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Europa busca reduzir pela metade as importações de carros da China

A União Europeia vai adotar medidas de salvaguarda para reduzir pela metade as importações de carros híbridos vindos da China, segundo pessoas a par das discussões.

O chefe de negociações comerciais da UE, Maros Sefcovic, informou autoridades europeias que o mecanismo para conter as importações ainda precisa ser debatido com os líderes do bloco na próxima semana, mas que o uso de salvaguardas é o caminho mais provável.

Caso haja acordo, as medidas poderão ser implementadas até dezembro.

Medidas de salvaguarda costumam assumir a forma de cotas tarifárias, que aplicam uma taxa sobre importações que excedem determinado volume para conter fluxos excessivos.

O modelo estaria em conformidade com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), exigência apontada tanto pela China quanto pela UE.

Sefcovic disse às autoridades que a ação reduziria a entrada de híbridos na UE para cerca de 400 mil por ano, frente aos aproximadamente 800 mil previstos para 2026, disse a fonte.

Um porta-voz da Comissão Europeia, órgão que lida com as questões comerciais do bloco, preferiu não comentar.

Montadoras chinesas como a Chery Automobile aumentaram massivamente o envio de veículos para a UE em resposta à desaceleração em seu mercado doméstico.

O movimento agravou a crise vivida pelas concorrentes europeias, que estão entre as de pior desempenho global. As vendas de carros do Mercedes-Benz Group caíram 8% no terceiro trimestre, enquanto a Volkswagen reduziu sua previsão de lucro no mês passado, após aviso semelhante emitido pela BMW em junho.

Sefcovic se reuniu com o ministro do Comércio da China, Wang Wentao, em Pequim, na última semana, para debater o tema. Após o encontro, emitiram uma declaração conjunta afirmando ter alcançado um “entendimento sobre o comércio de veículos híbridos em conformidade com a OMC”.

O negociador-chefe da UE apresentará o balanço aos embaixadores do bloco neste domingo (11), e os líderes europeus se reunirão em Bruxelas na quinta e sexta-feira para debater os próximos passos.

Na sexta-feira (9), a ACEA, associação das montadoras europeias, comemorou o anúncio do acordo preliminar. “Uma desestabilização brusca e repentina do mercado na Europa, aliada a guerras de preços que espelham a atual situação do mercado na China, seria altamente prejudicial para a economia europeia como um todo”, afirmou a diretora-geral da ACEA, Sigrid de Vries, em nota.

A disparada nas vendas de veículos híbridos chineses tornou-se um símbolo da frustração da Europa com Pequim, embora seja apenas uma fração do problema. Os líderes da UE estão apreensivos com um déficit comercial que ultrapassa 1 bilhão de euros (cerca de US$ 1,1 bilhão) por dia e buscam formas de impedir que a China inunde o continente com produtos subsidiados de baixo custo que corroem a indústria local.

“O déficit comercial é um desafio gigantesco para a UE, sentido em cada Estado-membro. É insustentável e exige um caminho crível para o reequilíbrio”, disse Sefcovic a jornalistas em Pequim na sexta-feira. “Precisamos defender nossas indústrias e restaurar a igualdade de condições que foi distorcida pela sobrecapacidade global.”

O acordo terá duração de quatro anos, segundo Sefcovic, mas nenhum dos lados detalhou como pretende moderar as exportações de híbridos. Ele acrescentou que deve voltar a se reunir com Wang até janeiro, antes de uma nova rodada de negociações em março.

Em nota, o Ministério do Comércio da China afirmou que os dois lados “reiteraram o compromisso como parceiros comerciais estratégicos em gerir adequadamente as divergências sob as regras da OMC, mantendo laços econômicos e comerciais bilaterais estáveis e mais equilibrados”.

As vendas de híbridos chineses dispararam em parte por terem escapado das tarifas impostas pela UE sobre veículos elétricos em 2024. Em agosto, os automóveis produzidos na China responderam por cerca de 25% das vendas de híbridos na Europa.

A UE planeja usar o setor de híbridos como um teste que, se bem-sucedido, poderá ser replicado em outros segmentos onde o bloco identifica desequilíbrios comerciais, segundo reportou a Bloomberg no início da semana.

Antes das conversas desta semana, França e Alemanha pediram que a UE amplie significativamente seus poderes de retaliação econômica — sugerindo inclusive considerar o rompimento de laços comerciais com agentes nocivos que deflagrem guerras comerciais.

As duas maiores economias da Europa também querem que o bloco investigue se importações subsidiadas estão prejudicando setores como o químico e o de plásticos, investigações que podem resultar em novas tarifas.

A proposta foi vista como uma tática de pressão sobre Pequim, colocando o peso da Alemanha no apoio a medidas severas a que antes se opunha.

O endurecimento da postura reflete a crescente conscientização da Europa de que seu déficit comercial com a China — que atingiu 360 bilhões de euros no ano passado — está sufocando a indústria local. Ao mesmo tempo, no entanto, a China depende cada vez mais dessas exportações para sustentar seu próprio crescimento.

“Vim aqui com um objetivo claro: começar a reequilibrar a relação comercial entre a UE e a China”, declarou Sefcovic.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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