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Bitcoin e altcoins caem após derrota de projeto cripto nos EUA

O mercado cripto dos Estados Unidos levou um banho de água fria na terça-feira (15) – e o impacto respingou nos preços do bitcoin (BTC) e das demais criptomoedas.

O Clarity Act, projeto de lei que cria um marco regulatório para ativos digitais no país, não conseguiu avançar no Senado. A proposta precisava de 60 votos, mas foi rejeitada por 50 votos a 49.

O bitcoin opera na faixa dos US$ 75 mil na manhã desta quarta-feira (16), enquanto o ethereum (ETH) recua quase 3%, para o nível dos US$ 2.400, e o XRP (XRP) cai quase 8%, para US$ 1,28.

Os ETFs americanos também sentiram o baque. Os fundos de bitcoin registraram cerca de US$ 450 milhões em saídas em 15 de setembro, enquanto os ETFs de ethereum tiveram aproximadamente US$ 142 milhões em retiradas.

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O que rolou?

O Clarity Act foi proposto por republicanos e era defendido pelo setor cripto. Alguns democratas, no entanto, foram contra, citando questões éticas. Eles queriam, por exemplo, que políticos do país com interesse monetário em cripto vendessem suas participações.

Foi um recado para o presidente Donald Trump, que entrou de cabeça no setor e viu sua fortuna aumentar. A principal fonte de crescimento de sua receita veio de suas iniciativas ligadas a criptoativos, que geraram mais de US$ 1 bilhão.

Também pesaram questões relacionadas à fiscalização do setor, às regras para finanças descentralizadas (DeFi) e às exigências de combate à lavagem de dinheiro.

Outro ponto de discórdia envolve as stablecoins. Bancos temem que recompensas oferecidas por firmas de criptomoedas atraiam depósitos que hoje estão no sistema bancário. As firmas cripto, por outro lado, argumentam que as restrições podem proteger o mercado tradicional da concorrência.

“Que decepção”

Os players do setor, claro, não gostaram do resultado. Ainda mais porque, nos últimos anos, a indústria investiu pesado em lobby e campanhas para tentar aprovar uma regulamentação mais clara para o mercado americano.

“Esta doeu”, escreveu o CEO da Ripple, Brad Garlinghouse, em uma publicação no X após a votação. Ele também defendeu uma “autópsia” para entender por que o projeto fracassou e criticou a oposição democrata.

Brian Armstrong, CEO e cofundador da Coinbase, classificou a derrota como uma “decepção” e afirmou que, embora as negociações possam continuar, a indústria não pode mais esperar pelo Congresso.

Vale falar um ponto: a votação não era sobre a aprovação final da lei, mas sobre um procedimento para fazê-la avançar no Senado. A expectativa agora é de que ela tenha dificuldades para ser votada antes das eleições de meio de mandato nos EUA.

Hoje tem Fed

O setor ainda pode passar por mais turbulência nesta quarta. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) divulga sua nova decisão de política monetária, com expectativa de alta dos juros. A medida tende a pressionar ativos de risco, como as criptos.

Veja as cotações das principais criptomoedas às 8h30

Bitcoin (BTC):  -1,29%, US$ 75.923,25

Ethereum (ETH): -2,87%, US$ 2.403,96

BNB (BNB): -0,98%, US$ 710,60

XRP (XRP): -7,91%, US$ 1,28

Solana (SOL): -3,51%, US$ 97,24

Outros destaques do mercado cripto

Tokenização brasileira sem barreiras. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já usou sandboxes no passado, ambientes regulatórios para testar novas soluções. Para a tokenização, porém, o regulador do mercado de capitais brasileiro estuda um modelo diferente: em vez de selecionar previamente os participantes, a ideia é permitir a entrada de todos que atendam a determinados critérios.

Sem saldo em reais. A exchange Crypto.com, que chegou ao Brasil em 2021, comunicou aos clientes brasileiros que vai encerrar permanentemente sua conta de saldo em reais a partir de 25 de outubro. A informação foi publicada pelo BitNotícias. A decisão ocorre em meio às mudanças no ambiente regulatório para firmas de ativos virtuais no país.

MPSP contra o criptocrime. Cripto, infelizmente, ainda é usada para atividades criminosas. Fazer o quê. Para enfrentar o uso desses ativos para esse fim, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) iniciou, ontem mesmo, um treinamento de quatro dias para agentes e analistas sobre investigação e monitoramento de criptoativos. Eles vão aprender a usar uma ferramenta para rastrear e analisar transações envolvendo criptomoedas.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Lucas Gabriel Marins

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