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Contrariando montadoras, rádio AM pode voltar a ser obrigatório em carros novos nos EUA

As montadoras americanas vinham tentando deixar o rádio AM no passado. Em vez disso, provocaram algo que parecia quase impensável: uma mobilização bipartidária no Congresso para preservar a faixa de transmissão centenária.

Um grupo de defensores, incluindo firmas de radiodifusão e ex-autoridades federais responsáveis por emergências, vem pressionando parlamentares há anos para tornar o rádio AM obrigatório, depois que montadoras como Tesla, Volvo e BMW deixaram de oferecer esses receptores em modelos novos.

O movimento está dando resultado. Na terça-feira, a Câmara aprovou por ampla maioria a chamada AM Radio for Every Vehicle Act, projeto que prevê a obrigatoriedade do rádio AM em veículos.

O projeto agora segue para o Senado, onde uma proposta relacionada tem 60 copatrocinadores e conta com apoio de republicanos e democratas. Os defensores afirmam que a tecnologia antiga continua sendo uma parte importante da rede de comunicação do governo em situações de emergência e que muitos americanos ainda dependem dela.

“Por mais que nossa tecnologia continue evoluindo, nada mudou o fato de que, se você não tiver redes de celular e não tiver energia elétrica, o rádio será sua linha de vida”, disse Curtis LeGeyt, presidente e CEO da National Association of Broadcasters, entidade que representa o setor.

Ao mesmo tempo, o projeto cria uma dor de cabeça inesperada para a indústria automotiva, que enfrenta desafios como tarifas, preços mais altos dos combustíveis e a ameaça de montadoras chinesas iniciantes entrarem no mercado americano.

A mudança da indústria para deixar de incorporar o rádio AM começou há uma década, depois que mais montadoras passaram a desenvolver veículos elétricos para o mercado americano.

Muitas fabricantes afirmam que as correntes elétricas dos motores de veículos elétricos podem interferir nos sinais de transmissão AM e, por isso, retiraram os receptores de rádio de modelos mais novos. Um estudo financiado pela indústria e realizado pelo Center for Automotive Research estimou que custaria US$ 3,8 bilhões às montadoras para eliminar as interferências entre veículos elétricos e o rádio AM.

A Ford Motor estava entre as firmas que inicialmente retiraram o rádio AM, mas voltou atrás depois que o CEO Jim Farley disse ter conversado com autoridades responsáveis por políticas públicas “sobre a importância do rádio AM como parte do sistema de alertas de emergência”. Um porta-voz da Ford não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.

As montadoras, porém, há muito tempo se opõem à obrigatoriedade do rádio AM. Lobistas do setor argumentam que o rádio AM não é mais um recurso amplamente utilizado e afirmam que ele pode interferir no conjunto cada vez maior de tecnologias instaladas nos veículos novos.

O rádio AM, que surgiu há mais de 100 anos e é utilizado por mais de 4 mil emissoras, perdeu espaço à medida que a audiência das rádios FM cresceu ao longo do tempo.

Atualmente, os motoristas têm uma variedade de opções para receber notícias, entretenimento e alertas de emergência, disse John Bozzella, presidente e CEO da Alliance for Automotive Innovation, em comentários feitos a parlamentares em 2024.

“Ao contrário de tecnologias que salvam vidas e são obrigatórias, como airbags, cintos de segurança, controle eletrônico de estabilidade e faróis, o rádio AM analógico não contribui para a segurança dos veículos”, afirmou Bozzella.

Se for aprovada, a lei exigirá que o Departamento de Transportes dos EUA publique, no prazo de um ano, uma regulamentação tornando o rádio AM obrigatório. A autoridade para fiscalizar e fazer cumprir a regra expiraria após oito anos.

“O que realmente diferencia este projeto de lei, e moldou a mobilização em torno dele, é o amplo apoio bipartidário”, disse LeGeyt. “Em um momento em que republicanos e democratas não conseguem concordar sobre praticamente nada.”

Escreva para Ryan Felton em ryan.felton@wsj.com.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: The Wall Street Journal

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