Com juros altos e aversão ao risco, bitcoin entra fevereiro sob pressão
Faz um tempo que o bitcoin não atrai os holofotes do mercado. Desde novembro do ano passado, a criptomoeda não tem tido fôlego para se manter acima dos US$ 100 mil em função da cautela dos investidores que têm evitado ativos de maior risco. O pano de fundo para esse movimento tem relação com o cenário de juros dos Estados Unidos e com a escalada das tensões geopolíticos nos últimos meses. Esses fatores desencadearam uma migração do capital para investimentos mais seguros que, segundo especialistas, resultaram na queda de 3,88% do ativo em janeiro de 2026.
Na última quarta-feira (28), o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) decidiu manter os juros inalterados entre 3,50% e 3,75%, como previa o mercado. A autoridade monetária disse ainda que está comprometido na busca pela meta de 2% na inflação e pleno emprego, e que a estratégia de política monetária que está sendo adotada é a correta para se alcançar o duplo mandato. Sem uma indicação de corte dos juros, a tendência é que os investidores mantenham seus recursos alocados nos títulos públicos americanos devido à combinação de rentabilidade atrativa e menor risco.
“Em um ambiente de juros elevados, o comportamento dos investidores muda. Nesse cenário, os títulos do governo se tornam mais atrativos, investimentos conservadores passam a oferecer retornos mais competitivos e ativos mais voláteis perdem espaço no curto prazo”, diz Rony Szuster, Head de Research do Mercado Bitcoin.
O surgimento de novas tensões geopolíticos também contribuiu na queda do apetite a risco dos investidores. Em janeiro, a prisão de Nicolás Maduro durante uma operação militar dos Estados Unidos, o desejo de Trump em anexar a Groenlândia ao território norte-americano aumentaram e os conflitos no Irã, que resultaram na morte de milhares de manifestantes, elevaram a instabilidade internacional.
A combinação desses eventos resultou na saída líquida de US$ 1 bilhão dos ETFs (Exchange Traded Fund, fundo atrelado a uma carteira de ativos que busca um retorno semelhante a um índice de referência) de bitcoin à vista apenas em janeiro, segundo a SosoValue, plataforma de dados de cripto. Já nos últimos três, a retirada chega a US$ 5,6 bilhões.
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O ambiente desfavorável tem barrado qualquer recuperação do ativo digital que, desde novembro, não consegue voltar para o patamar dos US$ 100 mil. Na sexta-feira (30), por exemplo, o BTC era negociado a US$ 82,5 mil após sofrer uma queda de 5,96% no acumulado das últimas 24h, segundo dados da CoinMarketCap. Na semana, a depreciação chega a 7,24%. Já em janeiro, a queda chega a X%.
“O BTC perdeu o suporte da média móvel exponencial de 100 semanas, em US$ 86.124. Caso o fechamento semanal se confirme abaixo desse nível, o cenário aponta para um possível teste da mínima de novembro, na região de US$ 80.600”, diz Guilherme Prado, country manager da Bitget no Brasil.
Bitcoin sobre pressão em fevereiro
Para fevereiro, a previsão é que o bitcoin sofra ainda com as correções do mercado. André Franco, CEO da Boost Research, avalia que o cenário econômico não indica melhorias do ponto de vista macroeconômico. “Estamos vendo alguns solavancos na economia e em fevereiro pode seguir essa mesma tendência. É óbvio que ninguém tem bola de cristal, mas entendemos que o cenário para o ano tem que buscar preços mais baixos do bitcoin”, destaca Franco.
Ainda assim, a queda da criptomoeda abre janelas de oportunidades para os investidores que possuem visão de investimento de médio a longo prazo. Sustentado pela tese de reserva de valor, o ativo tende a ganhar fôlego à medida que esse papel seja mais reconhecido pelo mercado, o que deve refletir em preços mais elevados no futuro. “O bitcoin pode atestar preços mais baixos, mas pensando no longo prazo e na possibilidade do BTC chegar a US$ 200 mil, é bem provável que esse preço esteja em níveis atrativos”, afirma.
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Autor: Daniel Rocha
