Do mundo digital para as bancadas: a nova geração de deputados eleitos na casa dos 20 anos
Nas eleições 2026, jovens candidatos deram a dimensão do peso que a atuação nas redes sociais e em ambientes virtuais ganhou também para a política.
Lucas Pavanato (PL), 28 anos, recebeu 3.038.438 votos para se tornar o candidato a deputado federal mais votado no estado mais populoso do país, em São Paulo. Eduarda Campopiano (PL), 23 anos, acumulou 1.956.238 votos como candidata a deputada estadual em São Paulo.
O InvestNews fez um levantamento, com base em informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), dos 10 deputados federais e dos 10 deputados estaduais ou distritais mais votados entre os eleitos com menos de 30 anos de idade. A lista reúne candidatos que tinham entre 18 e 29 anos no 1º turno das eleições 2026.
A análise mostra jovens eleitos em momentos diferentes de construção de sua carreira política. Em comum, o domínio da linguagem no mundo virtual, típico de uma geração que é nativa digital.
No campo da direita, vários nomes chegaram ao pleito depois de acumular audiência digital (leia-se milhares e até milhões de seguidores), mandatos anteriores em alguns casos e projeção eleitoral.
Na esquerda, apareceram casos de estreia com votação alta e de lideranças que avançaram para espaços maiores a partir de movimentos da sociedade civil, câmaras municipais ou assembleias.
Quem são os jovens deputados federais mais votados
Lucas Pavanato lidera o ranking federal entre os eleitos com menos de 30 anos. Saiu da militância de rua e das redes, passou pelo MBL, rompeu com o movimento e se aproximou do bolsonarismo.
Em 2024, tornou-se o vereador mais votado de São Paulo. Dois anos depois, chegou à Câmara com mais de 3 milhões de votos e já conta com cerca de 5,4 milhões de seguidores no Instagram.
André Fernandes (PL-CE) aparece em segundo no ranking das eleições 2026. Começou como youtuber, migrou para conteúdo político, foi deputado estadual, deputado federal e candidato à Prefeitura de Fortaleza, em que chegou ao segundo turno em 2024. Em 2026, foi reeleito federal com 684.372 votos.
A direita também aparece no top 5 com Lucas Polese (PL-ES), eleito deputado federal com 419.735 votos depois de passar pela Assembleia Legislativa do Espírito Santo. Antes do mandato, usava as redes para fiscalizar gastos públicos e defender pautas liberais e conservadoras.
Na esquerda, o destaque é Ana Elisa (PT-MG), 21 anos, que disputou sua primeira eleição e recebeu 524.219 votos. Estudante de Direito, ganhou projeção com vídeos políticos, dialogou com jovens nas redes e cobrou do próprio PT uma linguagem mais próxima da geração Z.
Guilherme Cortez (PSOL-SP) mostra outra rota. Veio do movimento estudantil, participou das ocupações escolares de 2015, foi eleito deputado estadual em 2022 e chegou à Câmara em 2026 com 275.450 votos. No caso dele, a presença digital se soma a uma trajetória anterior de militância e mandato.
Os dez deputados federais com menos de 30 anos mais votados eleições 2026 foram:
- Lucas Pavanato (PL-SP), 28 anos – 3.038.438 votos
- André Fernandes (PL-CE), 28 – 684.372 votos
- Ana Elisa (PT-MG), 21 – 524.219 votos
- Lucas Polese (PL-ES), 29 – 419.735 votos
- Guilherme Cortez (PSOL-SP), 28 – 275.450 votos
- Guilherme Kilter (Novo-PR), 24 – 269.832 votos
- Ana Júlia (PT-PR), 26 – 184.691 votos
- Alvinho Lira (PP-AL), 20 – 172.628 votos
- Sandro Filho (PP-BA), 21 – 167.394 votos
- Lula da Fonte (PP-PE), 25 – 147.913 votos
Quem são os jovens deputados estaduais mais votados
Entre os deputados estaduais e distritais nas eleições 2026, Eduarda Campopiano (PL-SP) liderou com 1.956.238 votos. Ela começou a produzir conteúdo político nas redes ainda jovem, foi eleita vereadora de Praia Grande em 2024 e, dois anos depois, deu o salto para a Assembleia de São Paulo.
Bruno Engler (PL-MG) veio em seguida, com 675.940 votos. Ele chega com quase uma década de experiência eleitoral: tentou a Câmara Municipal de Belo Horizonte em 2016, foi eleito deputado estadual em 2018, reeleito em 2022 e disputou a prefeitura da capital mineira em 2020 e 2024.
A terceira é Duda Hidalgo (PT-SP), eleita com 154.953 votos. Advogada formada pela USP, veio do movimento estudantil, com atuação em permanência universitária, cotas e moradia estudantil. Antes da Assembleia, foi vereadora e já havia tentado uma vaga estadual em 2022.
Gilson Machado Filho (Podemos-PE) e Bella Carmelo (PL-CE) completam o top 5 estadual. Ele é filho de Gilson Machado Neto, ex-ministro do Turismo de Jair Bolsonaro, e foi vereador do Recife antes de chegar à Assembleia de Pernambuco.
Bella Carmelo foi vereadora de Fortaleza, produz conteúdo conservador e cristão nas redes e é casada com Carmelo Neto, liderança jovem do bolsonarismo cearense.
Os dez deputados estaduais ou distritais com menos de 30 anos mais votados eleições 2026 foram:
- Eduarda Campopiano (PL-SP), 23 anos – 1.956.238 votos
- Bruno Engler (PL-MG), 29 – 675.940 votos
- Duda Hidalgo (PT-SP), 27 – 154.953 votos
- Gilson Machado Filho (Podemos-PE), 28 – 132.322 votos
- Bella Carmelo (PL-CE), 25 – 130.802 votos
- Leonardo Grandini (PT-SP), 24 – 122.158 votos
- Chiara Biondini (PL-MG), 24 – 112.818 votos
- Maria Clara Matos Marra (PSDB-MG), 27 – 91.532 votos
- João Pires (PSD-RJ), 28 – 90.195 votos
- Josimar Cunha Rodrigues Júnior (PL-MA), 23 – 83.112 votos
O que as redes explicam nas eleições 2026
No recorte analisado, o PL teve mais peso entre os federais nas eleições 2026: foram 8 nomes, ou 40%. PT e PP tiveram 4 cada um.
Entre os deputados estaduais e distritais eleitos, a distribuição foi mais pulverizada. O PL teve 5 nomes, enquanto os partidos da coligação presidencial de Lula somaram 6: 2 do PT e 4 do PSB.
A presença digital ajuda a organizar a leitura da lista. Para Camila Rocha, diretora científica do CCI/Cebrap, a força das redes sociais nas eleições de 2026 é resultado de um processo que ganhou impulso a partir da pandemia.
“A importância que as redes sociais tiveram nessas eleições passou por um processo, ligado à pandemia, em que essa ascensão de jovens que ocupam um espaço político começa. É um marco importante, pois a direita aproveitou para ampliar o espaço digital que já tinha e, para a esquerda, para construir as bases que não possuía.”
Entre os mais votados, há candidatos que chegaram à eleição com bases milionárias nas redes, outros que transformaram mandatos locais em projeção estadual ou nacional e alguns que combinaram militância, movimento estudantil e linguagem digital para ampliar alcance.
De podcasts a debates online
“Essa eleição mostrou muito a busca por vozes autênticas e que mantenham uma coerência no discurso político. Muito dessa exposição nas eleições de 2026 veio da esquerda, que passou a usar a estratégia de ‘coliseu’ e participar de espaços normalmente ocupados pela direita, como podcasts mais conservadores e debates online, para alcançar esse público jovem.”
O estudo “O Partido Digital Bolsonarista”, do CCI/Cebrap e do qual Camila Rocha ajudou a elaborar, ajuda a contextualizar por que parte dos nomes da direita chegou a 2026 com uma trajetória já acumulada.
O conceito descreve uma organização política que atua no ambiente digital com influenciadores, circulação de conteúdo, cadeias de lealdade, interação entre lideranças e capacidade de projetar candidatos.
Essa leitura ajuda a explicar um ambiente em que lideranças como Pavanato e André Fernandes chegaram ao pleito depois de acumular audiência, mandato e conexões digitais.
Na esquerda, os exemplos aparecem em estágios diferentes: Ana Elisa transforma audiência digital em estreia eleitoral de grande votação; Guilherme Cortez combina movimento estudantil, mandato estadual e expansão digital; Duda Hidalgo avança da política local e do movimento estudantil para a Assembleia.
“Nesta eleição, a esquerda mostrou que já cria as estruturas para capitalizar a atenção do jovem, por meio de cortes e análises longas, por exemplo, como forma de ganhar espaço.”
“Agora, precisa descobrir como acessar o eleitorado jovem masculino, algo que é capturado bem pela direita nesse pleito.”
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Autor: Patrick Fuentes