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Fabricante de armas mais antiga do mundo, Beretta vai às compras na bolsa americana

A Beretta Holding, grupo familiar que controla a fabricante de armas de fogo mais antiga do mundo, pode considerar novas operações com firmas de capital aberto após ampliar sua presença nos Estados Unidos com a aquisição de uma participação de 25% na rival americana Sturm Ruger & Co.

“A aquisição de uma participação em uma firma listada nos permitirá avaliar se haverá outras oportunidades, outras operações no mercado de capitais”, disse Pietro Gussalli Beretta, presidente do conselho e CEO do grupo, em entrevista na sexta-feira (16).

A Beretta informou naquele dia que a quantidade de ações oferecidas pelos acionistas da Ruger superou o volume que pretendia comprar em sua oferta, de até US$ 108 milhões. O prazo terminou na quinta-feira (15), e o rateio definitivo das ações a serem adquiridas ainda não havia sido definido.

Gussalli Beretta afirmou que as duas fabricantes se complementam: a Ruger tem uma posição forte nos Estados Unidos, e os produtos das firmas atendem a segmentos diferentes do mercado.

A participação na Ruger coroa um esforço de três décadas da Beretta para se transformar, a partir de suas raízes italianas, em um grupo global de armas de fogo por meio de aquisições. Desde que Gussalli Beretta criou a holding, em 1995, o grupo concluiu mais de 20 operações, expandiu sua atuação para munições e equipamentos ópticos e elevou a receita anual de € 202 milhões para € 1,68 bilhão (US$ 1,89 bilhão).

Hoje sediada em Luxemburgo, a Beretta foi fundada em 1526 nas proximidades de Brescia, região que então pertencia à República de Veneza. Sua principal fábrica continua no local.

A conclusão da oferta de compra, de US$ 44,80 por ação, encerra um processo de meses que começou com negociações sobre a influência da Beretta na rival americana. Um acordo fechado em maio limitou a participação a 25%, concedeu à Beretta o direito, sujeito a condições, de indicar até dois conselheiros independentes e impôs restrições ao ativismo acionário por três anos.

“Esse investimento não teve um começo fácil”, disse Gussalli Beretta. “Agora a relação está clara, e precisamos seguir em frente.” Segundo ele, o acordo preserva a independência da Ruger e abre espaço para a cooperação entre as firmas.

Antes, a Beretta havia buscado elevar sua participação para cerca de 30% e pressionado por representação no conselho, enquanto a Ruger alertava para o risco de uma aquisição gradual de seu controle.

O investimento na Ruger também marca a primeira vez que a Beretta adquire uma participação em uma concorrente de capital aberto, segundo a companhia. A operação pode aproximar o grupo do mercado de capitais americano e abrir caminho para outros tipos de transação, afirmou Gussalli Beretta. Ele ressalvou, porém, que investimentos minoritários não devem necessariamente ser vistos como um modelo que a Beretta pretende repetir.

A receita da holding na América do Norte caiu 16% em 2025, para € 537,3 milhões, enquanto as vendas na Europa cresceram 11,3%, para € 931 milhões, segundo suas demonstrações financeiras. O desempenho europeu foi favorecido pela maior demanda dos setores de defesa e segurança pública. O grupo opera diretamente nove firmas nos Estados Unidos e tem cinco instalações no país, uma delas em construção.

O acordo com a Ruger permite que as companhias explorem possíveis parcerias na fabricação, na compra de insumos, nas cadeias de fornecimento e nas vendas. Como a força da Ruger nos Estados Unidos complementa a rede internacional de distribuição da Beretta, as maiores oportunidades imediatas podem estar na cooperação comercial, disse Gussalli Beretta. As duas firmas também podem avaliar a expansão das vendas da Ruger fora do mercado americano por meio das operações já existentes da Beretta.

O portfólio da Beretta Holding reúne fabricantes de armas de fogo, munições e equipamentos ópticos, entre elas Benelli, Sako, Norma e Steiner. Embora o grupo tradicionalmente tenha se concentrado nos mercados civil e esportivo, os setores de defesa e segurança pública responderam por 40% da receita no ano passado, ante 34% em 2024.

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Esta notícia foi originalmente publicada em:
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Autor: Bloomberg

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