Por que tantas exchanges de criptomoedas estão fechando no Brasil?
A fintech argentina cripto Lemon, que chegou ao Brasil em março de 2022, anunciou nesta semana que vai fechar as portas no país. E ela não foi a única.
Nos últimos meses, várias exchanges internacionais ou brasileiras decidiram encerrar as atividades por aqui ou reduzir as operações para o varejo.
São elas: Bitnuvem, NovaDAX, Digitra.com, Coinext, Bitso e Crypto.com (esta última vai encerrar sua conta em reais para investidores brasileiros).
Motivos? Algumas não citaram o porquê, mas outras foram bem claras: regulação do Banco Central.
Regulação dura
As firmas que já atuavam com criptomoedas no Brasil têm até 30 de outubro para pedir autorização ao Banco Central. A exigência faz parte da nova regulação do setor, publicada no ano passado e que entrou em vigor neste ano.
Depois desse dia, quem não tiver iniciado o processo ficará impedido de continuar operando normalmente por meio das instituições reguladas pelo BC.
Nem toda firma, no entanto, tem cacife para continuar trabalhando em terras brasileiras. Uma das principais críticas tem sido as exigências de capital, que podem variar de R$ 10,8 milhões a R$ 37,2 milhões.
No começo deste mês, José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, escreveu nas redes sociais que a nova realidade regulatória passou a exigir uma estrutura de capital e operação diferente daquela sobre a qual a corretora foi construída, há 10 anos.
“Nos últimos meses, buscamos intensamente alternativas para a continuidade do negócio. Infelizmente, nenhuma delas se mostrou viável dentro do tempo que tínhamos. E chega um momento na vida de uma firma em que tão importante quanto saber começar é saber terminar”, escreveu.
Já a argentina Lemon disse em comunicado a clientes que a firma tomou essa “difícil decisão porque a nova regulamentação, que acaba de entrar em vigor, estabelece regras e exigências que não favorecem o desenvolvimento de produtos do nosso setor”.
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Mais segurança jurídica
A visão dos reguladores e de parte dos players do setor é que as novas regras trazem mais segurança jurídica para as firmas e para os investidores.
“Para muitos players de mercado, você só consegue se relacionar se tiver um regulador bem definido”, disse Nagel Paulino, chefe de divisão do Banco Central, no Digital Assets Conference (DAC), evento cripto que aconteceu em São Paulo nesta semana.
Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin Portugal, comparou o processo brasileiro ao MiCA (regulação cripto europeia), que fez novas exigências de resiliência operacional e cibersegurança, e falou que “o mercado cripto (local) recomeça dia 31 de outubro”.
Mercado concentrado
Para associações cripto e outros especialistas, porém, essas regras tiram da jogada as startups cripto, que deram início ao ecossistema nacional e hoje não têm condições de seguir regras, que são equivalentes às de outros setores monetários.
Em levantamento publicado na semana passada, o Valor Investe mostrou que há entre 150 e 200 firmas cripto no Brasil. Desse total, apenas entre 20 e 25 conseguiriam se manter por aqui com as novas regras. Ou seja, algo entre 10% e 17% do mercado
Regina Pedroso, diretora executiva da Associação Brasileira de Tokenização e Ativos Digitais (ABToken), disse na Febraban Tech 2026, em agosto, que muitas firmas cripto no Brasil dormiram startups e acordaram bancos por causa da regulação.
Já Julia Rosin, presidente da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto), vem alertando há algum tempo que novas regras aumentam a complexidade e os custos de adaptação das firmas de cripto, com potencial de acelerar a concentração do mercado.
E aqui vai um detalhe: instituições financeiras que já têm licença bancária do Banco Central podem prestar determinados serviços de ativos virtuais sem precisar criar uma nova estrutura específica para isso.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h
Bitcoin (BTC): +2,21%, US$ 78.083,25
Ethereum (ETH): +2,67%, US$ 2.499,11
BNB (BNB): +3,74%, US$ 749,60
XRP (XRP): +1,81%, US$ 1,31
Solana (SOL): +5,56%, US$ 105,55
Outros destaques do mercado cripto
A blockchain da stablecoin da B3. A stablecoin da B3, anunciada no fim do ano passado, já escolheu sua casa (ou melhor, sua blockchain). Será a Polygon, rede da criptomoeda POL. A proposta da nova cripto, vale lembrar, não é ser voltada ao varejo, como USDT, USDC e outras. A ideia é que seja um ativo digital para a liquidação de operações tokenizadas.
firmas pisam no freio nas compras de bitcoin. As firmas de capital aberto reduziram o ritmo de compras de bitcoin. Segundo dados da Glassnode citados pelo CoinDesk, foram adquiridos cerca de 5.900 BTC nos últimos três meses, bem abaixo do ritmo observado no mesmo período de 2025. A Strategy respondeu pela maior parte das compras recentes, incluindo uma aquisição de 4.603 BTC no fim de agosto. O movimento indica que uma importante fonte de demanda corporativa perdeu força.
SEC abre caminho para ações tokenizadas. A Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) criou uma isenção temporária que permite a plataformas específicas negociar ações tokenizadas de firmas listadas nas bolsas americanas diretamente em blockchain. A medida vale por até cinco anos. Ações tokenizadas são versões digitais de ações tradicionais de firmas registradas em blockchain.
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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins
