Treasuries podem ter atingido o teto? Mercado acredita que sim, mas com ressalvas
Com os Treasuries pagando a maior taxa em 24 anos, fica uma pergunta: os títulos do Tesouro americano atingiram o teto? O consenso que impera entre as casas de análise nos EUA é o de que o pior já passou.
Mas tem um porém. O risco de uma alta que leve o papel de 10 anos dos atuais 5,2% para até 6% ao ano, existe, ainda que em menor grau.
Grande parte dos bancos americanos veem alívio gradual daqui para a frente.
Como está o cenário hoje? Os juros longos dos Estados Unidos chegaram a um patamar que não se via havia mais de duas décadas.
O Treasury de 10 anos tocou 5,34% em 1º de outubro, a maior taxa desde 2002, e fechou a sexta-feira (9) em 5,24%. O de 30 anos em 5,60% e o de 2 anos em 4,80%.
E quais as projeções daqui para a frente? Para o fim do ano, Goldman Sachs, Deutsche Bank e Morgan Stanley projetam uma taxa abaixo de 5% para o título de 10 anos. Já o Bank of America (BofA), o Citi e J.P. Morgan se inclinam para um patamar em torno de 5%.
O Morgan Stanley disse que seu cenário pessimista, de 5,25%, já foi alcançado, o que aponta para um ambiente de “yields” (retornos) menores.
Riscos de alta ainda permanecem
Só que ninguém fecha a porta para o outro lado. O diretor de investimentos da Pimco, Dan Ivascyn, afirmou recentemente ver a possibilidade de o Treasury de 10 anos chegar a 6%, patamar que não é visto desde 2000. O gestor advertiu que um nível acima de 5,5% pode enfraquecer crédito e bolsa.
O motivo para a dificuldade de estabelecer um teto está na origem da alta. O juro de 10 anos, historicamente, tende a atingir o pico perto do teto dos juros básicos, atualmente entre 3,75% a 4%.
O papel, portanto, está pagando mais de 1,25 ponto percentual acima da média histórica em relação aos juros de política monetária.
A pressão vem do prêmio das incertezas que se acumulam no ambeinte atual: preços do petróleo e de combustíveis altos com a guerra no Oriente Médio; oferta de dívida pública e privada em elevação, mas com demanda mais fraca.
No curto prazo, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) também pesa: 16 dos 18 dirigentes veem ao menos mais uma alta de juros neste ano.
Impactos para o Brasil
Se os Treasuries tiverem alcançado um teto, isso é uma notícia positiva para o Brasil. Quando as taxas longas americanas de 10 anos passaram de 5,3% ao ano na quarta-feira (7), os juros aqui voltaram a subir, mesmo com o movimento de ajuste deflagrado pelo resultado surpreendente do primeiro turno. Isso ilustra como uma escalada de taxas lá fora pode impactar o mercado local.
Se as taxas dos Treasuries subirem mais um degrau, as condições financeiras globais podem reduzir o espaço do ciclo de cortes da Selic. O BC brasileiro cortou a taxa básica em 0,25 ponto em setembro, para 13,75%, o quinto corte seguido, sem prometer novos.
No entanto, as projeções de mercado preveem mais um ou até dois cortes de juros até dezembro. As opções de Copom, que acompanham o posicionamento do mercado sobre o rumo da política monetária brasileira, mostram que 94,5% dos investidores acreditam que o BC vai cortar a Selic em novembro.
Para dezembro, as opções de Copom colocam 86% de chances de nova redução da Selic.
O cenário externo pode pressionar o ciclo, se a escalada das taxas continuar lá fora.
O que achou dessa notícia? Deixe um comentário abaixo e/ou compartilhe em suas redes sociais. Assim deixaremos mais pessoas por dentro do mundo das finanças, economia e investimentos!
Esta notícia foi originalmente publicada em:
Fonte original
Autor: Redação InvestNews
