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Existe um custo invisível nas compras em dólar; descubra os cartões que escapam dele

Quando se trata de cartões internacionais, termos como Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e anuidade já fazem parte do vocabulário de bancos e fintechs. Há, porém, um custo “escondido” que também pesa na fatura e pode encarecer as compras em dólar: o spread cambial.

Essa taxa funciona como um acréscimo que a instituição financeira aplica sobre a cotação de referência da moeda estrangeira no mercado. Ou seja, o spread faz com que o valor efetivamente pago pelo consumidor seja maior do que o câmbio divulgado.

Na prática, ele encarece a compra, porque o cliente não paga pelo dólar “oficial”, mas por um dólar mais caro. “O spread funciona como uma margem que remunera o emissor do cartão e cobre custos operacionais e riscos cambiais. Na prática, isso significa que o consumidor raramente paga a cotação divulgada nos noticiários”, diz Rafaela de Sá, planejadora financeira CFP pela Planejar.

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A especialista explica que esse custo representa um dos principais fatores de diferenciação entre cartões. Quanto maior o spread, maior será o valor final da fatura, e mesmo pequenas diferenças percentuais podem gerar impactos ao longo de uma viagem ou em compras frequentes no exterior.

Essas taxas costumam ser maiores em bancos tradicionais, como Santander e BTG Pactual, que cobram spread de 6% em cartões. A XP Investimentos também aplica a mesma porcentagem. Entre as fintechs, o PicPay trabalha com taxa de 5% e o Nubank adota spread de 3,5% no cartão Ultravioleta.

Leonardo Bernini, general manager do DolarApp (fintech que oferece conta global), no Brasil, orienta o consumidor a analisar o Custo Efetivo Total (CET) das operações de câmbio, o que inclui spread, taxas adicionais e impostos. O cliente deve priorizar instituições que informem o CET de forma clara. “O custo total é o ponto mais importante. Existem instituições que prometem devolver o IOF aplicado, mas cobram spread de 3,5%, que corresponde ao próprio imposto, ou acima disso”, afirma Bernini.

Cartões internacionais com custos menores

O E-Investidor selecionou a seguir opções de cartões de crédito internacionais com spread zerado ou reduzido. Nesta outra matéria, também comparamos alternativas de contas globais.

Os cartões com spread zerado das cooperativas

A maioria das cooperativas de crédito apresenta isenção do spread em seus cartões, como Cresol, Sicoob e Unicred. Já o Sicredi trabalha com uma taxa de 1%. As instituições aplicam o IOF de 3,5% em operações com cartão, sem devolução do imposto.

Na Cresol, o portfólio vai do cartão clássico – sem anuidade e com programa de pontos – ao Cresol Black, que cobra anuidade de R$ 900 e acumula 2,2 pontos por dólar gasto.

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No Sicoob, há desde o cartão clássico, com 1 ponto por dólar, até o Zenith, que chega a 4 pontos por dólar. As anuidades variam conforme a cooperativa.

A Unicred oferece o Classic, com anuidade variável e 1 ponto por dólar em compras nacionais e internacionais, até o Unicred Privilege, voltado à altíssima renda, cuja anuidade pode alcançar R$ 18 mil.

Já o Sicredi disponibiliza desde o Sicredi Internacional, com anuidade variável e sem pontuação, até as versões “premium”: o Sicredi Black, da Mastercard, com até 2,5 pontos por dólar, e o Sicredi Infinite, da Visa, que acumula 3 pontos por dólar.

DolarApp: cartão e conta global com custo de conversão de 0,5%

O DolarApp, que chegou ao Brasil no começo de 2025, oferece conta global, cartão internacional e permite converter real em dólar e euro com custo total de 0,5%, incluindo spread e impostos.

Além do Brasil, a fintech já tem operações no México, Argentina e Colômbia. O cartão oferecido é da bandeira Mastercard, sendo gratuito na versão virtual. Na versão física, o cliente consegue adquiri-lo ao pagar um preço único de US$ 3 (cerca de R$ 15,6), sem anuidade.

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Também existem maneiras de conseguir o cartão de forma gratuita na versão física, como ter saldo acima de US$ 100 no aplicativo ou ter a conta Premium, que custa US$ 6,99 (cerca de R$ 36,5) por mês. Com essa assinatura, o cliente ganha 1% de cashback em compras.

Além de oferecer conta global e cartão, o DolarApp conta com opções de investimentos em ações e ETFs (fundos de índice) nos Estados Unidos.

Karta: opção para o público de alta renda

O Karta Visa Infinite, da fintech Karta, um cartão americano voltado para brasileiros de alta renda, fica de fora da cobrança de IOF. A instituição aplica um spread de 0,69%, que pode ser zerado caso o cliente utilize uma conta bancária nos Estados Unidos. O cartão tem anuidade de US$ 300 (cerca de R$ 1.565 por ano) e oferece 1 ponto por dólar gasto.

Entre os benefícios, permite o parcelamento – tanto de uma compra única, quanto do valor total da fatura – em três, seis e nove vezes com taxa de juros de 5%, 10% e 15%, respectivamente.

Há ainda vantagens como serviço de concierge 24 horas por dia, 7 dias por semana, via WhatsApp, acesso a salas VIP do programa Priority Pass, seguro global para aluguel de carros, proteção em caso de acidente durante a viagem e proteção de atraso de bagagem.

Mercado Pago e Inter: fintechs com spread zerado

Desde maio de 2025, com as mudanças no IOF, o Mercado Pago zerou o spread do seu cartão internacional. O produto tem anuidade gratuita, permite parcelamento em até 18 vezes sem juros no Mercado Livre e oferece cashback de até 3% em Meli Dólar (criptomoeda emitida pelo Mercado Livre) e de até 10% em compras com parceiros, como 99, McDonald’s e Postos Petrobras.

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Já o Inter tem o cartão em dólar Inter Global Account, com spread zerado. O produto fica livre do IOF por ser emitido no exterior e também tem anuidade isenta. No segmento Prime (voltado para quem tem investimentos a partir de R$ 150 mil no banco), o cartão oferece 1 ponto por dólar gasto, já no segmento Win (voltado para quem tem investimentos a partir de R$ 1 milhão), o número sobe para 2 pontos por dólar gasto.

Como escolher um cartão internacional?

Além do spread cambial, Andréia Ribeiro da Luz, professora da Escola de Negócios da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), afirma que o consumidor deve observar outros pontos importantes:

  • Anuidade e tarifas administrativas: alguns cartões compensam spreads menores com anuidades mais elevadas;
  • Benefícios agregados: programas de pontos, seguros e cashback podem compensar parcialmente custos maiores;
  • Cotação utilizada e data de conversão: alguns emissores usam a cotação do dia da compra, outros do fechamento da fatura;
  • IOF: apesar de ser um imposto definido pelo governo, há bancos que devolvem o imposto cobrado;
  • Encargos por atraso ou parcelamento da fatura: juros podem ser significativamente mais altos em operações internacionais.

Segundo Luz, o ideal é sempre avaliar o custo total, e não apenas um dos pontos de forma isolada. A professora afirma ainda que, em alguns casos, o spread cambial pode variar dentro de um mesmo banco. “Embora muitas vezes seja percebido como um percentual fixo, ele pode oscilar conforme o perfil do cliente, a instituição financeira e as características do produto contratado”, afirma.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Beatriz Rocha

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