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Como os custos ‘invisíveis’ de taxas de administração podem corroer o rendimento de ETFs

Investir em um ETF é uma estratégia eficiente de aplicar recursos negociados em bolsa porque permite acessar o desempenho de um ativo (como dólar ou ouro) ou de um grupo de ativos (como ações) de uma única vez de forma transparente e pagando pouco.

Só que “custo baixo” pode ser relativo, e é aqui que mora o problema: as taxas de administração, que podem sair caro mesmo em um investimento tão simples.

Vamos aos números para dimensionar o tamanho do efeito das taxas. Vamos partir de um investimento de R$ 10 mil feito em algumas janelas.

Em 12 meses, o Ibovespa subiu 32%. Em cinco anos, 50,8%. Em 10 anos, 245%, segundo dados da Bloomberg.

Há oito ETFs que seguem o Ibovespa na B3 hoje, com diferenças na taxa de administração e na liquidez (o volume negociado).

O mais negociado é o BOVA11, da gestora global BlackRock, com volume médio diário de R$ 901 milhões. O mais barato em custos é o BBOV11, do Banco do Brasil.

ETF Taxa de administração ao ano Volume médio diário*
BBOV11 (Banco do Brasil) 0,00% R$ 7,2 milhões
IBOB11 (BTG Pactual) 0,03% R$ 2,8 milhões
BOVA11 (BlackRock) 0,10% R$ 901 milhões
BOVV11 (Itaú Asset) 0,10% R$ 95 milhões
BOVX11 (XP Asset) 0,15% R$ 13,1 milhões
BOVB11 (Bradesco Asset) 0,20% R$ 11,2 milhões
BOVS11 (Safra Asset) 0,25% R$ 529 mil
XBOV11 (Caixa) 0,50% R$ 121 mil
*Volume de negociação. Fonte: corretoras e gestoras

Em um ano, uma aplicação de R$ 10 mil em um ETF que segue o Ibovespa e que tenha cobrança de 0,50% de administração (XBOV11) no ano gera um impacto de aproximado R$ 56 em relação a um com “zero taxa” (BBOV11), já descontado o imposto de renda de 15% sobre o lucro obtido, como funciona na renda variável.

Parece pouco, de fato. No saldo do investidor na corretora, é provável que tudo isso se dilua “aos olhos” porque janelas muito curtas permitem que esses efeitos, pequenos em valores, não sejam tão perceptíveis.

Mas essa taxa não é um evento pontual. Ou seja, trata-se de um custo permanente, que é descontado todos os dias do patrimônio. Ou seja, a taxa é pequena, mas tem impacto constante.

Partindo da visão de que o investimento em bolsa deve ser pautado muito mais pelo longo prazo, a taxa de administração começa a corroer o ganho justamente com o passar do tempo.

Veja abaixo como fica o saldo de uma aplicação de R$ 10 mil por cinco anos de acordo com diferentes taxas de administração:

Valor inicial Taxa Valor final em 5 anos
R$ 10.000 0,00% R$ 14.316
R$ 10.000 0,03% R$ 14.297
R$ 10.000 0,10% R$ 14.252
R$ 10.000 0,15% R$ 14.219
R$ 10.000 0,20% R$ 14.187
R$ 10.000 0,25% R$ 14.155
R$ 10.000 0,50% R$ 13.999

Um investimento de R$ 10 mil mantido por cinco anos, já descontados os impostos, vai resultar em R$ 13.949 no caso do ETF com a maior taxa de administração, contra R$ 14.316 em um ETF com taxa zerada – trata-se de uma diferença de R$ 317.

A título de simulação, em um horizonte mais longo, de 10 anos, a diferença fica em R$ 1.431 (veja tabela abaixo).

A simulação permite identificar como uma cobrança “pequena” – da taxa de administração – em um investimento simples tem um efeito relevante para o bolso.

Valor inicial Taxa de administração Valor final em 10 anos
R$ 10.000 0,00% R$ 30.825
R$ 10.000 0,03% R$ 30.669
R$ 10.000 0,10% R$ 30.300
R$ 10.000 0,15% R$ 30.042
R$ 10.000 0,20% R$ 29.791
R$ 10.000 0,25% R$ 29.546
R$ 10.000 0,50% R$ 29.394

Há ainda um ponto importante ao qual o investidor deve ficar atento: a liquidez.

Um ETF com maior volume de negociação, caso do BOVA11, costuma ter menor diferença entre o preço de compra e o de venda, além de permitir execução de ordens com mais facilidade.

Isso reduz o custo “invisível” de entrar e sair do investimento. Para quem movimenta valores relevantes ou faz ajustes frequentes no portfólio, pagar um pouco mais pode fazer sentido por motivos de liquidez e execução.

É por isso, inclusive, que grandes gestoras utilizam esse instrumento para aplicar recursos na bolsa de valores quando não fazem uma seleção ativa de ações.

Mas é importante separar as coisas: liquidez reduz custos pontuais de negociação, enquanto a taxa de administração é um custo permanente. E, quanto maior esse custo, maior o impacto acumulado no longo prazo.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Juliana Machado

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