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Bitcoin cai para US$ 68 mil com risco geopolítico no radar

O bitcoin (BTC) até tentou. Chegou a superar a marca psicológica dos US$ 70 mil na segunda-feira (6), mas não conseguiu sustentar o nível e caiu para a faixa dos US$ 68 mil. No pano de fundo, o mesmo fator que vem balanço os outros mercados: geopolítica.

O presidente Donald Trump deu prazo até a noite desta terça-feira (7) para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo global. O Brent sobe perto de 0,6%, na casa dos US$ 110.

Para André Franco, CEO da Boost Research, o petróleo elevado mantém a pressão inflacionária no radar, reduz as chances de corte de juros e, junto com o dólar forte, drena liquidez dos ativos de risco.

Um cessar-fogo de 45 dias também chegou a entrar em discussão, mas não avançou. Se uma pausa no conflito sair – mesmo que parcial – o impacto poderia ser relevante, segundo analistas, porque o alívio no prêmio de risco do petróleo tenderia a ser rápido, o que ajudaria ativos como o BTC.

“Isso seria suficiente para aliviar os piores temores inflacionários e dar algum fôlego ao BTC no topo da faixa, mas não o bastante para eliminar totalmente o peso macro”, escreveu Jasper de Maere, estrategista da Wintermute.

No radar desta semana, o mercado também acompanha o PCE dos EUA, indicador de inflação preferido do Federal Reserve (Fed, o banco central american), que sai na quinta-feira (9). O dado deve mostrar se o choque do petróleo já começou a contaminar os preços.

Base forte, mas com sinal amarelo

Apesar da volatilidade recente, o pano de fundo segue relativamente construtivo, de acordo com especialistas. Em março, os ETFs absorveram cerca de 50 mil BTC – o ritmo mais forte desde outubro de 2025. E só nesta semana já voltaram a registrar entradas relevantes, com US$ 471,3 milhões em um único dia.

Do lado corporativo, a Strategy adicionou 44 mil BTC no mês passado e segue comprando. Ao mesmo tempo, nomes como Morgan Stanley e Charles Schwab avançam na oferta de produtos ligados a cripto.

Mas os sinais mais recentes também deram um alerta.

“Instituições compraram e seguraram nas três primeiras semanas de março, mas a posição gradualmente passou a neutra e agora tende a vendas líquidas à medida que a tensão geopolítica persiste”, escreveu Maere. “O fluxo institucional tem sido o principal pilar de sustentação do BTC desde o início do conflito.”

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30.

Bitcoin (BTC):  -1,95%, US$ 68.286,62

Ethereum (ETH): -3,08%, US$ 2.087,11

BNB (BNB): -1,47%, US$ 596,53

XRP (XRP): -3,40%, US$ 1,30

Solana (SOL): -4,01%, US$ 79,18

Outros destaques do mercado cripto

Não dá para pagar café com bitcoin. Quando o BTC surgiu, lá no fim de 2008, uma das ideias de Satoshi Nakamoto era que a cripto funcionasse como dinheiro digital para pagamentos. Só que isso nunca pegou de verdade. E quem cutucou isso agora foi Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos do Banco Central. Em conversa com o jornal Valor Econômico, ele disse “até agora não se consegue pagar um café com bitcoin”.

Drex segue vivo na Câmara. No fim do ano passado, o Banco Central colocou o Drex – o real digital – em uma pausa estratégica. O motivo: revisar a tecnologia. A blockchain testada até aqui não resolveu os problemas. Mas isso não significa que o projeto morreu. Na Câmara, as discussões seguem. A Comissão de Desenvolvimento Econômico (CDE) apresentou um parecer com diretrizes para o Drex, caso ele avance no futuro.

Strategy volta às compras (e não foi pouco). A Strategy, maior tesouraria corporativa de bitcoin, tinha dado uma pausa nas compras na semana passada – e isso já tinha deixado muita gente com a pulga atrás da orelha. Isso porque os movimentos da firma costumam ser lidos como termômetro do mercado. Mas a pausa durou pouco. A companhia anunciou ontem a compra de mais 4.871 bitcoins. Com isso, passou a deter 766.970 BTC no caixa. É bitcoin para mais de metro.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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