Apple, Berkshire e Walmart têm novos CEOs. Quem vai se sair melhor?

Apple, Berkshire Hathaway e Walmart, três das firmas mais emblemáticas dos Estados Unidos, têm novos CEOs. É uma troca de guarda e tanto.
Cada um deles sucede, em alguma medida, um antecessor difícil de substituir. Como vão se sair? E em qual deles você apostaria?
Na Apple, John Ternus substituiu Tim Cook. Greg Abel assumiu o posto de Warren Buffett na Berkshire. E John Furner sucedeu Doug McMillon no Walmart.
Para ter uma ideia do tamanho dessas transições, basta pensar na presença das três firmas na vida dos americanos. Cerca de 150 milhões de pessoas fazem compras no Walmart a cada semana. Mais de 120 milhões têm iPhones. Livros sobre Buffett venderam milhões de exemplares, e as três companhias empregam, juntas, mais de um milhão de pessoas.
É impossível saber quantos americanos possuem ações dessas firmas. Anos atrás, Buffett lamentou comigo que nem ele sabia ao certo quantos acionistas a Berkshire tinha.
Segundo o instituto Gallup, 62% dos americanos investem em ações, fundos ou ETFs – cerca de 212 milhões de pessoas. Certamente, muitos milhões têm papéis das três companhias, diretamente ou por meio de fundos de índice.
Também seria um erro supor que firmas desse porte prosperam sozinhas. Nos últimos cinco anos, as ações da Target caíram 35%, enquanto as do Walmart subiram 116%. O valor de mercado da Apple equivale a 38 vezes o da Sony. E, enquanto a Berkshire cresceu, outro conglomerado que já foi admirado, a General Electric, entrou em crise.
Dos quase US$ 6,8 trilhões que Apple, Berkshire e Walmart valem juntas, US$ 6,3 trilhões foram gerados durante as gestões de Cook, Buffett e McMillon. Isso diz algo sobre essas lideranças.
Agora é a vez dos sucessores.
Apple
John Ternus, de 51 anos, assumiu em 1º de setembro e já estreou sob os holofotes: comandou a apresentação anual de produtos da Apple. Entre os lançamentos estava o primeiro celular dobrável da firma, o iPhone Duo, de US$ 2 mil.
Californiano, Ternus estudou engenharia mecânica na Universidade da Pensilvânia, onde integrou a equipe de natação. Formou-se em 1997 – o mesmo ano que Elon Musk – e entrou na Apple em 2001, quando Steve Jobs ainda comandava a companhia.
Em um discurso aos formandos da universidade, dois anos atrás, aconselhou: “Presuma sempre que você é tão inteligente quanto qualquer outra pessoa na sala, mas nunca presuma que sabe tanto quanto ela.”
O oitavo CEO da Apple construiu sua carreira à frente da engenharia de hardware de diferentes produtos. Também supervisionou a passagem dos processadores Intel para os chips desenvolvidos pela própria firma.
“John não é do tipo que compra briga”, diz uma pessoa próxima à Apple. “Mas não se deixa pressionar. Lida bem com as pessoas e se concentra em fazer o trabalho.”
Se Cook era um gênio das operações, Ternus chega com experiência em produtos justamente quando a Apple precisa encontrar seu lugar na próxima geração de tecnologias movidas por inteligência artificial.
Depois de vender mais de 3 bilhões de iPhones desde 2007, é difícil imaginar o que poderia ocupar o lugar do aparelho. Talvez alguma coisa ocupe.
Amit Daryanani, analista da Evercore ISI, elevou seu preço-alvo para a ação da Apple de US$ 365 para US$ 380; o papel está em US$ 337. Uma pesquisa anual que ele faz sobre a intenção de compra de iPhones aponta para um ciclo de troca de aparelhos melhor que o esperado, impulsionado pelos lançamentos recentes.
O analista prevê aumento nas unidades vendidas e no preço médio, à medida que mais consumidores escolham modelos sofisticados. As vendas do Duo, porém, devem ganhar força aos poucos.
Ternus enfrenta uma dificuldade: a ação da Apple já é cara, negociada a 38 vezes o lucro dos últimos 12 meses. Para usar um dos advérbios favoritos de Jobs, a expectativa está “insanamente” alta. Ainda assim, eu não apostaria contra a capacidade de Ternus de alcançá-la.
Berkshire Hathaway
Greg Abel é o mais conhecido dos novos CEOs. Também é o que está há mais tempo no cargo, desde 1º de janeiro.
Mas a principal razão para sua fama é suceder Buffett, ao lado de quem já apareceu na reunião anual da Berkshire, conhecida como o “Woodstock dos capitalistas”. Abel, de 64 anos – meia-idade para os padrões da firma – presidiu sua primeira reunião em 2 de maio.
Ele é um executivo de operações, não um investidor, e pode dar mais atenção à gestão dos negócios do que às aplicações financeiras. “O foco na excelência operacional não diminuiu”, disse recentemente ao The Wall Street Journal.

Os investimentos, porém, são essenciais para o funcionamento da Berkshire. Buffett, hoje com 96 anos e presidente emérito, aparentemente ainda toma decisões nessa área.
Enquanto isso, Todd Combs, um dos gestores de investimentos da companhia, saiu, e o outro, Ted Weschler, não teve suas atribuições ampliadas. Há um vazio a preencher?
Abel recomprou quase US$ 8 bilhões em ações no segundo trimestre. Somadas a um volume menor no primeiro, foram as primeiras recompras em alguns anos. No fim de maio, a Berkshire também fez uma aquisição modesta para seu porte: comprou a construtora Taylor Morrison Home por US$ 8,5 bilhões em dinheiro, incluindo a dívida assumida.
Desde que Abel assumiu, a ação da Berkshire subiu 1,2%, ante uma alta de 12,6% do índice S&P 500. Seria precipitado tirar conclusões daí, sobretudo em um mercado empolgado com a inteligência artificial – cenário em que se poderia esperar um desempenho inferior da Berkshire.
Animado com os resultados das operações ferroviárias e industriais, Brian Meredith, analista do UBS, elevou recentemente seu preço-alvo para a ação classe B de US$ 585 para US$ 604.
A Berkshire tem cerca de US$ 360 bilhões em caixa. O grau de cautela ou ousadia de Abel ao usar esse dinheiro será decisivo para os acionistas. Na avaliação de Meredith, a firma hoje ganha menos do que poderia: aplicar parte desses recursos aumentaria seu potencial de lucro.
Walmart
John Furner, de 52 anos, assumiu o Walmart em 1º de fevereiro e já apresentou três balanços. Até agora, a reação de Wall Street é mista. A ação caiu 7% durante sua gestão, enquanto o S&P 500 subiu 11%. Ainda é cedo para julgá-lo, e parte da pressão sobre o papel – especialmente a inflação – está fora de seu controle.
Mesmo assim, é razoável imaginar que Furner espere uma recuperação neste outono americano. Seu time de futebol americano universitário, o Arkansas Razorbacks, também começou mal a temporada, com uma vitória e duas derrotas.
Filho de um executivo do Walmart, Furner começou na firma em 1993, como funcionário do setor de jardinagem da loja número 100, perto da sede em Bentonville, no Arkansas. Trabalhou na China, comandou o Sam’s Club e ocupou um posto que costuma abrir caminho para o comando do grupo: o de presidente e CEO do Walmart nos Estados Unidos.

Furner gosta de tocar rock na guitarra, atividade que, segundo ele, o ajuda a ouvir melhor e a pensar de forma mais estratégica. Em uma entrevista, contou o que aprendeu trabalhando na fazenda do avô: quando precisava de algo, ele não comprava; ia até o galpão, juntava o que encontrava e resolvia o problema sem gastar dinheiro.
Kelly Bania, analista da BMO Securities, recomenda a compra da ação e tem preço-alvo de US$ 126, diante de uma cotação de US$ 110. Após se reunir com Furner e outros executivos, ela disse que a administração está bastante confiante na temporada de volta às aulas.
Segundo a analista, o Walmart vem ganhando espaço entre consumidores de renda mais alta, e o volume vendido em alimentos cresce muito mais rapidamente que o dos concorrentes.
A pressão do comércio eletrônico ainda reduz os ganhos da companhia, avalia Bania, mas essa situação tende a melhorar nos próximos anos. Música para os ouvidos de Furner.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Barron’s