Não são só pessoas físicas: empresas impulsionam o avanço das stablecoins no Brasil
O avanço das stablecoins no Brasil não é puxado somente por investidores pessoas físicas, não. Muito pelo contrário. As firmas mergulharam de cabeça nessas criptomoedas famosinhas e já estão “puxando o bonde”.
Levantamento da exchange Brasil Bitcoin, compartilhado com exclusividade com o InvestNews, mostra que, nos últimos 12 meses, as firmas responderam por 97,3% do volume monetário movimentado em stablecoins na plataforma, somando R$ 27,7 bilhões.
Os CNPJs locais vêm usando esses ativos digitais – especialmente as criptos de dólar, atreladas à moeda americana – para pagamentos internacionais, movimentação de recursos e gestão da exposição cambial.
Para Jorge de Almeida, CEO da Brasil Bitcoin, esse movimento mostra que o crescimento do mercado cripto passou a ter duas frentes: de um lado, há o investimento em ativos digitais e, de outro, a utilização da infraestrutura blockchain para operações financeiras.
“Uma firma que utiliza uma stablecoin para liquidar uma operação internacional ou movimentar recursos não está necessariamente fazendo uma aposta sobre a valorização de uma criptomoeda. Ela está utilizando a blockchain como infraestrutura financeira”, diz.
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Mudança de papel
A entrada das firmas nesse mercado – que até alguns anos atrás era visto como “coisa de nerd” e cercado por uma zona cinzenta – também começa a mudar o papel das plataformas de criptoativos.
Além da compra e venda de moedas digitais, serviços como pagamentos, remessas internacionais, custódia institucional, mesas OTC (operações de compra e venda de grandes volumes de criptoativos diretamente entre as partes) e integrações por API (conexões que permitem que sistemas de firmas se comuniquem diretamente com as plataformas) passaram a fazer parte da infraestrutura oferecida pelo setor.
“As exchanges deixaram de ser apenas ambientes para compra e venda de criptomoedas. Hoje oferecem soluções de pagamentos, remessas internacionais, custódia institucional, integração via API e produtos voltados às firmas”, afirma Almeida.
Brasil e mundo
Esse cenário, vale notar, não é específico do Brasil.
Uma análise da McKinsey em parceria com a Artemis Analytics mostrou que os pagamentos com stablecoins somaram cerca de US$ 390 bilhões em 2025. Desse total, US$ 226 bilhões foram pagamentos entre firmas (B2B), o equivalente a cerca de 60% do volume, com alta de 733% em relação ao ano anterior.
Dados mais recentes da firma de análise de blockchain Allium reforçam essa tendência. Entre janeiro e agosto de 2026, os pagamentos B2B movimentaram entre US$ 137 bilhões e US$ 153 bilhões em stablecoins, tornando-se a maior categoria individual de pagamentos
Dentro desse universo, as operações corporativas lideraram o volume: foram US$ 56 bilhões em pagamentos de serviços, US$ 43 bilhões em folha de pagamento e US$ 28 bilhões em pagamentos a fornecedores, enquanto as compras de consumidores somaram US$ 19 bilhões.
Veja as cotações das principais criptomoedas às 7h50
Bitcoin (BTC): -2,91%, US$ 83.654,48
Ethereum (ETH): -5,14%, US$ 2.576,70
BNB (BNB): -2,27%, US$ 766,99
XRP (XRP): -4,17%, US$ 1,44
Solana (SOL): -2,35%, US$ 117,54
Outros destaques do mercado cripto
CVM e tokenização. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) está superligada em tokenização neste ano. O presidente da autarquia, Otto Lobo, esteve em Nova York nesta semana para participar do 6º Simpósio Anual de Regulação de Blockchain da Faculdade de Direito de Fordham. Ele falou sobre como o “xerife” do mercado de capitais vem implementando iniciativas de tokenização e inteligência artificial no Brasil.
Leilão da Receita tem mineradoras de bitcoin. Já ouviram falar dos leilões de mercadorias apreendidas pela Receita Federal, certo? Pois então. Vai rolar um novo na sexta-feira (9), na cidade de São Paulo. E entre os produtos disponíveis, há 23 máquinas de mineração de bitcoin (equipamentos usados para “minerar” a cripto), com lance mínimo de R$ 73.100. Ou seja: cada unidade sai por R$ 3.178.
EUA movimentam US$ 100 milhões em cripto. O governo dos Estados Unidos movimentou mais de US$ 100 milhões em criptomoedas na terça-feira (6), segundo dados da firma de inteligência blockchain Arkham. Foram transferidos 833,6 bitcoins, avaliados em cerca de US$ 71,6 milhões, e outros 40.285 BNB, no valor de US$ 31,6 milhões. As movimentações chamaram atenção do mercado, mas não indicam necessariamente uma venda.
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Autor: Lucas Gabriel Marins