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Copom sinaliza espaço para juros em 13,25% ao ano em 2026, mesmo com alta da taxa nos EUA, diz Warren

O Banco Central deve repetir nas duas últimas reuniões do ano o corte de 0,25 ponto percentual aplicado nesta quarta-feira (16) e levar a taxa básica de juros, a Selic, dos atuais 13,75% para 13,25% ao ano em dezembro, segundo Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de macro e dívida pública da Warren.

É uma visão que destoa do consenso de mercado, conforme as projeções contidas no boletim Focus do Banco Central.

Na avaliação de Vital, que passou 17 anos no Tesouro Nacional e chefiou o Front Office da Coordenação-Geral de Operações da Dívida Pública, o comunicado de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) teve um tom neutro e praticamente não trouxe alterações em relação ao de agosto. “Foi uma comunicação simples e objetiva, que deve ser muito bem recebida pelo mercado”, afirma.

O economista inicialmente diz que que as próprias projeções de inflação do BC poderiam levantar dúvidas sobre a continuidade do ciclo.

O Copom elevou de 5,1% para 5,2% a estimativa para o IPCA de 2026 e de 3,8% para 3,9% a previsão para 2027, ambas acima do centro da meta, de 3%. Para o primeiro trimestre de 2028, atual horizonte relevante, a projeção foi mantida em 3,2%.

Ainda assim, ele argumenta que o comunicado foi claro e que novas reduções de apenas 0,25 ponto são compatíveis com uma política monetária que continuará contracionista.

A Warren estima o juro neutro brasileiro, aquele que, em tese, não estimula nem contrai a economia, em aproximadamente 6% ao ano, em termos reais.

Considerando uma inflação de 5%, a taxa atual implica em um juro real próximo a 8,3%, cerca de 2,3 pontos acima do que a casa considera neutro.

“O ritmo de corte é lento e a taxa continua extremamente restritiva, muito acima da neutra”, diz.

Mas, para Vital, o conjunto de riscos para a inflação justifica a manutenção do ritmo de 0,25 ponto. Entre as ameaças estão a elevação do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio, os efeitos do El Niño sobre alimentos e energia, impactos da reforma tributária sobre os preços e eventuais mudanças no mercado de trabalho, como o fim da escala 6×1.

O próprio Copom manteve a avaliação de que o balanço de riscos apresenta assimetria altista, ou seja, considera maior a chance de a inflação superar as projeções do que ficar abaixo delas.

Fed não deve ser limitador no curto prazo

Vital considera que uma nova alta dos juros nos Estados Unidos, isoladamente, não seria suficiente para provocar uma mudança relevante no fluxo de capital para o Brasil ou interromper o ciclo de cortes da Selic.

Para isso, o aperto monetário americano precisaria ser bem mais intenso. A manutenção dos juros brasileiros em patamar muito elevado ainda preservaria um diferencial relevante em relação às economias desenvolvidas.

“O nível de juros no Brasil é extremamente restritivo. Não é isso que vai alterar de forma significativa o fluxo de capitais. É relevante, é algo a ser acompanhado”, afirma.

Horas antes de o Copom cortar os juros no Brasil, o Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, foi na direção contrária e elevou a taxa americana em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. Foi a primeira alta desde julho de 2023, e a projeção mediana dos dirigentes aponta para pelo menos mais um aumento ainda em 2026.

A maior preocupação do economista está nos juros dos títulos americanos de longo prazo, especialmente os Treasuries de dez anos, que superou nos últimos dias a marca dos 5%, no maior patamar em três anos – e se aproximando do maior em quase duas décadas.

Vital relaciona a pressão sobre essas taxas à expansão fiscal dos EUA e ao volume de recursos direcionado aos investimentos em inteligência artificial. Esses gastos sustentam o crescimento econômico, mas também ampliam a necessidade de financiamento e podem gerar novas pressões inflacionárias.

Ele não vê, no curto prazo, o que poderia reverter esse movimento. “Não consigo construir um cenário de reversão no curto prazo. Seria preciso haver menor financiamento de inteligência artificial ou algum ajuste fiscal nos Estados Unidos”, afirma.

No Brasil, ajuste é a máxima pós-eleição

No Brasil, a Warren trabalha com um cenário positivo para as contas públicas depois das eleições. Vital acredita que algum ajuste fiscal deverá ser feito em 2027, independentemente do vencedor da disputa presidencial.

A principal incerteza está na velocidade e na composição. Pelo lado das receitas, podem entrar no debate a revisão de benefícios tributários e o tratamento dos investimentos incentivados.

Nas despesas, regras vinculadas ao salário mínimo. Isso não significa, contudo, que o problema fiscal esteja controlado. A expectativa é que a necessidade de ajuste se imponha ao próximo governo.

Nesse cenário, a Warren projeta o dólar a R$ 5,10 no fim do ano. Para a Selic, vê a taxa caindo a 12% ao ano ao longo de 2027.

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Autor: Paula Barra

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