrada de novos moradores ricos que impulsionaram os gastos. Ainda assim, estimativas locais apontam impactos na casa dos bilhões de dólares, indo muito além do novo estádio e de seu entorno.
Messi, considerado por muitos o maior jogador de futebol de todos os tempos, ajudou a consolidar Miami como um centro de futebol e de outros grandes eventos esportivos internacionais. A vizinha Miami Gardens sediou a final da Copa América de 2024, vencida pela Argentina com Messi como capitão. No ano seguinte, o mesmo estádio recebeu oito jogos do Mundial de Clubes da FIFA, incluindo dois com o Inter Miami. Agora, prepara-se para sediar sete partidas da Copa do Mundo da FIFA neste verão.
Esses eventos, junto com outros como o Grande Prêmio de Miami de Fórmula 1, o torneio de tênis Miami Open e o World Baseball Classic, geram bilhões de dólares em atividade econômica, disse Suzanne Amaducci, responsável pela área imobiliária do escritório Bilzin Sumberg e assessora externa do comitê organizador da Copa do Mundo de 2026 em Miami. Eles também expõem visitantes internacionais aos bairros, restaurantes e outras atrações da região.
“Com Messi, realmente passamos a focar em um público e cliente internacionais”, disse Amaducci. “O efeito Messi fez isso crescer exponencialmente.”
Messi assinou com o Inter Miami meses depois de conquistar a Copa do Mundo de 2022 com a Argentina no Catar. Em 2023, levou o Inter Miami, que estava na última posição da MLS quando ele chegou, ao seu primeiro título, na Leagues Cup. No ano passado, o time venceu sua primeira MLS Cup, tornando-se campeão da liga.
O valor do Inter Miami saltou para cerca de US$ 1,45 bilhão em 2026 — o maior da MLS — ante US$ 585 milhões em 2022, antes da chegada de Messi, segundo a Sportico, publicação especializada na avaliação de equipes. A receita foi de cerca de US$ 200 milhões no ano passado, colocando o clube entre os sete da MLS que superaram a marca de US$ 100 milhões, segundo a publicação.
O contrato de Messi com o Inter Miami inclui remuneração anual garantida de US$ 20,4 milhões, segundo a associação de jogadores da MLS. Mas o valor total é maior, já que inclui uma participação acionária no clube após sua aposentadoria. No ano passado, Messi assinou uma extensão de contrato até a temporada de 2028.
O poder de Messi
Do ponto de vista econômico, seu impacto mais do que justifica esse contrato elevado. Sua presença lota estádios não apenas em casa, mas também nas cidades onde o Inter Miami joga fora. Uma partida em março contra o D.C. United, em Baltimore, atraiu mais de 72 mil torcedores, estabelecendo recorde de público para o time mandante.
Messi também reforçou a posição de Miami como um dos principais polos do futebol nos Estados Unidos. Em 2024, a FIFA abriu um novo escritório de sua divisão jurídica e de compliance na região, antes sediado em Zurique.
O FC Barcelona, clube espanhol onde Messi iniciou e passou a maior parte de sua carreira, transferiu no ano passado suas operações comerciais nos EUA de Nova York para Miami.
Neste ano, a Associação de Futebol da Argentina deve inaugurar um novo escritório e centro de treinamento na região de Miami para promover sua marca nos Estados Unidos. Esses planos já estavam em andamento, mas foram acelerados após a ida de Messi para o Inter Miami, disse Leandro Petersen, diretor comercial e de marketing da entidade.
“A presença dele fortalece a marca da AFA — fortalece tudo o que estamos fazendo”, disse Petersen.
Mercado imobiliário
Messi também impulsionou o mercado imobiliário do sul da Flórida, segundo corretores e incorporadoras. Ele possui imóveis como um apartamento em Sunny Isles Beach e uma casa à beira-mar em Fort Lauderdale. No ano passado, ampliou esse portfólio com a compra de quatro unidades no Cipriani Residences Miami, a poucos minutos do novo estádio.
As compras de Messi aumentam o interesse pelos empreendimentos onde investe e pelas áreas ao redor, disse Kevin Venger, cofundador da incorporadora One Thousand Group. David Beckham, coproprietário do Inter Miami, comprou um apartamento em um dos projetos de Venger em 2020, e logo depois amigos dele também adquiriram unidades, afirmou.
Corretores têm usado Messi e a próxima Copa do Mundo em materiais de divulgação de imóveis, disse Miltiadis Kastanis, diretor executivo de vendas da Compass. Ele destacou que compradores internacionais representam uma parcela relevante do mercado do sul da Flórida — quase metade das vendas de novos empreendimentos, pré-construção e conversões de condomínios, segundo a associação local de corretores.
“Os compradores internacionais são os verdadeiros fãs apaixonados por futebol”, disse Kastanis.
Messi também trouxe mais visibilidade para Miami, atraindo turistas, afirmou David Whitaker, diretor do Greater Miami Convention & Visitors Bureau. No ano passado, a taxa de ocupação hoteleira do condado de Miami-Dade foi de 74%, a quarta mais alta dos Estados Unidos, segundo dados da STR compilados pelo órgão.
Esses turistas, somados a uma base local de fãs cada vez mais engajada, impulsionaram as receitas nos setores de hotelaria e alimentação. Restaurantes e bares criaram itens com o nome do jogador, enquanto murais com sua imagem se espalharam pela cidade.
Steve Turk, sócio da firma de aluguel por temporada Tangy Management, disse que os imóveis em Miami têm sido reservados a preços mais altos nos fins de semana de jogos do Inter Miami, especialmente nas áreas próximas ao estádio. O resultado, segundo ele: “Mais demanda, preços mais altos e um novo tipo de viajante entrando no mercado quase da noite para o dia.”
No Grails Miami, um bar esportivo no bairro de Wynwood, eventos para assistir aos jogos do Inter Miami lotam o espaço, que tem mais de 70 televisores e capacidade para 400 pessoas, disse a gerente Lea Stevenson. Os clientes levam recortes gigantes com o rosto de Messi, e o bar oferece um coquetel chamado “Messi Mule”. Segundo ela, a equipe é dobrada nos dias de jogo e as vendas chegam a triplicar em relação aos dias sem partidas.
“O impacto monetário é enorme”, disse Stevenson.
Escreva para Arian Campo-Flores em arian.campo-flores@wsj.com
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: The Wall Street Journal

